Experiências profissionais de duas médicas de família

Revisado por Equipe Editorial a 19 outubro 2016

Experiências profissionais de duas médicas de família, uma a exercer num centro de saúde e outra numa unidade de saúde familiar.

Ana Dias Costa
Coordenadora da Unidade de Saúde Familiar Santa Clara, em Vila do Conde

Início de actividade do Centro de Desenvolvimento de Competências da USF-AN

Após a implementação do projecto “SUMA”, a USF-AN inicia a actividade do seu Centro de Desenvolvimento de Competências, com um programa de formação orientado para dar resposta a problemas/objectivos concretos. Definiram-se dois objectivos prioritários: melhorar o funcionamento interno das USF e melhorar a interface das USF com os utentes.

Para melhorar o funcionamento interno das USF, existem duas formações: uma orientada para responder aos problemas concretos com que se confrontam os coordenadores (“O Coordenador, a Gestão e o Funcionamento da USF”), e outra orientada para competências mais pessoais ao nível da auto e hetero liderança, que permitam a emergência de equipas com elevada capacidade de auto-regulação (“Grupos e Processos de Liderança”).

Para melhorar a interface das USF com os utentes, também existem duas formações: uma orientada para a organização das USF, em que a sua relação com os utentes é abordada no sentido do funcionamento e procedimentos das USF enquanto instituições (“As USF como Centros de Cuidados”), e outra mais específica para os profissionais que representam o primeiro contacto das USF com os utentes (“Os Secretários Clínicos na relação USF-Utentes”).

Todos os profissionais podem participar no programa de formação, de acordo com os seguintes critérios: ser profissional de uma USF, ser sócio da USF-AN, ter as quotas em dia e pagar uma taxa de frequência do curso (1€/hora para secretários clínicos, 2€/hora para enfermeiros e 3€/hora para médicos) – ver www.usf-an.net
Prevê-se a possibilidade de um número suficiente de módulos (que perfaçam 270 horas) que venha a ser acreditado com uma pós-graduação em Desenvolvimento Institucional das USF pela Universidade do Porto.

Anabela Bitoque
Médica do Centro de Saúde de Almada (Unidade de Saúde Rainha D. Leonor)

Flagrante Injustiça

A generalidade dos médicos de família portugueses utiliza o SAM desde a sua implementação e sempre utilizou normas de orientação clínica e circulares normativas da Direcção-Geral de Saúde. Sempre se assegurou o contacto telefónico directo aos respectivos utentes, se efectuaram consultas com hora marcada, se agendaram por iniciativa médica pelo menos um terço das consultas diárias programadas.

Sempre se trabalhou em equipa com a enfermagem nas consultas de saúde materna, planeamento familiar, saúde infantil, diabéticos e hipertensos, se efectuaram domicílios, se resolveram em tempo útil as situações agudas e se garantiu a inter-substituição de cuidados nas ausências médicas. Sempre colaborámos em actividades preventivas e de educação para a saúde, integrámos actividades formativas e de investigação em cuidados primários.

Porém, quem recusou candidatarse voluntariamente a uma USF, por não aceitar a imposição de condicionantes economicistas associada aos incentivos remuneratórios, sofre actualmente a flagrante injustiça dum tratamento diferente quanto às condições de trabalho, pois os milhares de utentes sem médico sobraram apenas para os médicos que não trabalham em USF, e à inexistência de quaisquer incentivos remuneratórios para quem cumpre os objectivos desta especialidade médica, com igual rigor e qualidade.