Esquizofrenia

Revisado por Reinaldo Rodrigues (Enfermeiro - Coren nº 491692) a 14 dezembro 2018

A esquizofrenia pode ser definida como um distúrbio mental de grande complexidade. As principais consequências ocasionadas pela doença são a perda do poder de discernir entre o ilusório e o imaginário, perda do raciocínio lógico, uma imensa dificuldade durante as interações sociais, e ausência dos comportamentos emocionais considerados normais.

esquizofrenia

Embora seja crônica e detenha um enorme grau de complexidade, a esquizofrenia não deve ser confundida com o distúrbio que gera múltiplas personalidades.

Principais causas da esquizofrenia

Por mais que a esquizofrenia tenha sido amplamente estudada ao longo dos anos, o fato é que as causas precisas para desencadear a doença ainda carecem de embasamentos sólidos. Desse modo, acredita-se que os principais agentes motivadores da esquizofrenia sejam ambientais, e genéticos.

Outras causas apontam para falhas estruturais de alguns compostos presentes no cérebro, essencialmente o glutamato, a dopamina, dois importantes neurotransmissores. Existem pesquisas científicas que ao analisarem imagens do interior do cérebro descobriram que a estrutura cerebral e do sistema nervoso de indivíduos “normais” difere da exiba por aqueles que são diagnosticados como esquizofrênicos.

A verdade é que os cientistas ainda não conseguiram estabelecer uma conexão clara entre todas essas descobertas. No entanto, elas são suficientes para que a esquizofrenia passasse a ser considerada um problema decorrente de uma anomalia instaurada no cérebro.

Principais fatores de risco

Como Dio há pouco, as causas reais da esquizofrenia são um mistério. Porém, o mesmo não acontece quanto aos fatores que podem estimular o desenvolvimento da doença. Dentre eles é possível destacar: presença de algum membro familiar com o mesmo problema, doenças autoimunes, tabagismo, indivíduos que se tornam pais em uma idade avançada, utilizar remédios com ação psicotrópica no decorrer da adolescência, e a exposição do feto a vírus e toxinas durante os seis primeiros meses de gravidez. Todos esses pontos contribuem para o surgimento da esquizofrenia e, portanto, merecem atenção.

Principais sintomas da esquizofrenia

Com relação às mulheres, os sintomas relacionados à esquizofrenia costumam ocorrer por volta dos 30 anos. Já os homens tendem a manifestar os primeiros sinais a partir dos 20 anos. Embora seja possível, dificilmente a doença acomete indivíduos com idade superior a 45 anos, ou durante a infância.

Os indícios característicos da esquizofrenia são de ordem emocional, comportamental, e cognitiva. Partindo desse princípio, é natural que os sintomas oscilem. Eis os mais frequentes:

Alucinações e delírios

Deve-se dissociar as alucinações dos delírios, dois sintomas dotados de aspectos específicos. As primeiras acontecem quando o indivíduo passa a visualizar certas coisas e, principalmente, ouvir vozes que não são reais. É interessante notar que aos olhos e ouvidos de um esquizofrênico, essas alucinações são envolvidas pela máxima veracidade, ao ponto do doente ser incapaz de desacreditá-las. Também vale a pena destacar que as “vozes” compõe o evento mais comum quando se fala em alucinações.

Já os delírios remetem a acontecimentos que não detêm nenhum elo com a realidade vivida pelo indivíduo. Em meio a uma crise de esquizofrenia, o paciente pode interpretar erroneamente o mais simples gesto de outra pessoa. Em um determinado ambiente composto por grupos de pessoas, por exemplo, o esquizofrênico pode deduzir que uma, ou mais, rodas de conversas estão falando sobre ele.

Os delírios também podem se manifestar sob a forma de alguma habilidade extraordinária a qual o esquizofrênico, definitivamente, não possui. Outros exemplos são a crença de que alguma pessoa está totalmente apaixonada por ele, ou que uma tragédia iminente se aproxima, colocando-o em pânico. Uma forma de delírio bem comum manifestada pelos esquizofrênicos é a crença de que existem regiões do organismo que não estão funcionando como deveriam.

