Grã Bretanha

Revisado por Equipe Editorial a 13 janeiro 2018

Grã Bretanha – Novos trilhos a descobrir em terras de sua Majestade – Existe uma intrincada rede de percursos na Grã-Bretanha onde os engarrafamentos são desconhecidos, a paisagem espectacular e os seus companheiros de viagem são mais provavelmente pássaros e borboletas do que seres humanos. São os “caminhos” e foram traçados e aperfeiçoados ao longo de centenas de anos com o fim – simplesmente – de andar a pé. Estes caminhos, e os mais longos National Trails (os trilhos nacionais), oferecem belas oportunidades para umas horas de excursão, para um passeio ameno, ou para o exercício mais enérgico dos verdadeiros caminhantes.

Vão abrir, este ano e durante o próximo, vários novos National Trails, nalgumas das mais belas regiões do país. Um deles segue os vestígios da mais setentrional das fortificações do Império Romano; outro, foi baptizado com o nome do último dos príncipes galeses, Owain Glyndwr; e um terceiro corta através do coração das Terras Altas da Escócia. O Turismo Britânico produziu um mapa ilustrado gratuito, “Walking Britain”, que descreve os 40 melhores roteiros – uma boa ajuda para quem gosta de passear sentado…

A partir de Março, o novo Great Glen Way na Escócia irá ligar os dois centros das Terras Altas, Fort William e Inverness. É uma rota espectacular, com vistas soberbas de montanhas e lagos. Começa no sopé de Ben Nevis, a montanha mais alta da Grã-Bretanha, e contorna as margens de vários lagos, sendo a secção mais longa a que se estende ao longo de Loch Ness, o esconderijo do lendário monstro aquático chamado “Nessie”.

O Great Glen segue uma das maiores falhas geológicas da terra, criada há 380 milhões de anos e, na realidade, liga o Oceano Atlântico ao Mar do Norte. Uma grande parte do percurso segue as pistas que ladeiam os canais e rios e é bastante plano, mas há também algumas escaladas em trilhos de montanha. Atravessa paisagens de beira-rio, de matas e charnecas – com a sua vida selvagem característica, como as calhandras, alfaneques e falcões. Pode ter até a sorte de avistar uma águia marinha. É também aqui que vive a lebre montanhesa, cuja pelagem vira branca no Inverno!

Uma das passagens é pelo Castelo de Urquhart que localiza-se em um promontório no Lago Ness, próximo a Drumnadrochit, na Escócia.

Há acampamentos comercialmente explorados e Pousadas de Juventude ao longo do caminho. Se desejar alojamento tipo “Bed & Breakfast” basta consultar os centros de informação turística da região. A partir do início de Maio, Glyndwr’s Way vai proporcionar um itinerário espectacular ao longo da Gales Central. Tem início em Knighton, uma cidade na fronteira entre a Inglaterra e Gales, que é também a meio-caminho de um outro percurso, Offa’s Dyke Path.

O seu nome evoca Owain Glyndwr, cujas campanhas contra os ingleses fizeram dele Príncipe de Gales em 1400 e, desde então, uma figura de romance simbólica do patriotismo galês. Estabeleceu o seu parlamento em Machynleth e Parliament House, que se diz ocupar o mesmo local exacto, tem uma exposição sobre esta personagem.

O trilho percorre um cenário selvagem de campos, charnecas, matas e gargantas de rios, e uma crista de montanha que oferece uma magnífica paisagem, antes de terminar na cidade de Welshpool. Tem 213 quilómetros de extensão e dispõe de alojamento à beira-estrada, ou com um pequeno desvio. Alguns destes estabelecimentos oferecem serviço de transporte da bagagem para a etapa seguinte ou recolha dos caminhantes em pontos combinados.

Para quem tem um gosto mais citadino, andar a pé é também o modo ideal de ver as atracções de Londres. O Diana Princess of Wales Memorial Walk, inaugurado em 2001, segue um percurso de cerca de 11 quilómetros através dos Parques Reais da capital. Verá Kensington Palace, Buckingham Palace, St. James’s Palace e outros locais frequentados por Diana. E olhando o futuro, pode-se já anunciar que na Primavera o Hadrian’s Wall Path vai passar a permitir o passeio ao longo de toda esta fronteira do Império Romano (e evitar aos caminhantes percorrerem 30 quilómetros de estradas movimentadas).

Erigida por ordem do Imperador Adriano em AD122, para servir de barreira contra as invasões dos bárbaros, a Muralha de Adriano foi construída em pedra ao longo de 80 milhas romanas, ou seja, 117 quilómetros, atravessando o norte da Inglaterra. Há ainda muitos segmentos conservados, bem como ruínas de fortes e uma grande quantidade de vestígios arqueológicos.

Este itinerário foi bem descrito por um viajante que já teve a oportunidade de percorrer uma boa parte do novo trilho: “Começa-se em Newcastle, que foi outrora o coração da grande indústria naval, com as suas espectaculares pontes sobre o Tyne. A poucos quilómetros de distância já se está em plena paisagem campestre; trepamos a montes escalvados que nos oferecem vistas magníficas sobre a paisagem longínqua de Northumberland, sabendo que estamos a seguir os passos de 2000 anos de história. E, no final, espera-nos o silêncio desolado do estuário de Solway, onde apenas se ouve o grito das aves marinhas – é magnífico e impressionante.

Outros National Trails que poderá percorrer: The Thames Path que acompanha o curso do rio Tamisa desde a nascente, no magnífico cenário das Cotswolds, até ao coração de Londres.

Fácil de integrar em passeios de um dia e com a atracção de “pubs” e casas de chá muito perto. 294 quilómetros.

The South West Coast Path é o percurso mais longo, com 1.014 quilómetros, subindo e descendo colinas, contornando enseadas e visitando aldeias de pescadores. Abrange Land’s End, o “fim da Inglaterra”, que é a meta de muitos andarilhos.

Pembrokeshire Coast Path, na Gales do Sul, tem um cenário espectacular de promontórios, pássaros selvagens e acolhedoras cidades portuárias. A mais pequena catedral da Grã-Bretanha, St. David, pode ser visitada nesta zona. 300 quilómetros.