Febre Aftosa

Revisado por Reinaldo Rodrigues (Enfermeiro - Coren nº 491692) a 12 dezembro 2018

Muito se tem falado sobre a febre aftosa, nomeadamente na comunicação social, mas parece que pairam muitas dúvidas sobre esta questão entre os consumidores. Em poucas palavras: é necessário respeitar algumas medidas preventivas, para evitar que a doença se alastre. Apesar de ser transmissível ao Homem, trata-se de uma doença benigna. Assim, o principal problema é económico.

O que é a febre aftosa?

Trata-se de uma doença viral muito contagiosa, que afecta espécies animais, nomeadamente os bovinos, ovinos, caprinos e suínos. O facto de ser um vírus que sofre mutações prejudica a eficácia das vacinas. Trata-se, na verdade, de uma das doenças animais mais contagiosas, na origem de importantes perdas económicas.

Transmite-se ao Homem?

A febre aftosa é uma zoonose (doença infecciosa transmissível dos animais ao Homem e vice versa) de declaração obrigatória. É muito rara nos Homens e não há evidência quanto à transmissão entre Homens: aliás, nunca foi notificado nenhum caso no nosso país.

De facto, a probabilidade de contágio é muito remota, pois, além de uma exposição massiva ao agente viral, o que, em geral só acontece em certas profissões (veterinários, tratadores de animais, laboratório, etc.), é necessário que se reúnam outras condições, como, por exemplo, uma falta de cuidados básicos de higiene. De qualquer forma, a febre aftosa é uma doença benigna no Homem.

O período de incubação dura entre dois e quatro dias, podendo prolongar-se até uma semana. Os primeiros sintomas são febre, dores de cabeça (cefaleias), falta de apetite e taquicardia.

Desenvolve-se uma vesícula no local por onde o vírus penetrou, formando-se, na fase seguinte, outras vesículas ditas secundárias (tipo aftas) na boca, nas mãos e nos pés. No entanto, muitas vezes, esta infecção não desencadeia sintomas, passando despercebida. A doença passa ao fim de uma ou duas semanas, sem deixar sequelas.

Sintomas da febre aftosa – Como se manifesta nos animais?

Como dissemos, esta doença afecta sobretudo os bovinos, os ovinos, os caprinos e os suínos, mas também pode contagiar animais selvagens, tais como os veados, os búfalos, etc. Nos animais, o vírus penetra através do epitélio, a camada de células que reveste as mucosas, nomeadamente da boca e das vias respiratórias.

Uma vez no sangue, provoca febre durante um ou dois dias e começam a aparecer vesículas na boca, nos beiços, entre os dedos, nas mamas e, de uma forma geral, nas zonas onde a pele é mais fina. As vesículas rebentam dando lugar a aftas que se cobrem de pele. Os animais deixam de comer, perdem peso e não se seguram em pé.

O problema da febre aftosa é que as feridas ou aftas podem ser infectadas por bactérias, o que dificulta muito a cura e o restabelecimento dos animais. Se não estivesse na origem de infecções secundárias, a doença não causaria tantos danos. As mastites (inflamações das glândulas mamárias), o desprendimento das unhas, a miocardite (problema cardíaco), os abortos, etc., trazem complicações e comprometem a sobrevivência dos animais.

Por que causa tanto alarmismo?

Esta doença tem causado muitos alarmismos sanitários por ser muito contagiosa. A razão para o abate tem a ver com a prevenção da transmissão a outros animais. Os animais infectados transmitem o vírus através da saliva (e quando estão doentes, salivam mais), a principal fonte de contaminação do ambiente onde se inserem.

O vírus multiplica-se igualmente no sémen dos machos infectados e nas glândulas mamárias, podendo contaminar o leite. Quando as vesículas rebentam, libertam, igualmente, o vírus. Assim, tudo o que entra em contacto com o animal doente fica contaminado.

Além disso, o vírus é muito resistente, podendo manter-se activo durante 21 semanas no solo, mais de 100 dias numas botas de borracha, 14 semanas na água, 1 dia no leite cru, até dois anos no leite em pó, até quase 200 dias na carne congelada e dois meses na roupa de algodão.

É, por isso, que o contágio dos tratadores de animais é muito fácil. A carne ou o leite dos animais, e os pássaros, os insectos ou, até, mesmo o vento, podem transportar o vírus de um local para outro. Daí as medidas de precaução que visam, precisamente, evitar que a doença se alastre, não por se tratar de uma doença perigosa para o Homem, mas antes por representar grandes perdas económicas.

O consumidor pode ficar descansado?

Sim, o consumidor pode consumir todo o tipo de alimentos sem qualquer preocupação. Mesmo que a carne seja proveniente de animais doentes, não há qualquer risco de contágio. Quanto ao leite, é importante só beber leite pasteurizado. Na verdade, a pasteurização a que é submetido destrói o vírus.

Prevenção – O que fazer?

Não há nada que se possa fazer, a não ser seguir algumas medidas preventivas se viajar para países onde a doença exista (por exemplo, não visite quintas com animais). No regresso, evite trazer produtos de origem animal, como queijos, carne e enchidos e desinfecte os sapatos e os pneus do carro.

Perante casos destes, o Ministério da Agricultura proíbe a entrada de animais vivos das espécies afectadas, tal como aconteceu recentemente em relação ao Reino Unido e a algumas regiões da Holanda, da República da Irlanda e de França.

Em síntese: é preciso impedir que esta doença se alastre, não por ser perigosa para o Homem, mas por representar grandes prejuízos económicos.