Dor no ovário: o que pode ser e o que fazer para aliviar

Atualizado e Revisado por Drª Camille Rocha Risegato (Ginecologista e Obstetra - CRM SP-119093) a 12/08/2019. Publicado originalmente em 11 de janeiro de 2018

Sentir dores no ovário geralmente significa que a mulher está ovulando e neste caso não há razão para se preocupar, pois é algo natural e esperado. Contudo, a dor no ovário também pode ser indicativo de uma doença, principalmente se a mulher não menstrua (por uso de anticoncepcionais hormonais, por exemplo). Doença inflamatória pélvica, cistos ou endometriose também causam dor nessa região. Por tal razão é importante que a mulher consulte regularmente o ginecologista para relatar quaisquer sintomas e, se necessário, fazer um tratamento.

Veja a seguir as possíveis causas e como proceder caso seja diagnosticada cada uma dessas situações.

Dor No Ovário, O Que Pode Ser E O Que Fazer Para Aliviar

1) Ovulação

Geralmente, a dor pélvica que dura cerca de 2 dias e depois se extingue está associada ao processo de ovulação e é um evento bastante comum. No processo de ovulação, que ocorre por volta do 14º dia do ciclo menstrual, a dor pode aparecer no momento em que há distensão do folículo para liberar o óvulo. Existe um termo médico para este tipo de dor, que é mittelschmerz (do alemão “dor no meio”).

A duração dessa dor pode variar de minutos a horas, mas não deve exceder mais de dois dias seguidos. Algumas vezes o desconforto é leve e em outras, bem intenso.

O que fazer: quando a dor é provocada pela ovulação, não é necessário tratamento, mas nos casos em que o incômodo é grande, podem ser indicados analgésicos (paracetamol por exemplo) e anti-inflamatórios (ibuprofeno por exemplo). Outra possibilidade é conversar com o ginecologista para avaliar se é mais vantajoso tomar um
anticoncepcional que iniba a ovulação.

Observação: É importante diferenciar a típica cólica menstrual (dismenorreia) da dor no ovário (mittelschmerz). A dismenorreia ocorre logo antes ou durante os dias da menstruação, enquanto que a mittelschmerz ocorre no meio do ciclo. Veja os sintomas e o que pode ser dor na ovulação.

2) Dores em órgãos próximos

Outros órgãos da região abdominal tais como intestinos, bexiga e rins estão sujeitos a situações que podem causar dor e serem confundidos com problemas no ovário. Exemplos de condições que causam dor próxima aos ovários são: apendicite, prisão de ventre, cálculos renais, infecção urinária e também a gravidez.

O que fazer: a mulher deve estar atenta aos sintomas e relatá-los ao médico – a apendicite costuma ser caracterizada por uma dor perto do umbigo ou no lado direito do abdômen; a constipação intestinal provoca dores fortes quando a evacuação não ocorre há dias; as pedras nos rins causam uma dor muito intensa na lateral do abdômen, nas costas e pode haver sangue na urina; a infecção urinária ocasiona ardor ao urinar e a gravidez tem os sintomas bem conhecidos de ausência de menstruação e enjoos.

Na presença de qualquer um destes sintomas é importante a mulher consultar um médico para realizar os exames e obter o diagnóstico correto a fim de ser indicado o tratamento mais adequado.

3) Câncer de ovário

Este tipo de câncer é muito raro e a média de idade das mulheres diagnosticadas com a condição é de 63 anos (conforme dados da American Cancer Society). Ainda assim não se deve ignorar por completo esta possibilidade, especialmente se há histórico familiar de câncer. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, maiores as chances de o tratamento ser bem sucedido.

O que fazer: os principais tratamentos para câncer ovariano são a ooforectomia (cirurgia de
remoção do ovário), histerectomia parcial ou total (retirada do útero e colo do útero), quimioterapia,
radioterapia e terapia hormonal para corrigir possíveis desequilíbrios.

4) Cisto no ovário

O cisto ovariano é uma bolha de líquido com uma fina membrana que pode se formar dentro ou em redor do ovário, podendo acarretar dor na região pélvica do lado onde está localizado o cisto (esquerda ou direita), durante a ovulação e também nas relações sexuais.

Como geralmente tem causas hormonais, o cisto no ovário pode ser acompanhado de escapes de sangue pela vagina, ganho de peso, infertilidade e dores nos seios. Caso a mulher apresente esses sintomas, deve consultar o ginecologista para verificar a presença de um cisto. Exames de sangue, ultrassom ou laparoscopia vão auxiliar na identificação do tipo de cisto presente. Veja como identificar cisto no ovário.

