Ferida na vagina: o que pode ser e o que fazer

Revisado por Drª Camille Rocha Risegato. Publicado em 3 de abril de 2019

O uso de absorventes, depilação, falta de cuidado ao realizar a higiene, atrito durante as relações sexuais, uso de bicicletas com um selim inadequado ou alergia a alguns tecidos, pode causar lesões na região genital da mulher. No entanto, o aparecimento de uma ferida na vagina pode ser também sinal de uma doença. Candidíase, algumas doenças sexualmente transmissíveis (Ex: herpes genital, gonorreia, clamídia, sífilis, cancróide ou verrugas genitais), doenças auto-imunes e câncer também podem provocar lesões na região íntima feminina.

As feridas causadas por doenças podem estar localizadas no interior da vagina ou alcançar o períneo, grandes lábios e vulva. Podem ocorrer em forma de crostas, bolhas, úlceras, e apresentarem sangramento, coceira e/ou corrimento. A presença de um caroço pode ser indicativo de uma infecção por HPV. Por tal razão, sempre que ocorram feridas na vagina acompanhadas de coceira, dores, secreções ou sangramento, é importante a mulher procurar um ginecologista para investigar a causa e, se necessário, realizar o tratamento adequado. Conheça as causas e o que fazer em caso de aparecer um caroço na vagina.

O Que Pode Ser A Ferida Na Vagina

Quais são as causas

A seguir descrevemos as principais causas de feridas na vagina:

1) Choques físicos (pancadas, atritos) e machucados

Realizar a depilação sem o devido cuidado pode machucar a vagina de diversas formas: corte com lâmina, queimadura por cera quente, queimadura por laser, entre outras. É necessário ter um cuidado especial com a região, que é bem sensível.

O uso de calcinhas, calças apertadas e absorventes íntimos, também pode ser motivo de escoriações, é importante a mulher estar atenta e notar se anda a sentir desconforto com as roupas ou absorventes.

A falta de lubrificação leva à ocorrência de atrito em excesso nas relações sexuais, o que também causa feridas na vagina.

Mulheres que pedalam ou andam a cavalo também podem se machucar na região genital se o assento não for adequado.

O que fazer: O que se deve fazer nesses casos é ter um maior cuidado ao fazer a depilação, optar por roupas mais confortáveis, absorventes de melhor qualidade, se necessário usar um lubrificante próprio para o contato íntimo, e caso a mulher use bicicleta, procurar um selim que não machuque. A fim de contribuir para a cicatrização e proteger de infecções, o médico poderá indicar uma pomada.

2) Candidíase

A coceira característica da candidíase pode levar à formação de lesões no órgão. Outros sintomas da candidíase além da coceira, são: corrimento branco (tipo leite coalhado, com ou sem mau cheiro) e dor ou ardor ao urinar. Como é uma doença causada por fungos, o tratamento geralmente é realizado com antifúngicos orais ou tópicos, como pomadas de Clotrimazol ou Miconazol, que devem ser receitadas/indicadas pelo ginecologista. Conheça a origem de coceira na vagina e o que fazer para aliviar.

3) Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs)

Veja a seguir alguns exemplos de DSTs que provocam feridas na vagina:

Sífilis: doença causada pela bactéria Treponema pallidum e cujos sinais e sintomas variam dependendo do estágio que se encontra (primário, secundário, latente ou terciário). A fase primária é caracterizada pela presença de uma úlcera nos genitais sem dor nem coceira, chamada “cancro”, e pode haver a presença de múltiplas feridas.

Na sífilis secundária, aparecem erupções nas palmas das mãos, nas solas dos pés e feridas também na boca ou na vagina. Na sífilis latente, que pode durar anos, existem poucos ou nenhum sintoma. O estágio mais avançado, a sífilis terciária, ocorre anos após o contágio. Nesta fase aparecem gomas sifilíticas (tumores não cancerosos) e podem ocorrer problemas neurológicos ou cardíacos. Conheça mais sobre esta infecção.

Herpes Genital: causada por um vírus, a herpes genital é caracterizada pelo aparecimento de bolhas que causam ardência e coceira. Outros sintomas incluem mal-estar, dores musculares, dor de cabeça, febre, ardor ao urinar e corrimento.

Linfogranuloma venéreo: infecção bacteriana que provoca o surgimento de feridas cheias de líquido (pus e sangue) e pode ser acompanhada de ínguas (caroços na virilha). Além das feridas costuma originar mal-estar, febre, alterações no apetite e dores no corpo e na cabeça.

Cancroide ou cancro mole: outra doença causada por uma bactéria, a Haemophilus ducrey, na qual ocorrem várias lesões dolorosas com pus e sangue – geralmente 3 a 5 dias após o contágio.

