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Estalar as articulações faz mal?

Publicado em 28/11/2014. Revisado por Dr. Davi Marinho de Araújo (Ortopedista - CREMEC 13177 / TEOT-SBOT 12704) a 18 dezembro 2018

Os estalos são algo normal e podem acontecer naturalmente, ou podem ser provocados. É crença geral que estalar as articulações faz mal, mas será que esta ideia corresponde mesmo à realidade?

Estalar as articulações faz mal

Para responder a esta questão devemos começar por entender que as articulações são os pontos de contacto entre dois ossos. Os ossos mantêm-se unidos através de diversos tecidos: tendões, cartilagens, cápsulas e ligamentos.

Os estalos que o nosso corpo produz ocorrem precisamente nas articulações do corpo. Se estes estalos são positivos ou negativos é uma questão que tem suscitado diversas teorias e uma ampla discussão. Vamos tentar perceber se estalar as articulações faz mal, ou se pelo contrário, até pode ter um efeito positivo sobre o nosso corpo. Para encontrar uma resposta vamos olhar para diversos estudos publicados sobre este assunto.

Muitas pessoas tendem a estalar os dedos, pés, ombros, tornozelos e até o pescoço. Este hábito, por vezes, proporciona alívio de eventuais dores.

Quando o ato de estalar é esporádico, não tem consequências negativas. Contudo, quando o hábito é recorrente e é exercida força excessiva nas articulações, torna-se pouco saudável. O que acontece nestes casos é que é aplicada uma tensão excessiva nas cápsulas, tendões, ligamentos e cartilagens.

Estalar as articulações frequentemente pode provocar uma maior produção de líquidos internos, o que por sua vez pode condicionar o movimento das articulações, provocando dores ou lesões.

Quando se estalam as articulações está-se a provocar pressão sobre os músculos e articulações, e quando esta pressão é frequente e contínua contribui para acelerar a degeneração normal destas regiões.

Porque é que estalar as articulações proporciona alívio

Os estalos provocados podem, em algumas circunstâncias, proporcionar alívio porque pode existir algo que está a colocar alguma pressão sobre os músculos e articulações, originando assim dor e desconforto. Estalar as articulações pode contribuir para desbloquear a situação, proporcionando assim alívio.

Este fenómeno é relativamente comum, mas não deve ser ignorado, porque quando alguém estala as articulações diariamente e por períodos de tempo prolongados, pode estar a provocar incapacidade funcional das suas articulações.

Quem estala as articulação de forma voluntária, para aliviar dores ou pressão, não deve persistir nessa prática, mas sim procurar resolver a questão que origina o desconforto. Nestes casos, é importante procurar ajuda médica para verificar se existe alguma disfunção ao nível das articulações.

Um fisioterapeuta é o profissional indicado para ajudar neste tipo de situações e para indicar um tratamento adequado à disfunção identificada.

Resumo de diversos estudos sobre as consequências de estalar de forma provocada

Ao longo dos anos, diversos investigadores estudaram o ato de estalar e as consequências deste gesto. As conclusões retiradas destes estudos permitem-nos ter um maior grau de compreensão sobre o impacto de estalar as articulações. Em seguida, enunciamos alguns dos estudos mais relevantes sobre o impacto dos estalos voluntários.

Mireau, Cassidy, Bowen, Dupuis e Notfall assinaram um trabalho, em 1988, no qual concluíram que após os estalos, as articulações denotavam uma maior escala de movimento. Isto significar que, estalar as articulações provoca um aumento temporário na capacidade de movimento das articulações.

Em 1987, uma equipa liderada por Unsworth recuperou o trabalho desenvolvido por Haines e Roston em 1972, sobre a presença de gases no interior da articulação após os estalos sonoros. De acordo com este estudo conclui-se que o estalo é sucedido por um elevado grau de afastamento articular. O espaço intra-articular, antes do estado era de 0,98 mm, aumentando para 2,50 mm logo após o estalo. Com o passar de minutos o espaço reduzia-se e cerca de 15 minutos, era novamente de 098 mm.

Finalmente, é necessário referir o estudo realizado por Raymond Brodeur que acompanhou 300 pessoas que manifestavam o hábito recorrente de estalar os dedos, procurando sinais demonstrativos de lesões nas articulações.

