Feira de São Mateus

Revisado por Equipe Editorial a 13 janeiro 2018

Feira de São Mateus

Entre 14 de Agosto a 21 de Setembro vale ir a Viseu para conhecer uma das feiras portuguesas mais importantes. Reza a história que a criação da Feira Franca de Viseu, actualmente conhecida por Feira de São Mateus, se deve ao facto de ter sido aqui que nasceu D. Duarte, filho de D. João I. Por essa razão o rei quis homenagear Viseu por ter sido a terra que viu nascer o seu filho varão e seu sucessor.

A Feira Franca, nascida na Viseu Medieval, foi crescendo com surpreendente adaptação ao longo dos tempos, sendo, nos nossos dias, uma das mais importantes feiras a nível nacional. Espaço de troca de produtos variados, o período de duração da feira é também uma altura de muita animação, música, folclore, arte, diversão e gastronomia. As barracas de queijo da serra, de presuntos e vinhos do Dão fazem as delícias do paladar.
Numa área de 18.000m2, mais de 400 expositores e feirantes, vindos de todo o país e do estrangeiro, cativam todos os anos mais de uma milhão de visitantes.

A Feira Franca de Viseu não teve somente tempos áureos, mas também períodos de declínio, tendo corrido o risco de ser extinta.

Os séculos XV, XVI e XVII, foram períodos áureos e de fama para a Feira Franca de Viseu. No século XIX, com o desenvolvimento dos meios de comunicação e transporte, bem como com a vulgarização do telégrafo, foi inevitável a decadência das feiras em geral. São Mateus não fugiu à regra e por volta de 1916, a Feira Franca de Viseu quase que se extinguiu.

Em finais da década de vinte a Feira Franca de São Mateus volta a aparecer, agora, completamente rejuvenescida, passando a integrar nos seus programas festivos algumas das manifestações que enriqueceram as festas de Santo António, também denominadas como “Festas da Cidade”, o que trouxe milhares de forasteiros para a urbe.

A transferência de algumas das referidas manifestações para os programas da feira, conferiu-lhe um cunho próprio. Em 1936, dá-se o primeiro impulso rejuvenescedor, modificando-se a disposição dos abarracamentos e pavilhões e também a ornamentação e iluminação, que nunca mais deixaram de se valorizar.

A par destas modificações introduziram-se no âmbito da feira de São Mateus outras manifestações que marcaram também a sua valorização. Associaram-se manifestações artísticas, culturais, desportivas e recreativas, bem como actividades dedicadas às crianças. Fogos de artifício, bailes, apresentações de tunas académicas, revista à portuguesa, festivais aéreos, desportos radicais, hipismo, são apenas algumas das actividades que compõem o vasto Programa da Feira de São Mateus.

As festividades terminam com uma procissão em honra do santo padroeiro, São Mateus.

Como chegar

Viseu fica a cerca de 100 km de Coimbra e de Lamego e a 80 km de Aveiro. Bem localizada geograficamente, beneficiou ao longo da última década da construção de estradas. Por isso uma das opções para alcançar Viseu é a utilização do IP5, com tolerância zero, que liga Aveiro a Vilar Formoso. Outra alternativa é utilizar o IP3 que faz a ligação da auto-estrada do Norte aos arredores da cidade.

Visitas

Viseu é uma cidade onde vale a pena andar a pé. Assim descobre-se mais facilmente e aprecia-se melhor as construções medievais, os edifícios do século XVIII e um importante conjunto de janelas manuelinas e solares setecentistas. Percorra-se o centro histórico, visite-se o bairro judeu e descanse-se num jardim frondoso.

Não perca um passeio até à Cava de Viriato, onde se ergue altivo o chefe dos lusitanos e, perto, um templo do século XVIII dedicado a Nossa Senhora da Conceição da Ribeira. É desta capela que sai a procissão em honra de São Mateus, com imagem do santo, no último dia da feira. No centro histórico da cidade conheça a Sé, localizada num grande largo de granito. O templo, com decoração sumptuosa, representa diversos estilos, entre os sécs. XVI e XVIII e a sua arquitectura é o resultado de um conjunto de sucessivas intervenções arquitectónicas que se terão iniciado no tempo do conde D. Henrique.

