e ia para a sala aos pulos e a gritar: “É hoje! É hoje!”

Revisado por Equipe Editorial a 13 janeiro 2018

… e ia para a sala aos pulos e a gritar: “É hoje! É hoje!”…

Três meses após termos decidido ter um filho, engravidei. Depois de fazer o teste, dei a notícia ao meu marido, por telefone. Eu estava radiante e o meu marido, com a emoção, ficou sem palavras. A gravidez decorreu com alguns problemas que fui superando: um quisto de 8cm de diâmetro, placenta prévia, inchaços, cansaço, insónias …

Como o meu filho estava previsto para o dia 31 de Dezembro, decidi apressar-me nas compras de natal. Assim sendo, tinha decidido que no dia 11, desse mês, iria fazer todas as compras para ficar descansada. Às 11 horas, enquanto esperava pelo meu marido à porta de uma loja, comecei a sentir um enorme mau estar e fortes dores nos rins. Pensei: “Meu Deus, isto é de andar nesta confusão a fazer compras.”

Quase não comi nesse dia, o que era muito estranho, pois eu comia muito bem (engordei quase 21Kg). Chegou a noite e o meu marido saiu para ir a uma exposição de pintura para a qual havíamos sido convidados.

A partir das 23 horas, comecei a ir fazer chichi de 5 em 5 minutos e numa das vezes reparei que o rolhão de muco estava a sair. Fiquei calma já que afinal era normal isso acontecer, por vezes alguns dias antes do parto.

Sozinha, numa noite fria e chuvosa, pensei o que fazer. “A mala!”. Tinha que a fazer, pelo sim, pelo não … Mais uma ida à casa de banho. Sangue. Calma, muita calma. Pensei: “Se calhar é só uma infecção urinária.”

Às duas horas da madrugada (já dia 12 de Dezembro), o meu marido chegou e ficou espantado, com a mala à porta, e eufórico. Apenas dizia: “Estás bem?” e ia para a sala aos pulos e a gritar: “É hoje! É hoje!”. Telefonou para a minha mãe que aconselhou a irmos de imediato para o hospital. Dei entrada às 3h30.

Fui para a sala de dilatação: CTG e soro. Começaram as contracções e foi como que uma paz que me encheu o corpo, uma calma divina. Deus estava ao meu lado. Às 7h30, após insistentes pedidos, o meu marido veio para junto de mim. Ali estávamos nós, a olhar um para o outro, ele mais nervoso que eu sem saber o que fazer para me ajudar.

9h30. A enfermeira veio-me observar. Senti que o meu corpo queira fazer força, uma força inexplicável que eu não controlava, que me enchia o corpo. Disse-o à enfermeira e ela após me observar disse: “Minha querida, está na hora!”. Levou-me para a sala de partos e, o meu marido no corredor, não sabia o que fazer. Eu, calmamente disse-lhe: “Vem comigo. Anda.”.

Já na sala, não consegui resistir e soltei um grito, não de dor, mas de alguém que quer fazer muita força. De repente, toda a sala se encheu de gente e eu só ouvia dizer: “Força, muita força! Agora! Vá!”. Estava cansada. Por fim oiço o médico dizer: “Não vai conseguir sair. Dêem-me os forcéps.”. Olhei para o meu marido, sem força, mas com vontade, muita vontade de continuar. “Está quase, só mais uma forçinha!”.

Foi assim que, às 9h50, senti que a minha vida, saía de mim. O meu anjo estava ali. Olhei para o meu marido e vi os seus olhos a brilharem mais que duas estrelas. Sorrimos. Ainda hoje o sinto: inigualável, sublime. Enquanto o observavam, ouvi um gemido, como um gatinho. Era o meu bebé: 3,470Kg e 44,5cm.

Depois de vestido colocaram-no perto de mim. Beijei-o. Era lindo. A minha vida estava ali, nos meus braços. O pós-parto foi um pouco difícil e doloroso mas, tudo passa.

Hoje o David é a razão da nossa vida, é o ar que respiramos, o sol que nos aquece a alma, o sorriso do nosso rosto. Obrigado Meu Deus, não só pela tua ajuda, mas por permitires que eu fosse mãe. Ser mãe é, sem dúvida, algo Divino.

Eunice Pedrosa Cruz – Amadora

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