Os resultados do estudo de Brodeur demonstraram que não existe ligação evidente entre estalar articulações e artrite. No entanto, foram identificados outros danos, principalmente ao nível dos tecidos moles e da cápsula articular. Adicionalmente, foi identificado que pessoas que estalam os nós de forma regular denotam perda de força.

Pensa-se que estas lesões resultam do alongamento rápido e constante dos ligamentos que rodeiam a circulação.

A importância de procurar ajuda especializada

Quem tem o hábito de estalar as articulações com frequência, deve procurar contrariar essa tendência. Ainda que a informação disponível não seja totalmente clara a respeito de todas as consequências provocadas por este gesto, o melhor é não insistir num ato voluntário que não acrescentada nada de positivo.

Quando existe a tendência de provocar o estalo para obter alívio, é fundamental procurar ajuda para esclarecer os motivos que originam o desconforto ou dor. Um fisioterapeuta pode indicar o tratamento certo para a disfunção articular que origina as dores, ou pressão.

Notas finais sobre o ato de estalar as articulações

Os múltiplos estudos parecem indicar que estalar as articulações não conduz a artrite, contudo foram identificadas diversas outras lesões que resultam deste gesto.

Estalar as articulações provoca danos ao nível da cartilagem, cápsula articular e tensões e desta forma, este gesto voluntário deve ser evitado. Se a tendência de provocar estalos voluntários nas articulações é motivada pela necessidade de procurar alívio imediato de desconforto, pressão ou dor localizada, recomenda-se que procure o apoio especializado de um fisioterapeuta.

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Autores
Dr. Davi Marinho de Araújo (Ortopedista - CREMEC 13177 / TEOT-SBOT 12704)

Ortopedista e Traumatologista - CREMEC: 13177 TEOT(SBOT): 12704

O Dr. Davi Marinho de Araújo realizou a sua Graduação na Universidade Federal de Campina Grande, terminando o curso em 26 de abril de 2008. R. Aprigio Veloso, 882-Bodocongó Campina Grande PB (83) 2101 1000

Residência Médica

Ortopedia e Traumatologia : Serviço de Ortopedia e Traumatologia do Hospital Getúlio Vargas (2009,2010,2011) Av.Gen. San Martin-Cordeiro Recife-PE 50630-060.

Membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) - TEOT: 12704

Membro titular da Associação Brasileira Ortopédica de Osteometabolismo (ABOOM), e do Comitê de Doenças Osteometabólicas da SBOT.

Treinamento em cirurgia de Pé e Tornozelo no serviço de Ortopedia e Traumatologia da Clínica Alemana de Santiago-CH, International intership program at Traumatology Department, ankle and foot Unit with MD Cristian Ortiz as tutor.

Treinamento na Especialidade

CURSO INTERNACIONAL AO-HASTES INTRAMEDULARES, realizado no Windsor Barra Hotel Rio de Janeiro RJ, 20 a 21 de maio de 2009.

AO PRINCIPLES OF FRACTURE TREATMENT COURSE, realizado em Fortaleza CE , de 4 a 6 de agosto de 2011.

CURSO AO TRAUMA PE E TORNOZELO, realizado em INDAIATUBA SP, de 24 a 26 de ABRIL de 2014.

CURSO AO TRAUMA AVANÇADO, realizado em RIBEIRAO PRETO SP , de 19 a 22 de AGOSTO de 2015.

Atividades laborais

Hospital Antonio Prudente, Fortaleza CE, atendimento clínico e procedimentos cirúrgicos, departamento de ortopedia e traumatologia, serviço de pé e tornozelo.

Membro titular do comitê de Ética Médica do Hospital Antonio Prudente, Fortaleza - CE, eleito para o atual biênio por processo eleitoral.

Hospital Gastroclinica, Fortaleza CE, atendimento clínico em emergência e procedimentos cirúrgicos.

Governo do Estado do Ceará , Policlínica Regional de Caucaia, médico ortopedista e traumatologista aprovado em concurso público.

Consultório Vittacura: Av Desembargador Moreira, 760 Meireles - Centurion Business Center - sala 809.

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