Idade e insuficiência cardíaca influenciam memória

Os doentes muito idosos e com problemas de insuficiência cardíaca, sobretudo com reduzida fracção de ejecção do ventrículo esquerdo (FEVE), são mais vezes associados a significativas perdas de memória verbal do que os mais jovens, de acordo com um estudo publicado na edição de Agosto da Archives of Neurology, Grupo JAMA/Archives.

A Prof. Joanne R. Festa, do St. Luke’s – Roosevelt Hospital Center, de Nova Iorque, Estados Unidos da América, conduziu um estudo transversal para investigar a relação entre a idade, a fracção de ejecção do ventrículo esquerdo e a memória. “Em suma, existe uma interacção entre estas variáveis, sendo que quanto mais velho for o doente com fracção de ejecção do ventrículo esquerdo menos capacidade de memória demonstra ter, em particular na verbalização e reconhecimento”, explica a responsável.

O estudo incluiu testes sobre a memória verbal e visual, atenção, funcionamento executivo e relatos de sintomas depressivos. Os investigadores consideraram ainda aspectos como o historial médico, a medicação corrente e informação demográfica, assim como a ecocardiografia, utilizada para medir o nível de FEVE. Este foi estratificado em menos de 30 por cento, 30 por cento e mais de 30 por cento. Em termos de idade, os participantes dividiram-se em quatro grupos: 45 anos ou menos, 46 a 55 anos, 56 a 62 anos e 63 ou mais.

De um total de 207 participantes, 38 registam um nível de fracção de ejecção do ventrículo esquerdo de 30 por cento ou mais e 169 registam menos de 30 por cento. A memória manteve-se funcional nos doentes com FEVE até 63 anos, mas nos doentes acima dessa idade verificou-se uma significativa associação com maior perda de memória, mais visível quando o FEVE era de menos de 30 por cento. A análise dos resultados demonstra que as componentes de memória com nível baixo de fracção de ejecção do ventrículo esquerdo têm a maior associação com uma evocação tardia verbal e no reconhecimento. PFF