Gravidez e o Excesso de Conselhos

Revisado por Equipe Editorial a 13 janeiro 2018

Todo o mundo a afoga com os seus conselhos – «Umas horas antes de que o médico me confirmasse a notícia da minha primeira gravidez, a minha mãe já estava a dar-me o primeiro conselho: “ Não te exponhas aos empurrões do autocarro, vai à consulta de taxi”. Pouco tempo depois, uma avalanche de conselhos e opiniões caíram-me em cima. Assim, soube que a gravidez é a mais pública das condições pessoais de uma mulher», diz-nos S. M.

Entontecida por excesso de informação
Todo o mundo tem opiniões claras acerca da gravidez alheia. Não importa quem seja – uma amiga, o porteiro, a tia – dará o seu conselho à grávida sobe o peso que deve ganhar, a necessidade de beber leite, as vantagens e desvantagens da anestesia epidural, as maravilhas do parto na água, os inconvenientes de viajar de avião e o último tratamento anti estrias inventado pelos chineses.

Mas, no entanto é pior se, por exemplo, numa reunião de amigas surge o tema – em virtude do estado – «mal-estar da gravidez». Com total desenvoltura tópicos tão interessantes como as hemorróidas, varizes, insónias, náuseas, cistites, são logo desenvolvidos. Se a grávida for uma pessoa sugestionável sai logo dali directa para as urgências.

E a sugestão não é, precisamente, um problema pouco frequente na gestação. Assim o afirma o ginecologista Santiago Lippold: «Pelo simples facto de estar muito concentrada no seu corpo, e nas mudanças que nele se vão produzindo, a grávida é em geral, muito influenciável. Ainda que se sinta bem, está muito atenta ao que se passa com ela. Quer saber, pede conselhos, faz comparações. Mas habitualmente recebe informações gerais e advertência contraditórias que terminam confundindo-a».

Uma atitude boa seria não se adiantar aos acontecimentos (não pensar o que fazer perante uma ameaça de aborto, se não existe nenhuma ameaça de aborto, por exemplo) e não ter medo de consultar o seu médico perante qualquer dúvida. Uma simples chamada pode tranquilizar mais que ouvir a versão da mãe, da tia e da amiga.

As opiniões negativas fomentam os medos
Deve estar muito atenta aos conselhos e opiniões que vão actuando de forma lenta (ou brutalmente, como quando se diz «o parto é um terror») e acabam por contaminar até o modo de viver a gravidez. «Eu era bastante ignorante quanto aos diversos contratempos que podem aparecer durante nove meses, mas a minha inocência infundia-me um grande optimismo, escreve-nos uma leitora. Claro que à força de ouvir vaticínios do tipo “Nunca mais te passarão as náuseas”, “é claro que ficarás com varizes nas pernas”, prepara-te para as insónias”, acabei cheia de medos.

O psicanalista José Badi explica que «o efeito que estes conselhos podem ter dependem de cada mulher: quanto mais segura e confiante for, menos dúvidas lhe criarão os outros, já que receberá as suas opiniões como o que são: conselhos pessoais. Respeito e temor ao parto, que sempre existe, pelo que se podem valorizar as experiências turbulentas das outras mamãs, o melhor é fazer uma boa educação maternal e levar como “peanuts” qualquer coisa que oiçamos: cada parto é uma vivência única, pessoal e irrepetível».

Excesso de Conselhos!

O excesso de conselhos, normalmente relacionados com experiências alheias negativas, podem criar medos infundados na mulher que espera um bebé. O melhor é fiar-se só no diagnóstico e na médica.

De quem faz caso?
Ainda que os conselhos, ditos e ideias recebidas que circulam possam ser muito extensas (depende da mãe, a sogra e amigas que a futura mãe tenha), convém dizer aqueles que certamente uma grávida não vai deixar de ouvir.

«As náuseas são psicológicas»
Falso. São produzidas pelo aumento repentino dos níveis hormonais, em especial da hormona chamada gonadotropina coriónica humana (GCH).

«Se tiver perdas, deverá manter repouso absoluto»
Verdadeiro. A causa mais comum é um “deslocamento” do trofoblasto da sua inserção uterina o que constitui uma ameaça de aborto.

