Existe Relação entre cancro e doença de Alzheimer: sim ou não?

Existe ou não existe uma Relação entre cancro e a doença de Alzheimer: sim ou não?mal de alzeimerNovo estudo pretende colmatar limitações na investigação de associações epidemiológicas entre o cancro e a doença de Alzheimer.

Em indivíduos adultos mais velhos, a doença de Alzheimer prevalente (AD) pode estar associada a um risco reduzido de cancro e um historial de cancro pode ser associado a um risco reduzido de Alzheimer.

Juntamente com outros trabalhos que mostram as associações entre o cancro e a doença de Parkinson, um novo estudo publicado na edição de Janeiro da revista Neurology, sugere a possibilidade de o cancro estar ligado a doenças neurodegenerativas.

Cathy Roe e colegas, da Escola de Medicina da Universidade de Washington, utilizaram modelos de riscos proporcionais de Cox para testar correlações entre a prevalência de demência e o risco de cancro, bem como as associações entre o cancro prevalente e o risco de demência subsequente.

Para isso, analisaram um conjunto de 3 020 indivíduos com 65 anos ou mais, os quais foram seguidos durante uma média de 5, 4 anos para a demência e de 8, 3 anos para o cancro.

Verificou-se que a presença de qualquer AD e AD pura estava associada com um risco reduzido de hospitalização futura devido a cancro, mesmo depois dos ajustes por factores demográficos ou relacionados com tabagismo, obesidade e actividade física.

Não foi encontrada nenhuma associação significativa entre a demência e a taxa de internamento por cancro para os indivíduos com diagnóstico de demência vascular.

Já o cancro prevalente foi associado a um risco reduzido de qualquer AD e AD pura em indivíduos brancos após o ajuste para a demografia, o número de alelos APOE 4, hipertensão, diabetes e doença cardíaca coronária.

Em comentário, David Bennet e Sue Leurgans, da Rush University (EUA), consideram que o estudo “tem muitos pontos fortes e as associações são dignas de exploração em outros coortes.

Além disso, dados recentes já identificaram processos moleculares que podem estar envolvidos no cancro e na neurodegeneração”.