Espermograma: para que serve e como é feito

Atualizado e Revisado por Dr Nilo Jorge Leão Barretto (Urologista - CRM-BA 22237) a 09/08/2019

O espermograma consiste na análise laboratorial das propriedades físicas e parâmetros qualitativos e quantitativos de uma amostra de sêmen. É um exame realizado ao sêmen com o objetivo de avaliar o grau de fertilidade masculina com base na qualidade do sêmen: volume seminal e pH, e parâmetros microscópicos como morfologia, mobilidade e concentração de espermatozoides. Está indicado quando existem dificuldades para engravidar

O espermograma é um exame essencial indicado pelo urologista no momento de decidir o tratamento de fertilidade mais adequado ou a técnica de reprodução assistida mais eficaz para o paciente. Quando os valores de referência estão normais, é utilizada a relação sexual programada ou a inseminação artificial. Por outro lado, quando o sêmen indica uma situação patológica que comprometa a fertilidade do homem, opta-se pela fertilização in vitro (FIV). Para saber mais consulte o guia Como é feita a Fertilização In Vitro (Passo a passo).

Quanto custa?

O preço do espermograma varia de acordo com a clínica em que é realizado e os testes complementares necessários. No geral, em Portugal custa entre 80 a 100 €. No Brasil varia entre R$65 e R$175,00. No entanto, também pode ser adquirido de forma gratuita pelo SUS.

Como é feito o exame

Para que os resultados obtidos sejam confiáveis, a OMS (Organização Mundial de Saúde) estabelece que o exame deve ser realizado após um período de abstinência sexual entre 3 e 5 dias. Que inclui não apenas a ausência de relações sexuais, mas também de masturbação.

Para confirmar o diagnóstico de infertilidade masculina, é necessário que se realizem pelo menos dois espermogramas com pelo menos um mês de intervalo entre eles e que o resultado de ambos coincida. Há que ter em mente que podem haver alterações nos resultados por variáveis ​​ambientais ou laboratoriais, e não apenas fisiológicas.

A coleta da mostra

O sêmen será coletado mediante masturbação, depois do homem de ter lavado as mãos e os genitais corretamente, e será depositado num frasco estéril fornecido pela clínica.

É muito importante o homem coletar o total da ejaculação. Muitos homens por se sentirem desconfortáveis ​​ou nervosos durante a coleta do sêmen, faz com que eles percam parte da amostra, especialmente a primeira fração. Se for perdida uma fração do ejaculado ou parte do recipiente for derramada, a análise não será representativa e, portanto, não será considerada válida.

Coleta De Uma Amostra De Sêmen Para O Espermograma

O ideal é coletar a amostra na própria clínica para alterar o mínimo possível as condições do líquido seminal.

Embora sejam raros os casos, algumas clínicas oferecem a possibilidade do indivíduo recolher a amostra em casa e entregá-la posteriormente ao laboratório, desde que não demore mais de meia hora desde a coleta da amostra, e que sejam mantidas as condições adequadas de temperatura e luz. Nestes casos recomenda-se também que o frasco seja mantido no bolso ou em contato com o corpo e envolto em papel de alumínio para que não entre em contato com a luz.

No entanto, embora seja aceite em algumas clínicas, a coleta nunca deve ser feita em casa.

Valores normais do espermograma

A OMS publicou em 2010 os valores de referência, abaixo dos quais a amostra de sêmen é considerada fora do normal. Para um resultado normal o espermograma deve ter os seguintes valores:

Aspectos macroscópicosValor normal
VolumeIgual ou superior a 1,5 mL
ViscosidadeNormal
CorBranco Opalescente
pHIgual ou superior a 7,1 e inferior a 8,0
LiquefaçãoTotal até 60 minutos
Aspectos microscópicosValor normal
Concentração15 milhões de espermatozoides por mL ou 39 milhões de espermatozoides totais
Vitalidade58% ou mais espermatozoides vivos
MotilidadeIgual ou superior a 32%
MorfologiaMais de 4% de espermatozoides normais
LeucócitosInferior a 50%

O processo de avaliação do esperma é dividido entre um exame macroscópico e microscópico. De uma forma geral, são analizados os parâmetros básicos determinados pela OMS. No entanto, dependendo da clínica ou laboratório, podem haver variações no procedimento. Cada um desses valores analisados ​​no espermograma e sua combinação determinarão o grau de fertilidade masculina.

