-->Viajar para a Escócia - Uma viagem até Escócia

Uma viagem até Escócia

Publicado em 10/05/2010. Revisado por Equipe Editorial a 13 janeiro 2018

Viajar para a Escócia – Acordei numa madrugada fria e chuvosa decidido a enfrentar pequenas batalhas com os TFL –Transport for London – que teimam em atrasar ou simplesmente fechar as linhas, para reparações, quando mais necessito deles. É sempre assim. Cheguei vitorioso ao aeroporto onde um avião me levou numa curta e sonolenta viagem até à Escócia.

A capital escocesa despertava ainda para um dia frio salpicado com flocos de neve. Edimburgo é uma cidade fria durante quase todo o ano. Era Março, o gorro, as luvas e o cachecol foram os meus queridos companheiros durante toda a viagem. Claro que, como nunca largo a minha câmara fotográfica, o dedo que ia disparando fotos sem fim gelou vezes sem conta. Os jardins de Princes street dividem o centro em duas partes distintas: a norte a new town, com as suas ruas ordenadas simetricamente dominadas por lojas modernas, bancos e escritórios; a sul a old town, que preserva o seu aspecto medieval com as suas estreitas ruelas que embocam na royal mile, a artéria principal, que nos conduz até ao imponente castelo de Edimburgo sentado no topo de uma colina que domina a vista sobre a cidade que inspirou Robert Louis Stevenson na obra literária “The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hide”.

Edimburgo prima pela oferta cultural. Também aqui, como em todo o Reino Unido, todos os museus públicos são gratuitos. A National Gallery of Scotland, a Scottish National Gallery of Modern Art e a Dean Gallery oferecem uma vasta colecção permanente, que nos fazem viajar horas e horas de obra em obra até saciar o olhar. As igrejas e cemitérios fazem parte da paisagem urbana: estão em todo o lado. Mas nem sempre são locais de culto, a abundância é tanta que muitas igrejas foram transformadas em cafés, hotéis, apartamentos, centros culturais – o famoso festival internacional de Edimburgo está instalado numa igreja de estilo gótico bem no coração da cidade velha. Foi surpreendente descobrir que a pousada que me abrigou das gélidas noites escocesas era uma igreja, completamente modificada por dentro mas com subtis marcas que não nos fazem esquecer onde estamos. Na verdade, dormi como um anjo. Ao volante de um Ford alugado arranquei para as lowlands escocesas rumo à Segunda paragem – Stirling. Pelo caminho, parei e desfrutei numerosos lagos, como quem diz em gaélico lochs, o célebre monstro descansa nas profundezas do Ness mas a Escócia tem imensos lochs que tranquilizam quem desfruta os reflexos nas suas águas.

Stirling é uma cidade que à primeira vista parece Edimburgo em ponto pequeno. Mas para além do seu famoso castelo que ocupa o olhar
mais distraído, o monumento que se destaca e marca forte presença no horizonte é a torre que oferece uma vista esplendorosa sobre a cidade e as highlands escocesas – o Wallace monument. Dedicado ao famoso guerreiro William Wallace, trazido às luzes da ribalta pelo filme Braveheart, que em Stirling derrotou o poderoso exército inglês na batalha da ponte de Stirling, onde ordenou que se desapertassem os parafusos fazendo com que a estrutura de madeira se desmoronasse levando o exército inglês ao banho! Cansado de tantas batalhas e paisagens paradisíacas, parei num pub e aproveitei para apreciar o tradicional prato escocês – haggis acompanhado de uma pint de cerveja.

O haggis é uma versão das nossas tripas enfarinhadas mais consistente, cozido no estômago de carneiro. É uma mistela de coração, fígado e pulmões cortados em pequenos pedaços misturados com cebolas, especiarias e aveia, soa mal mas é bem bom! Não poderia regressar ao ponto de partida sem antes parar numas das muitas destilarias que povoam a terra que produz a water of life, mais conhecida como whisky, desde o século XV. Divido em dois tipos: single malt – puro malte – feito de cevada maltada; e grão, feito predominantemente de milho. Mas o whisky mais comercializado é o blended que resulta de uma mistura dos dois. Destilado em pequenas quintas que outrora produziam ilegalmente, o whisky foi legalizado em 1823 pelo parlamento escocês. O whisky de puro malte é considerado a cereja no topo do bolo dos whiskies: não resisti e comprei uma garrafa de 10 anitos para aprender a saborear o verdadeiro sabor do whisky!

Por José Farinha

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