Não saia sem visitar o Tesouro da Sé e o claustro, com pórtico românico-gótico do século XIII. No edifício anexo localiza-se o Museu Grão Vasco, com importante acervo de arte sacra e de pintura seiscentista. Em frente a Igreja da Misericórdia, datada de 1775.

Deixe passar o tempo no Rossio, aproveite as sombras das tílias e tome um café nas esplanadas da praça.

Do Parque Aquilino Ribeiro, com frondosas árvores, avista-se a Igreja dos Terceiros de São Francisco, com frontaria barroca.

Passeie-se na rua Direita, reservada aos piões e a principal zona de comércio da cidade. Deslumbre-se com os solares de fachada barroca e descubra a rua de Augusto Hilário, nome de um importante fadista e percorra o bairro judeu. Ao longo do passeio vai-se deslumbrar com inúmeros solares, cujas fachadas se revelam verdadeiros tesouros da arte de trabalhar o granito, janelas manuelinas, fachadas barrocas, muralhas medievais e jardins bem preservados.

Onde dormir

Dado o grande crescimento que a cidade de Viseu assistiu nos últimos anos, devido sobretudo à criação de indústria, à ampliação do comércio mas também ao aumento da população, com a criação da universidade, deu-se também um forte aumento na oferta hoteleira.
O número de hotéis na cidade é grande e variado e a par das unidades mais antigas abriram hotéis de cadeia, turismos de habitação e espaços rurais.

Hotel Grão Vasco
R. Gaspar Barreiros, Viseu
Tel. 232 423 511
Fax: 232 426 444
Preço: de 14.000$00 a 16.000$00

Hotel Príncipe Perfeito
Bairro da Misericórdia, Cabanães,
São João de Lourosam, Viseu
Tel. 232 469200
Fax: 232 469210
Preço: 15.000$00

Quinta de baixo
Quinta de Baixo, Viseu
Tel. 232 421035
Fax: 232 421739
Preços: de 13.000$00 a 25.000$00

À mesa

Viseu, tal como a boa tradição beirã, oferece mesa farta, baseada em métodos e produtos tradicionais. No entanto, como em quase todas as zonas do interior, o peixe é pouco variado. Resta o bacalhau e a truta. Mais ampla é a oferta de carne, elaborada de muitas formes. Destaque merece o cabrito, assado no forno, com batata e arroz do dito.

O Cortiço
Rua Augusto Hilário 45
3500-089 Viseu
Tel. 232 423853
Encerra domingo à noite
PROVE: Bacalhau podre apodrecido na adega, polvo frito tenrinho como manteiga, feijocas com todos, coelho bêbado, rojões com morcela, vitela assada no forno e vitelinha na púcara.

Casablanca
Avenida Emídio Navarro 70
3500-124 Viseu
Tel. 232 422239
Aberto todos os dias
PROVE: Lampreia, bacalhau e polvo à lagareiro, arroz de polvo com gambas, açorda de marisco, nacos de vitela grelhados à mordomo, cabritinho no churrasco e arroz de pato com passas e pinhões.

Clube de Caçadores
Muna Lordosa
3510 Viseu
Tel. 232 450401
Encerra à quarta-feira
PROVE: Morcela da Beira, presunto de Lamego, redanho, perdiz de cebolada com míscaros e com couve lombarda, javali na púcara de barro, javali na brasa e pato bravo com arroz de pinhões e passas.

Muralha da Sé
Adro da Sé
3500-069 Viseu
Tel. 232 437777
Encerra domingo ao jantar e segunda-feira
PROVE: Lampreia, bacalhau à Zé do Pipo, cação de coentrada, polvo à lagareiro, arroz de pato à antiga, vitelinha assada à Lafões, grelhada mista com arroz de feijão e costelas de borrego.

Compras

Em Viseu e seus arredores surpreendentemente há uma grande variedade de artesanato local. A arte de moldar o ferro, o barro e as tecelagens subsistem nas sua mais diversas manifestações.

As mantas de trapos, os bordados em linho, o ferro forjado, com objectos utilitários e decorativos e os barros pretos de Moledos são algumas das opções de compra.

Para adoçar a boca, não se esqueça de provar os pastéis de feijão, as cavacas ou as castanhas de ovos. O vinho de Dão, muito apreciado a melhorar permanentemente é outra das opções de compras.