Análise Macroscópica

A análise macroscópica é a primeira a ser realizada. Avalia as características mais básicas do sêmen,que incluem:

Volume: mede-se em mililitros (ml) a quantidade de sêmen expelida durante a ejaculação. A partir de 1,5 ml é um volume considerado normal.

Liquefação: ocorre quando a amostra é deixada em repouso por 20 minutos em temperatura ambiente. O sêmen torna-se menos compacto já pode ser realizado corretamente o exame microscópico da amostra. A proteína expelida na ejaculação chamada fibrinolisina é responsável pela liquefação do sêmen. Se a liquefação não ocorrer, pode ser sinal de alguma patologia.

Viscosidade: Analisa-se a presença de filamentos. No caso em que existe a presença de uma viscosidade extrema, esses filamentos devem ser rompidos para que os espermatozoides possam circular livremente no fluido seminal.

Cor: o sêmen em condições normais tem uma cor branca acinzentada ou um pouco amarela. Se apresentar outro aspecto, pode ser um sinal de infecção.

pH: os valores normais de pH situam-se entre 7,2 e 8,0, que são considerados valores ligeiramente básicos. A variação no pH pode indicar a presença de uma infecção ou alterações na produção de líquido seminal.

Análise microscópica

A nível microscópico, os parâmetros mais importantes a ser avaliados são:

Concentração de espermatozoides: Aqui são obtidos dois valores. A concentração de espermatozoides por mililitro (ml), em que 15 milhões/ml, é um valor considerado normal. E o número total de espermatozóides no ejaculado, que a OMS referencia como normal a partir dos 39 milhões de espermatozóides/ejaculados.

Motilidade espermática: Analisa a capacidade de movimento do espermatozoide. Geralmente, mostra 2 valores: o movimento total (são contabilizados todos os espermatozoides que apresentam movimento), que deve atingir pelo menos 40%, e a mobilidade progressiva (os espermatozoides que se movem e avançam de posição) onde o valor mínimo estabelecido é de 32%. Em algumas clínicas, é analisado também o tipo de movimento: se é rápido, moderado ou lento.

Vitalidade: realiza-se através da técnica de Gram (coloração de Gram). Não é realizado em todos os casos, apenas naqueles em que há um grande número de espermatozoides imóveis, para verificar se eles estão vivos e imóveis ou mortos. O valor de referência para a vitalidade está estabelecido em pelo menos 58% de espermatozoides vivos.

Morfologia: avalia a forma da cabeça, pescoço, centro, e cauda do espermatozoide. A OMS qualifica como uma amostra morfologicamente normal aquela que apresenta mais de 4% de espermatozoides com forma normal, ou seja, sem anormalidades em nenhuma das suas partes.

Presença de leucócitos ou células epiteliais: é comum que, além dos espermatozoides, se encontre outro tipo de células, como leucócitos ou células epiteliais por descamação da pele. Em amostras com presença elevada de leucócitos, pode haver a presença de uma infecção.

O que é o Teste de REM?

Outro teste que pode ser feito como complemento ao espermograma é a contagem de espermatozoides móveis ou o teste REM, que significa “recuperação dos espermatozoides moveis”.

O teste REM consiste na separação dos espermatozoides de acordo com a sua motilidade. Desta forma obtem-se uma fração da amostra concentrada nos espermatozoides com maior motilidade, que indica a qualidade dos espermatozoides recuperados. Desta forma é possível avaliar de maneira mais eficiente a técnica de reprodução assistida que oferece a maior probabilidade de sucesso em função da qualidade seminal obtida.

