Gravidez e alimentação equilibrada

Alimentação equilibrada durante a gravidez.

Manter uma alimentação equilibrada é a chave para aumentar de peso adequadamente. E, se em condições normais as pessoas se devem preocupar por levar uma alimentação sã, quando surge uma gravidez, os motivos que se aconselham ainda são mais importantes. A alimentação calórica não deve ser excessiva, mas também não pode ser inferior ao gasto de energia que por direito deverá conceber. Se a mãe se encontra em alguma situação especial que a aconselhe a necessidades de nutrição, pode variar. No entanto qualquer orientação alimentar, deverá ser sempre consultada previamente com o médico. Sugerimos alguns conselhos:

Pão, cereais
Não devem faltar na alimentação diária. O melhor pão é integral e não o pão normal. Não convém abusar dos cereais industriais, porque são compostos de açúcar e chocolate.

Produtos Lácteos
Recomenda-se o leite puro em vez do desnatado, porque é mais completo. Não se deve beber leite sem ser fervido ou pasteurizado. O queijo, iogurtes e outros derivados também se devem consumir. Os queijos curados têm uma maior quantidade de gordura, por isso será melhor comer queijos frescos, como o de Burgos ou o Flamengo.

Carnes
Os enchidos caseiros e as carnes cruas ou semi-cruas, não se devem ingerir porque existe o perigo de contrair toxoplasmose. A charcutaria que compramos deve ter o certificado de sanidade. É certo que o borrego tem mais gordura que o coelho ou as aves. Os fumados, como o toucinho, nunca são aconselhados, pelo seu alto conteúdo de gorduras saturadas.

Peixe
Tanto o peixe branco como o azul são permitidos e recomenda-se o seu consumo. Cuidado com os moluscos que podem originar intoxicações. Os arenques, anchovas e demais peixes fumados, devem ser evitados, pela quantidade de sal que apresentam.

Azeite, manteigas e gorduras
O azeite de oliveira é saudável e deve-se consumir. As manteigas e o alimentos condimentados devem ser evitados, porque também transportam demasiadas gorduras saturadas que são desnecessárias.

Ovos
Podem ser consumidos duas ou três vezes por semana, mas também é bom não exagerar. Os ovos crus estão sujeitos a alterações (perigo de salmonela). O mesmo acontece com a maionese e outros derivados que levam ovos crus.

Verduras e legumes
Todos são recomendados. É necessário serem bem lavados e pouco cozidos para que não percam vitaminas, quando a sua cozedura é prolongada. Por esse mesmo motivo, a água de cozer as verduras pode ser aproveitada para caldos e sopas, pois nela se encontram depositadas uma parte dessas vitaminas. As couves, o grão, o feijão, e as lentilhas, podem causar mais flatulência que as favas, o feijão verde ou outra verdura, portanto pode-se alternar o seu consumo. Os legumes estufados são mais saudáveis do que os cozinhados com carnes gordas.

Frutas
Também são todas recomendadas, especialmente as da época. Os sumos industriais têm um valor alimentar inferior aos sumos naturais. Estes últimos devem beber-se de imediato, pois em pouco tempo a vitaminas que contêm perdem-se efectivamente. A fruta tem que ser bem lavada, mesmo que seja para descascar, (o pó contido na pele passa para a fruta, através das mãos, ao ser descascada).

Doces
Do açúcar e dos doces não se deve abusar. Mas se vai comer algum, este que seja caseiro. As compotas de fruta confeccionadas em casa, são uma sobremesa ou um lanche saudável que pode perfeitamente substituir os doces. Pense nisto, o organismo necessita de açúcar, por isso, não deverá ser completamente excluído.

Bebidas
O álcool é melhor nem provar, porque pode causar alterações no feto. A melhor bebida é a água. Recomenda-se entre um litro ou litro e meio de Inverno e cerca de dois litros e meio de Verão. O chá, o café e a coca-cola, são bebidas excitantes e pouco aconselháveis.

Não devemos de comer por dois, mas sim para dois!

A alimentação é um aspecto chave na gravidez; não devemos descuidá-la. De uma boa nutrição depende o bem-estar quer da futura mamã como do seu bebé. Os erros podem evitar-se dispondo de uma boa informação, tão necessária para que se tirem as dúvidas.

Veja aqui as opiniões da Drª Irene Bréton, do serviço de Endocrinologia do Hospital Gregorio Marañon, de Madrid, e do ginecologista Claudio Bercero de Bengoa .

Qual o aumento de peso normal durante a gravidez?
De oito a dez quilos é o aumento de peso que se considera adequado durante a gestação. Começa-se a ganhar a partir do segundo trimestre. No entanto, os médicos dizem que generalizar é um erro. Por exemplo, no caso das mulheres muito magras, não consiste num problema o engordar uns quilitos mais. Pelo contrário, no caso das mulheres que já tenham um pouco de peso excedente têm de vigiar este aumento procurando que seja mínimo.