O que fazer: caso o cisto não diminua naturalmente, ele pode ser tratado com uso de contraceptivos hormonais orais. Nos casos em que a dor e o desconforto persistirem, pode haver necessidade de ser realizada uma cirurgia de remoção.

Observação: A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma condição diferente do cisto no ovário em número e tamanho. Na SOP trata-se de um aglomerado de pequenos cistos. Além disso, a patologia diferencia-se pelos sintomas que podem incluir hirsutismo (aumento dos pêlos no rosto e corpo), acne, irregularidades menstruais e resistência à insulina.

5) Torção do ovário

Ocorre quando os ligamentos finos que seguram os ovários na parede do abdômen se torcem, causando dores intensas e ininterruptas. Sua causa muitas vezes está ligada à presença de um cisto, pois este torna o ovário mais volumoso, prejudicando o ligamento.

O que fazer: a torção do ovário é um quadro de emergência. Por tal razão, caso a mulher sinta uma dor muito forte na região, deve se dirigir imediatamente ao pronto-atendimento para ser identificada a sua origem e ser recebido o tratamento apropriado. Entenda que, o não tratamento representa perigo de necrose devido ao prejuízo da circulação sanguínea.

Dor No Ovário Pode Ser Sintoma Inicial De Gravidez Ou Indicar Câncer

6) Endometriose

Condição caracterizada pelo crescimento do tecido do endométrio fora do útero, em órgãos como os ovários, trompas de falópio, bexiga e até em intestinos e no apêndice. Os sintomas da endometriose incluem cólicas menstruais, dor abdominal fora do ciclo menstrual que pode se espalhar para as costas, cansaço excessivo, dor após relações sexuais
(dispaurenia), fluxo menstrual abundante, infertilidade, dores ao urinar ou evacuar, constipação ou diarreia, náuseas e enjoos.

O que fazer: a endometriose é uma doença crônica. Isso significa que não há uma cura definitiva, mas sim, tratamentos para controlar os sintomas. Além de analgésicos, são indicados medicamentos que promovem a regressão do tecido endometrial, tais como a pílula anticoncepcional e o DIU, ou medicamentos que reduzam a produção de estrogênio pelos ovários (Zoladex e Danazol são dois exemplos). Entenda que esses tratamentos evitam a ovulação ou param o ciclo menstrual, não sendo adequados à mulher que está tentando engravidar. Nesses casos pode-se recorrer à laparoscopia para remoção de tecidos endometriais fora do útero a fim de diminuir os sintomas sem dificultar a gravidez.

7) Doença inflamatória pélvica

A DIP (doença inflamatória pélvica) é uma infecção que atinge vagina, colo do útero, endométrio, trompas de falópio e ovários. Seus sintomas são cólicas no baixo ventre, dor durante as relações sexuais, febre, irregularidades menstruais e corrimento. A DIP geralmente é causada por uma doença sexualmente transmissível (clamídia, e gonorreia são dois exemplos) por isso, em caso de suspeita é necessário realizar um exame pélvico, ultrassonografia pélvica ou laparoscopia e informar o parceiro.

O não tratamento da DIP pode trazer complicações como abcessos ovarianos, gravidez ectópica ou até infertilidade.

O que fazer: o tratamento é realizado com uso de antibióticos durante cerca de duas semanas. Recomenda-se que o parceiro também realize o tratamento e que nessa fase sejam evitadas relações sexuais. Veja como é feito o tratamento desta doença.

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Referências
Autores
Drª Camille Rocha Risegato (Ginecologista e Obstetra - CRM SP-119093)

Ginecologista e Obstetra - CRM SP-119093

Dra Camille Vitoria Rocha Risegato - CRM SP nº 119093 é formada há 14 anos pela Fundação Técnico Educacional Souza Marques, Rio de Janeiro.

> Consultar CRM (Fonte: https://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_medicos&Itemid=59)

Dra Camille mudou-se para São Paulo onde realizou e concluiu residência médica em Ginecologia e Obstetrícia (RQE nº 25978) no Centro de Referência de Saúde da Mulher no Hospital Pérola Byington em 2007.

Em 2008 se especializou em Patologia do Trato Genital Inferior nesse mesmo serviço. Ainda fez curso de ultrassonografia em ginecologia e obstetrícia na Escola Cetrus.

Trabalha em setor público e privado, atendendo atualmente em seu consultório médico particular situado na Avenida Leoncio de Magalhães 1192, no bairro do jardim São Paulo, zona norte de São Paulo.

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Última atualização da página em 12/08/19