Por exemplo, por vezes o espermograma básico mostra concentrações e motilidade ótimas, mas no entanto, a amostra ou não responde bem à preparação e não é de boa qualidade após passar pela centrifugação. Ou seja, isso mostra que não é recomendável realizar a inseminação artificial, já que as probabilidades de engravidar com esta técnica são baixas.

Para se obter uma fração espermatozoides móveis, a amostra ejaculada é submetida a um processo denominado capacitação espermática. Existem vários métodos para capacitar a amostra, embora os principais sejam o “swim-up” e os gradientes de densidade.

Considera-se que a amostra é normal quando tem um número de espermatozoides com motilidade progressiva (a+b) superior a 3-5 milhões no teste REM.

Perguntas e respostas

Quais são os valores normais do espermograma?

Em relação aos valores normais de um espermograma, os mais importantes são:

  • Volume da amostra ≥ 1,5 ml
  • pH entre 7,2 e 8,0
  • Concentração espermática ≥ 15 milhões ml
  • Total de espermatozoides > 40 milhões
  • Motilidade progressiva (A+B) ≥ 32%
  • Espermatozoides vivo> 58%
  • Espermatozoides normais ≥ 4%
  • REM (capacitação espermática) > de 5 milhões, sendo este o parâmetro mais determinante do espermograma.

Como posso saber se sou um homem fértil?

Para saber se é fértil o homem deve fazer uma série de exames. O primeiro será fazer uma história clínica e um exame físico completo, juntamente com um espermograma, teste onde é analisado o volume, concentração, motilidade, viabilidade e morfologia espermática, e que também ajuda a prevenir, evitar ou curar distúrbios que causam esterilidade e que geralmente passam despercebidos.

Quanto tempo demoram os resultados do espermograma?

Dependerá de cada laboratório e do volume de trabalho que eles têm. O resultado pode ser conhecido no mesmo dia em que a amostra é depositada, mas geralmente só é entregue ao paciente 2-3 dias depois.

Onde posso realizar o exame?

Os locais mais comuns para realizar este exame de diagnóstico são clínicas de reprodução assistida e laboratórios de análises clínicas.

Existem doenças que causam problemas nos espermatozoides?

Sim, existem algumas doenças testiculares, como a varicocele, hidrocele, criptorquidia e algumas doenças genéticas que podem alterar a produção normal de espermatozoides e causar infertilidade. Conheça as condições que podem causar infecções no líquido seminal consultando o artigo: Infecções no sêmen: orquite, epididimite e prostatite.

Problemas hormonais, como o hipogonadismo, hiperprolactinemia, hipertireoidismo, hipotireoidismo e diabetes, também afetam o desenvolvimento espermático.

Se as vias seminais e as glândulas acessórias tiverem alguma anormalidade, a maturação dos espermatozoides e a ejaculação podem ser alteradas.

É necessário tomar algum medicamento antes, durante ou após o exame?

Não existe a necessidade de tomar qualquer tipo de medicação. No entanto, caso seja detectada alguma alteração no espermograma, o médico pode prescrever um suplemento nutricional para melhorar a qualidade do sêmen.

Enterococcus faecalis no sêmen causa infertilidade?

Trata-se de uma bactéria gram-positiva que geralmente está localizada na uretra masculina e faz parte da flora bacteriana. No entanto, por vezes pode subir pelo sistema urogenital e desencadear uma infecção.

O Enterococcus faecalis é a causa mais comum de infecções que envolvem a próstata e o sêmen. Como em qualquer infecção que afeta o sistema reprodutivo, pode causar infertilidade quando não é realizado tratamento com antibióticos. Só apenas quando a infecção é aguda e não é tratada a tempo, pode causar infertilidade permanente.

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