«Não deve ter relações sexuais durante os primeiros três meses»
Falso. Salvo que o médico o desaconselhe expressamente, não há nenhum impedimento para que o casal mantenha relações sexuais normais.

«É causa do aparecimento de estrias o engordar mais de sete quilos»
Falso. As estrias são a consequência da rotura das fibras elásticas da pele devido ao aumento brusco de peso.
A qualidade e elasticidade da pele de cada mulher determinará se aparecerão ou não, mas os cremes evitam-nas em alguns casos.

«Barriga em bico, seguramente que é rapaz»
Falso. Milhares de encantadoras meninas nascem de barrigas em bico. A forma do abdómen não tem a mínima relação com o sexo do feto.

«Barriga baixa, parto eminente»
Falso.
Se bem que quando o bebé se encaixa e desce se nota na barriga, podem faltar semanas para o parto. Além disso, as mulheres multíparas têm sempre a barriga mais descaída.

«Não se deve pintar o cabelo durante a gravidez»
Errado. O organismo materno absorve os produtos químicos contidos nas tintas e desconhece-se se podem produzir danos no feto. Mas não há nenhum problema em aplicar tintas não permanentes ou vegetais e aclarar com água fria. Hoje em dia os produtos da cosmética capilar têm uma composição que não envolve riscos.

«Se tiver varizes, ficam para toda a vida»
Certo. As varizes produzem-se pelo aumento de volume circulatório, com a acção da progesterona (uma hormona presente na gravidez). Depois do parto, melhoram, mas não desaparecem.

«Tem que comer por dois»
Falso. Melhor que se diga que tem que comer para dois, isto é, pensando no feto. A futura mãe não necessita grandes quantidades (e ainda, pode ser prejudicial se comer demasiado), mas sim, uma dieta variada e equilibrada, à base de verduras, frutas, legumes, cereais (massas, arroz), carnes, peixe, ovos e leite.

«Cuidado, podes não reconhecer os sinais que acompanham o parto. Eu quase tive o meu filho num táxi»
Falso. 99 por cento das mães reconhecem-nos imediatamente. Só as mães que tiveram muitos filhos, correm o risco de que o parto seja demasiado rápido. São excepcionais os partos ocorridos de forma intempestiva.

«Morrerás de dores durante o parto» ou « O parto é maravilhoso, não dói nada»
Ainda que seja pouco provável não sentir dores durante o parto, as versões são contraditórias, porque cada mulher tem a sua capacidade de avaliar e aguentar as sensações dolorosas. O que para umas é insuportável, para outras pode ser muito suportável. Em qualquer caso, uma boa preparação psico-profiláctica ajudará a não viver a maternidade de uma maneira traumática.

«Exige que te coloquem anestesia epidural»
Quem deve dizer se é conveniente colocá-la ou não é o médico. Nalguns casos pode ser contra-indicada.

«O fórceps pode deformar a cabecinha»
Falso. Trata-se de uma técnica muito precisa que todo o obstetra conhece perfeitamente e raras vezes pode ocasionar problemas no bebé. No parto podem acontecer circuntâncias que tornem esta prática inevitável.

Depois do parto pode pôr-se em pé quase de imediato»
Certo. Na realidade não há nenhum impedimento para que o não faça caso o parto não tenha sido muito trabalhoso e esgotante.

«A depressão pós parto não existe»
Ainda que não afecte todas as mulheres, é muito comum. Os sintomas mais frequentes são tristeza, desalento, cansaço, choro, angústia. Devem-se a causas psicológicas (sensação de perda por não ter o bebé no ventre…) e fisiológicas (descida brusca das hormonas da gravidez). Por outro lado a mulher passa a ter a preocupação de um ser ao seu cuidado, é preciso alimentá-lo durante a noite o que não lhe permite descansar, tem medo de que possa surgir um problema grave ao bebé e que não o saiba reconhecer.

«Depois de cesariana, sempre cesariana»
Não é necessariamente certo que, se o primeiro filho vem ao mundo através de uma cesariana, os seguintes tenham de nascer da mesma forma. Se a primeira cesariana se realizou por uma causa que persiste, como um problema da pélvis da mãe, por exemplo, terá de fazer outras. Se foi, pelo contrário, devido a um problema circunstancial, como o feto de nádegas, por exemplo, pode ser que o segundo parto seja normal.