Perda da coordenação motora

Esse sintoma causa profundos transtornos ao esquizofrênico, principalmente quando ele está presente no ambiente de trabalho. Nesse caso, existe uma grande dificuldade em focar um objetivo durante a execução das mais variadas funções. Sem enxergar um objetivo claro ao que é proposto, o paciente pode apresentar comportamentos nada ortodoxos. Essa falha pode redundar em uma resistência para executar orientações, e a realização de movimentos que não levarão a lugar algum.

Pensamentos desconexos

A maneira mais comum pela qual esse sintoma é demonstrado é durante as falas do esquizofrênico, já que ele passa a ter dificuldade para conectar suas ideias. Consequentemente, o discurso perde totalmente o sentido lógico. Esse transtorno causa um grande problema de comunicação entre a pessoa portadora de esquizofrenia e seu interlocutor. A ausência de uma linha de raciocínio impede pode comprometer completamente o convívio social, uma vez que até as respostas às perguntas podem soar estranhas, ou carentes de sentido.

Demais sintomas

Existem outros sintomas que podem possuir vínculo com a esquizofrenia. Dessa forma, quem sofre com o problema tende a ser inexpressivo, evitar realizar contato visual, não demonstrar emoções, e ser propenso a efetuar falas repletas de monotonia e destituídas dos movimentos normalmente utilizados para enfatizar o discurso.

Outros indícios típicos da esquizofrenia são a perda da vontade de conversar, isolamento do convívio social, perda de interesse pelas atividades que antes eram atrativas, perda da acuidade com a higiene pessoal, e uma constante incapacidade para vivenciar sensações prazerosas.

Quando consultar um médico

Geralmente, é bem comum que os portadores da esquizofrenia nem desconfiem que possuam a doença. Logo, essas pessoas desconhecem o fato de que suas incapacidades podem ter uma origem patológica, razão pela qual grande parte delas não realize uma consulta médica. Por esse motivo, quem costuma levar o indivíduo doente ao médico é algum amigo, ou parente.

A manifestação de um, ou mais, dos sinais expostos acima já é motivo suficiente para conduzir o indivíduo a um consultório médico, o que deve ser feito o mais rapidamente possível.

Durante a consulta, o acompanhante da pessoa supostamente esquizofrênica deve estar munido de anotações referentes a todos os sintomas exibidos pelo paciente.

É provável que o especialista questione a data aproximada da manifestação dos sintomas e com que frequência eles ocorrem, se existe suspeita de pensamentos suicidas, se o paciente recebeu diagnostico positivo para algum outro problema de saúde nos últimos meses, e quais os remédios que o paciente está tomando no momento.

Processo de diagnóstico da esquizofrenia

Infelizmente, por se tratar de um transtorno psíquico, não existem exames clínicos que possam determinar a esquizofrenia. Desse modo, o diagnóstico consiste pura e simplesmente na avaliação do psiquiatra. Existem outros problemas psíquicos que podem apresentar sintomas análogos aos inerentes à esquizofrenia. Portanto, visando minimizar as chances de equívoco durante a fase de diagnóstico, o psiquiatra realiza uma série de entrevistas com os parentes e os amigos mais próximos do doente.

As ressonâncias magnéticas, ou tomografias, aliadas a análises de amostras sanguíneas também podem ser úteis para eliminar a possibilidade de outras doenças que exibam sinais bem parecidos com apresentados pela esquizofrenia.

Como tratar a esquizofrenia

A esquizofrenia não é uma doença curável. O que se pode fazer é tentar conceder à pessoa afetada o máximo possível de controle sobre sua vida, que durante a manifestação da doença fica a mercê de ilusões e transtornos cognitivos.

Terapias psicossociais aplicadas em conjunto com a adoção de terapias medicamentosas são extremamente eficazes. Contudo, o paciente não está livre de vivenciar crises mais profundas, ou ter seus sintomas agravados. Nessas circunstâncias, não está descartada a necessidade de internação hospitalar, que tem como intuito preservar a própria integridade física do paciente. A internação também pode ser necessária para que o paciente tenha um sono apropriado, receba uma alimentação equilibrada, bem como uma higienização básica.

