Durão Barroso

Revisado por Andre a 28 outubro 2018

José Manuel Durão Barroso é um político português. Filho de um casal de transmontanos, Luís António Saraiva Barroso e Maria Elisabeth de Freitas Gomes Durão, nasceu em Lisboa a 23 de Março de 1956. Durão Barroso tem apenas um irmão, Luís António Saraiva Barroso.

Licenciou-se em Direito, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, no período posterior à Revolução dos Cravos de 1974. Mais tarde, prosseguiu os seus estudos no Instituto Europeu da Universidade de Genebra, onde se tornou Mestre em Ciências Económicas e Sociais.

Durão Barroso Antes e Depois

Prosseguiu a sua carreira, lecionando na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, como Assistente. Fez ainda pesquisa, na Universidade de Georgetown, relacionada com o seu processo de Doutoramento. Curiosamente, nunca chegou a doutorar-se. Ao retornar à capital Portuguesa, deu continuidade à sua carreira acadêmica, tornando-se professor auxiliar e Diretor do Departamento de Ciência Política da Universidade Lusíada de Lisboa.

O interesse político de Durão Barroso iniciou-se ainda antes do 25 de Abril de 1974. Fez parte do Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado, o conhecido MRPP, chegando a ser um dos líderes da Federação dos Estudantes Marxistas-Leninistas, que constituía a seção juvenil do referido partido. Barroso acabou por ser excluído do partido, após uma série de atitudes consideradas impróprias pelos seus líderes.

Um dos episódios que se tornou mais conhecido foi o momento em que Barroso chegou à sede do MRPP, com uma carrinha repleta de peças de mobiliário, que haviam sido furtadas da Faculdade de Direito de Lisboa, nos incidentes que se seguiram à Revolução. O então líder do partido, Arnaldo Matos, ordenou-lhe que fosse devolver os bens roubados.

Em 1980, Durão Barroso mudou de completo de quadrante político. Deixando de parte os ideais maoístas, que o haviam levado ao PCTP/MRPP, Barroso filiou-se no Partido Social Democrata (PSD), um partido de centro-direita. Influenciado por Santana Lopes, o então Primeiro-Ministro Aníbal Cavaco Silva, convidou Barroso para o cargo de sub-secretário de Estado no Ministério de Assuntos Internos, função que desempenhou entre 1985 e 1987.

Seguiram-se os cargos de secretário de estado dos Assuntos Externos e Cooperação e posteriormente de Ministro dos Negócios Estrangeiros. Foi no desempenho desta última função que ganhou mediatismo em Portugal e alguma projeção internacional. A sua participação foi essencial para que a UNITA e o MPLA, assinassem o Acordo de Bicesse, que levou a um período de tréguas temporário, na Guerra Civil Angolana. A sua voz destacou-se também na denúncia da situação desumana que se vivia em Timor-Leste e da luta do território pela sua independência.

Em 1993, o Fórum Económico Mundial (FEM) apontava Durão Barroso como um dos “Líderes Globais de Amanhã”. Em 1994, já na qualidade de ministro dos Negócios Estrangeiros participou numa das célebres e polémicas reuniões de Bilderberg. Corria o ano de 1995, quando se candidatou à presidência do PSD, tendo sido derrotado por Fernando Nogueira. Nogueira foi por sua vez derrotado pelo líder do Partido Socialista, António Guterres, nas eleições legislativas do mesmo ano e acabou por abandonar o partido, cedendo a posição a Marcelo Rebelo de Sousa.

Em 1999, finalmente chegou a altura de Durão Barroso assumir a presidência do seu partido. Logo no mesmo ano, decorreram novas legislativas, nas quais Barroso não conseguiu vencer António Guterres, que continuaria a governar o país. Nos anos que se seguiriam, Barroso tornou-se o líder da oposição, até que em 2002 levou o PSD a uma vitória nas eleições legislativas. O PSD formaria juntamente com o CDS-PP, uma coligação com maioria absoluta, conseguindo assim os meios para governar de forma relativamente tranquila.

Durão Barroso tornou-se Primeiro-Ministro a 6 de Abril de 2002. O seu período no governo ficou marcado pela sua luta contra o défice orçamental, tendo escolhido para Ministra das Finanças, a conservadora Manuela Ferreira Leite. As reformas orçamentais que implementou e as restrições que impôs, tornaram-no impopular, principalmente entre os funcionários públicos e os militantes de esquerda. Durão Barroso foi também um apoiante convicto da invasão americana do Iraque, em 2003, quando a maioria da opinião pública portuguesa se opunha fortemente.

Pouco mais de dois anos após ter iniciado funções, Barroso anunciou a sua demissão, para se tornar presidente da Comissão Europeia. Apesar de Barroso ter apoiado a candidatura do também português António Vitorino, viria ele próprio a ser eleito, numa decisão unanimemente ratificada pelos 25 estados-membros. Barroso sucedeu ao italiano Romano Prodi e o seu mandato ficou marcado por uma alteração na forma de funcionamento da Comissão Europeia, a qual passou a ter mais poderes.

O seu mandato à frente da Comissão Europeia deveria ter-se iniciado em 1 de Novembro de 2004, mas devido à oposição do Parlamento Europeu relativamente a alguns dos Comissários por si escolhidos, Barroso teve que efetuar alterações no seu elenco e aguardar algum tempo. Em 2005, atravessou um momento difícil, quando a França e a Holanda disseram “não”, à Constituição Europeia, em referendo. Foi um dos apoiantes do Tratado de Lisboa, tratador reformador que inseriu várias emendas aos anteriores.

Durão Barroso é casado com Maria Margarida Pinto Ribeiro de Sousa Uva. O casal oficializou o Matrimónio na Sé de Lisboa, em 1980. Da relação nasceram três filhos: Guilherme, Francisco e Luís. Curiosamente, foi a sua esposa que deu origem à sua alcunha humorística, quando na campanha para as eleições legislativas de 2002, decidiu dedicar-lhe de forma pública o poema “sigamos o cherne”, da autoria do poeta português Alexandre O’Neill. A imprensa portuguesa não deixou o gesto passar despercebido e Barroso começou a ser depreciativamente chamado de “Cherne”.