Porque é que pode ser prejudicial passar-se do peso ideal?
O peso excessivo associa-se ao risco de complicações no parto: os efeitos negativos repercutem-se na mãe. Também incrementa o risco de hipertensão. Por isso a recuperação do peso que a mulher tinha antes da gravidez torna-se muito mais lenta e difícil.

Se os quilos eram excessivos antes da gravidez, será o momento de fazer uma dieta?
Não. Durante a gravidez não se deve iniciar nenhum regime, e muito menos sem a aprovação do médico. Nestes casos o ginecologista vigiará durante toda a gravidez para que a abundância dos quilos seja a menor possível, mas sem estabelecer dietas de emagrecimento, de modo que esteja assegurada e coberta a necessária dose de proteínas, calorias, minerais e vitaminas imprescindíveis para o bom desenvolvimento do feto.

Que mulheres tendem a engordar mais?
Na maioria dos casos aquelas com antecedentes de obesidade na família, as que levam uma vida sedentária sem o mínimo exercício saudável e as que seguem uma dieta mal equilibrada.

Tem de se reduzir o consumo do sal ?
Nem sempre. É o ginecologista quem deve prescrever esta medida. Por exemplo, às mulheres com risco de hipertensão , tem de reduzir o sal ao mínimo.

Porque é que se aconselha o sal iodado?
Estudos científicos demonstraram que o consumo de sal iodado previne a aparição dos transtornos da tiróide.
A deficiência do iodo afecta de forma negativa o desenvolvimento fetal e tem de evitar-se

Devem evitar-se os doces?
Não significa que estejam proibidos, mas temos de pensar que os doces comportam muitas calorias e poucos nutrientes. O sensato é moderar o seu consumo e optar por alimentos mais ricos em vitaminas e proteínas. Sempre são preferíveis os doces caseiros para controlar a quantidade de açúcar e a qualidade das gorduras empregues. Não se deve exceder nas gorduras nem no nível de colesterol.

Deve-se moderar o consumo de líquidos?
Esta é uma afirmação que pode induzir a erros. É o médico quem estabelece a medida recomendada. Normalmente considera-se saudável beber entre 1, a 2 litros por dia (contando com o líquido contido nos alimentos). Mas, por exemplo, no caso de uma mulher com pedras nos rins é possível de que necessite de uma quantidade maior. É necessário consultar sempre o ginecologista.

Que quantidade diária de lácteos é necessária?
Pode concluir-se que é necessário beber 2 copos de leite e um iogurte diariamente para que a quantidade necessária de produtos lácteos seja suficiente. Podem consumir-se produtos desnatados.

É necessário um suplemento de cálcio
Geralmente não é preciso, sempre que se ingiram os produtos lácteos devidos. Mas é o médico quem decide, porque cada caso é diferente.

Quando é necessário tomar vitaminas da farmácia?
Com frequência, o médico receita uma preparação farmacológica de ferro e ácido fólico, mas nem sempre é considerado imprescindível. Devemos ter atenção, pois só o médico está preparado para prescrever este tipo de suplementos. Nunca se deve tomar nenhum medicamento, ainda que se possa comprar sem receita médica, sem prescrição médica.

Que alimentos devem evitar-se?
As carnes cruas ou pouco cozinhadas devem excluir-se por risco de contágio de toxoplasmose. Também o consumo de fígado está relacionado com o aparecimento de alterações genéticas no feto, deverá evitar-se como medida preventiva. Os refogados apurados, com picantes e especiarias, dificultam a digestão.

Pode comer-se presunto?
Como medida preventiva e para evitar a toxoplasmose, convém evitá-lo. O mesmo acontece com os enchidos.

Pode fazer mal uma chávena de café ou chá por dia?
Devemos controlar o consumo de excitantes, mas com uma quantidade pequena por dia não faz mal.

De vez em quando, prejudica um copo de vinho ou um digestivo?
Neste caso devemos ser radicais: o sensato é não provar álcool. Não se sabe qual é a dose mínima que afecta seriamente o desenvolvimento do feto, assim o melhor é evitar o seu consumo por completo.

É normal vomitar nos primeiros meses de gravidez?
É frequente. Esta má disposição pode desaparecer quase sempre se se seguirem os bons hábitos de alimentação que se explicaram aquando as questões anteriores. No entanto, é necessário consultar o seu médico.

Quais são os maiores erros no que diz respeito à alimentação?
O equívoco de «comer por dois» todavia existe.
Não se aconselhar com o médico, seguir critérios próprios quanto à alimentação é um erro que não deve cometer. Também é perigoso comer menos do que o necessário por razões estéticas. Quando um filho está a caminho devemos alimentar-nos convenientemente.

Quando não se tinham bons hábitos alimentares antes da gravidez, convém mudar a alimentação. Tem de ser rica, variada e equilibrada. O ideal é comer cinco ou seis vezes por dia sem exagerar. Na dieta têm de estar presentes produtos lácteos, ovos, carnes, peixe, gorduras, pão, azeite, cereais, legumes, massas, batatas, verduras e frutas. As especiarias e os picantes não são recomendados porque podem provocar digestões pesadas. Devemos mastigar bem e sem pressas.

Os hábitos na alimentação influem na saúde da mamã e do bebé.