Granuloma Inguinal ou Donovanose: é provocado pela bactéria Calymmatobacterium granulomatis. Nela aparecem granulomas subcutâneos indolores, que aumentam de tamanho e necrosam, levando a úlceras indolores, que podem sangrar. Pode afetar um ou mais gânglios linfáticos inguinais. O não tratamento pode causar deformidades na vagina.

HPV: sigla em inglẽs para Papiloma Vírus Humano, este vírus pode dar origem a verrugas ou lesões percursoras de câncer, como o câncer de colo de útero. Apesar dos sinais geralmente ocorrerem entre os 2 e os 8 meses após o contágio, o vírus pode ficar encubado (presente, mas sem se manifestar, durante até 20 anos). Por causa do grande risco à saúde e por nem sempre aparecerem logo os sintomas, é importante que toda mulher realize exames periodicos para verificar se não há infecção por HPV. Também há a possibilidade de realizar a vacinação contra o vírus, sendo que para as meninas entre os 9 e 14 anos a vacina é gratuita pelo SUS. Em meninas com mais de 15 anos a vacinação deve ser feita em clínicas particulares.

Além da necessidade de consultar regularmentte com o ginecologista e realizar exames, o uso de preservativos é fundamental para evitar as DSTs. Caso seja identificada alguma dessas doenças, o médico indicará o melhor tratamento a ser realizado. Nesta fase é necessário muito cuidado com as relações sexuais, as quais deverão ser evitadas ou realizadas sempre com preservativo, dependendo do caso. O parceiro deve ser informado no caso de alguma DST, para que também realize tratamento.

4) Doenças autoimunes

As doenças auto-imunes são caracterizadas por provocar o surgimento de diversas inflamações no corpo, que podem ocorrer inclusive nos genitais. Além de feridas na vagina, também podem ocorrer sintomas como fraqueza, problemas de circulação, febre, distúrbios digestivos ou renais, sempre que há uma disfunção autoimune.

Alguns exemplos de enfermidades que podem causar lesões na vagina são: dermatose bolhosa (ou dermatite por IgA linear), dermatite herpetiforme de Duhring-Brocq, Doença de Crohn, Doença de Behçet, Doença de Reiter, penfigoides, líquen plano, entre outras. Essas patologias, apesar de raras, podem ocorrer em mulheres de qualquer idade e envolver diversos órgãos, sendo perigosas à saúde em geral.

O tratamento costuma ser feito com o uso de imunossupressores e corticóides. Em alguns casos, como a dermatite herpetiforme, também são recomendadas mudanças na dieta.

5) Câncer

O vírus HPV, mencionado anteriormente, causa feridas em forma de “carocinhos” que podem vir a se tornar câncer. Isso ocorre porque esses vírus produzem proteínas que alteram a forma como o gene supressor de tumores funciona. Dessa forma, as células cancerígenas têm mais facilidade em surgir e se multiplicar. Por isso é importante tomar medidas de prevenção do contágio e buscar atendimento médico em caso de suspeita de HPV. O câncer na vagina por outras causas é mais raro, porém o risco aumenta se a mulher: tem mais de 60 anos, fuma, teve diagnóstico de neoplasia vaginal intraepitelial, tem histórico familiar ou tem infecção HIV. Veja quais são os sintomas e como tratar o câncer de Vagina.

Para verificar se a ferida na vagina é um câncer, geralmente é feita uma biópsia no consultório ginecológico. Caso a análise laboratorial confirme o diagnóstico, o tratamento deve ser iniciado imediatamente. Dependendo do estágio em que se encontra o câncer, poderá ser realizada a retirada dos tecidos afetados, radioterapia ou quimioterapia.

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Referências
Autores
Drª Camille Rocha Risegato

Ginecologista e Obstetra - CRM SP-119093

Dra Camille Vitoria Rocha Risegato - CRM SP nº 119093 é formada há 14 anos pela Fundação Técnico Educacional Souza Marques, Rio de Janeiro.

> Consultar CRM (Fonte: https://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_medicos&Itemid=59)

Dra Camille mudou-se para São Paulo onde realizou e concluiu residência médica em Ginecologia e Obstetrícia (RQE nº 25978) no Centro de Referência de Saúde da Mulher no Hospital Pérola Byington em 2007.

Em 2008 se especializou em Patologia do Trato Genital Inferior nesse mesmo serviço. Ainda fez curso de ultrassonografia em ginecologia e obstetrícia na Escola Cetrus.

Trabalha em setor público e privado, atendendo atualmente em seu consultório médico particular situado na Avenida Leoncio de Magalhães 1192, no bairro do jardim São Paulo, zona norte de São Paulo.

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