Além da presença de um psiquiatra, médico responsável por comandar o tratamento, a equipe também é composta por enfermeiro psiquiátrico, assistente social, e psicólogo. Normalmente, a associação de todos esses profissionais proporciona resultados mais satisfatórios para o paciente esquizofrênico.

Finalmente, cabe ressaltar que não existe tratamento direcionado à esquizofrenia que não considere o uso de remédios. O problema é que os medicamentos utilizados no processo de estabilização da condição psíquica do paciente podem provocar algumas reações adversas consideradas graves. Entretanto, a incidência desses efeitos colaterais não atinge a maioria dos pacientes.

De uma forma geral, é muito difícil estipular qual será o grau de melhora de um indivíduo diagnosticado com esquizofrenia. Analisando o contexto de modo amplo, o efeito exercido pelos remédios é positivo na maior parte das vezes, ajudando a suavizar ou aplacar totalmente os sintomas. Porém, devido a dificuldades funcionais, alguns indivíduos tendem a ter uma esquizofrenia resistente, o que pode acontecer essencialmente durante as primeiras fases da doença.

Quem sofre com a o mau em análise também pode necessitar de treinamento profissional, e receber moradia assistida, além de outros programas do gênero. Além disso, quem possui níveis avançados de esquizofrenia pode apresentar imensa dificuldade para viver sozinho. Assim, essas pessoas podem ter de viver em moradias coletivas durante longos períodos. É claro que o local deve estar suprido de todo o suporte médico condizente ao tratamento da doença.

Também cabe enfatizar que o esquizofrênico jamais pode interromper o uso dos medicamentos prescritos, pois corre o risco de voltar a manifestar os sintomas relacionados à doença.

Prognóstico

Sem dúvida, as terapias de apoio social são extremamente favoráveis. Os cursos que visam desenvolver e treinar habilidades pessoas também são de grande relevância para aprimorar as interações sociais, tanto em casa como no trabalho do paciente. Adotar cursos específicos para o desenvolvimento de habilidades profissionais também é de extrema importância para o paciente voltar a se integrar à sociedade.

Quanto à família do esquizofrênico, todos os parentes devem ser informados a respeito dos detalhes que caracterizam a doença, e como agir em casos de crises. Os pacientes que não podem contar com apoio familiar também têm à disposição serviços públicos com os mesmos objetivos.

Os parentes, ou os profissionais contratados para cuidar do paciente devem estimulá-lo a não abandonar as terapias. Logo, é imprescindível que o doente conheça exatamente qual é a posologia dos medicamentos e as possíveis reações adversas de cada um deles. Além disso, quem possui esquizofrenia deve aprender a reconhecer os indícios de uma possível reincidência dos sintomas para saber como lidar nessas situações. O reconhecimento dos sintomas é importante inclusive no início do tratamento, quando ainda pode haver resquícios desses sinais.

Possíveis complicações ligadas à esquizofrenia

Caso o paciente diagnosticado com esquizofrenia se recuse a se submeter ao tratamento proposto, a doença pode acarretar diversas complicações. Dentre as principais estão: pensamentos suicidas, depressão, crises de ansiedades, desenvolvimento de fobias, danos físicos provocados ao próprio corpo, conflitos com os parentes, superdosagem de remédios, consumo de drogas ilícitas, alcoolismo, isolamento do convívio social, desenvolvimento de um comportamento violento, irritabilidade latente, queda abrupta de desempenho nos estudos e trabalho, e perda de dinheiro.

Como prevenir a esquizofrenia

Não há como evitar o desenvolvimento da esquizofrenia em si. O que pode tentar ser evitado é o reaparecimento dos sintomas da doença. Para isso, o paciente deve seguir à risca a dosagem e os horários específicos da medicação receitada pelo psiquiatra. Caso contrário, todos os sintomas retornarão.

Toda decisão que o paciente vier a tomar deve ser prontamente comunicada ao médico. É importante que o psiquiatra seja informado sobre a vontade do paciente substituir ou suspender o uso dos remédios, por exemplo. O terapeuta será um grande aliado do paciente, ajudando-o a lidar com toda a dificuldade de prosseguir com o tratamento.

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