Ele tambem está grávido

Revisado por Equipe Editorial a 13 janeiro 2018

Ele também está grávido

Há 50 anos era tudo mais fácil: de um pai, apenas se esperava que fornecesse alimentos e protecção à sua família. A gravidez, o parto e inclusivamente os primeiros anos do bebé eram da responsabilidade da mulher. O homem, apenas exercia o papel de pai quando o filho já era crescido. Hoje em dia, tudo é diferente. As mulheres pedem mais interesse, proximidade e companhia por parte do pai dos seus filhos, logo desde o momento da fecundação. Quase de manhã à noite, o pai imaturo converteu-se num pai grávido: um homem que acompanha a sua mulher ao ginecologista, aprende a respirar ao som das contracções e assiste ao nascimento do filho.

Sentimentos contraditórios
Tudo isto produziu uma certa confusão nos homens. O papel de protectores continua a vigorar, mas cada vez mais sentem que fazem parte da gravidez e, então, estão dispostos a colaborar. Mas ficam mais desorientados quando as suas boas intenções esbarram com limites inesperados.

João Paulo, confessou: «Eu acompanhava a Isabel a todos os sítios, como ao médico e à ginástica. Mas nunca me senti completamente integrado no processo. Não era mais do que a quinta roda do carro. Só me converti realmente num pai quando peguei no meu filho pela primeira vez. Finalmente tinha a impressão de ter alcançado a minha mulher. Ela converteu-se em mãe e eu em pai».

Com efeito, por muito que o futuro pai se sinta implicado, o epicentro dos factos situa-se no ventre da sua mulher. Quase todos os livros sobre o tema foram escritos por mulheres para mulheres, bem como são elas, naturalmente, as protagonistas nos cursos de preparação para o parto.

Apesar de serem as mulheres a suportar o parto, vêm-se compensadas, pelo menos, pela compreensão das pessoas que as rodeiam. Contam com o seu consentimento implícito e podem manifestar altos e baixos emocionais sem terem que dar explicações a ninguém.

Pelo contrário, um futuro pai que diga «sinto-me confuso», suscita risos ou simplesmente recebe pancadinhas de condescendência no ombro. Os sentimentos dos futuros pais podem ser tão variados como os das suas mulheres, no entanto, algumas das preocupações principais repetem-se mais que uma vez.

O que é que o preocupa?
(Estar-me-ei a converter numa figura secundária?)

O carácter irreversível da decisão de gerar um filho pesa tanto sobre o homem como sobre a mulher. Mas enquanto se compreendem as dúvidas das mulheres, as dos homens passam para segundo plano. Aparentemente, eles não devem fazer outra coisa para além de continuar a trabalhar e a ganhar dinheiro como habitualmente. Não têm que escolher entre trabalho e família, nem prescindir das suas vocações em favor de um filho. Mas, será que não se convertem numa pessoa secundária caso não lhes seja exigida outra coisa para além de ganhar dinheiro?

Que tipo de pai quero ser?

Tal como as grávidas pensam agora com frequência nas suas mães, também o futuro pai faz uma visita crítica à sua infância. Pretenderá educar o filho como o seu pai o educou a ele, ou terá agora outros ideais? Os que recordarem um pai carinhoso não terão dificuldade em se identificarem, mas os que tiveram de suportar um pai despótico ou um pai ausente terão de recorrer a outros modelos para poderem dar uma melhor educação. Durante esta fase, não são poucas as vezes que surgem ao homem algumas recordações de cenas amargas que viveram e que julgavam esquecidas.

Nascerá o meu filho perfeito?

É lógico que a futura mãe também sente este receio mas, com o decorrer da gravidez, consegue criar uma espécie de confiança natural: o bebé mexe-se e, segundo os conhecimentos do médico, não foi detectado nada de anormal, tudo irá correr bem. Os homens não ficam tranquilos tão facilmente. «Ao deparar-me com esta questão», comenta um pai, «tive de reconhecer que não seria capaz de viver com um filho doente ou incapacitado. Quase que obriguei a minha mulher a fazer amniocentese».

Suportarei o parto?

A ideia de ter que presenciar o parto sem poder fazer nada verdadeiramente efectivo é algo que preocupa bastante muitos futuros pais. No entanto, poderão deixar a mulher sozinha? Não se trataria de um acto de cobardia? Nesta situação, o melhor é falar sem rodeios e verificar que o pai pode sair da sala de parto tão desanimado ao ponto de não querer voltar a repetir a experiência. Por outro lado, nem todas as mulheres desejam que o conjugue as acompanhe na hora de dar à luz.