Igreja de Nossa Senhora da Graça – Freguesia de Abrigada, Alenquer

Revisado por Equipe Editorial a 13 janeiro 2018

A Igreja de Nossa Senhora da Graça é a igreja matriz da freguesia de Abrigada. Situada a alguma distancia da sede da freguesia, a tradição diz-nos que teria sido fundada no século XIV. Em 1758 o pároco descreve-nos assim esta Igreja: «A Parochia esta fora de todos os lugares em hum campo dezerto com distancia quazi a mesma de huñs e outros lugares, o seu orago he Nossa Senhora da Graça. Tem sinco altares: o altar-mor q hê da mesma Senhora da Graça e tem a ditta Capella mor Padroeiro particular q. foi hum João de Barros Machado, cujos herdeiros assistem hoje na Cidade de Bahia em rezão de lha largar o Prior, e Beneficiados da Colegiada de S. Pedro de quem he anexa, com a obrigação do ditto Padroeiro a paramentar, e reparar tão bem, ou melhor do que elles Prior, e Beneficiados fazião, e lha pedio p.a seu jazido. Tem mais dois altares da parte direita, hum de Santo Antonio e outro das almas; e outros dois da parte esquerda hum de Nossa Senhora da Piedade, e outro de nossa Senhora do Rosario. O Parocho da freguesia he Vigario Collado. Tem de renda hum moyo de trigo; sessenta almudes de vinho, e hú cantaro de azeite que se lhe dá dos dizimos da Colegiada de S. Pedro da Villa de Alenquer de quem hé anexa, e a apresentação delle pertence ao Prior da ditta Colegiada»

No entanto, o edifício que hoje conhecemos sofreu um grande restauro em 1952. Digna de registo é a sua pia baptismal, de modelo muito antigo. Outra peça a assinalar é a imagem de Nossa Senhora da Ameixoeira, elegante escultura do século XV/XVI, em pedra policromada e com cabeleira natural.

Na Sacristia há um belo Cristo crucificado, em madeira, do século XVIII. Junto da pia baptismal encontra-se hoje uma laje tumular com legenda e brasão. Em frente da igreja há um cruzeiro aí colocado em 1862. No século passado Guilherme Henriques referia-se «a umas casinhas em redor da Igreja que serviam para acomodação dos romeiros da antiquíssima festa de Nossa Senhora da Ameixoeira». Ainda hoje se deslocam, anualmente, a esta Igreja, os romeiros do Círio do Curvel para venerar a Senhora da Ameixoeira.

Frei Agostinho de Santa Maria, referindo-se «à história de Nossa Senhora da Ameixoeira, do Termo de Alenquer», descreve a sua capela dizendo: «É grande com três altares, o maior aonde a Senhora está colocada em uma tribuna e todos de talha dourada. Nesta Igreja continuou a Senhora as suas maravilhas (…) como o testemunham as muitas memórias dos prodígios que obrou, que em quadros se veem pendentes das suas paredes. Da pedra que se achou juntamente com a imagem da Senhora dizem ser constante tradição, a levara para Espanha Filipe, o Prudente, e que lá como jóia de grande preço a colocara no Escurial…» (Santuário Mariano, Lisboa, 1707).

Nas Memórias Paroquiais o Padre Pedro da Silveira, pároco da freguesia de S. Pedro de Alenquer e administrador da Igreja de nossa Senhora da Ameixoeira, escreve: «É esta ermida um formoso templo reedificado e acrescentado modernamente, de uma só nave azulejado, e na capela mor uma bela tribuna de talha dourada com charola, em que entre vidraças se coloca a dita Sagrada Imagem, de cuja invocação é o altar mor e tem mais dois colaterais um do nascimento e outro da circuncisão. Entra-se no dito templo por um grande lanço de escadas também de pedraria e a cada lado do dito pórtico uma grande torre cada uma com suas bocas para sinos. Para a parte da porta travessa da dita igreja fica uma varanda também de arcos de pedraria, e por cima outra de colunas da mesma matéria. Na circunferência tem muitas casas de hospedaria para os Padres que vão celebrar, e oficiar nas festas que se dedicam a Nossa Senhora na dita igreja, e para os muitos romeiros, que a frequentam; pois desde dia de Páscoa até o de Todos os Santos vão visitar a dita imagem muitos círios de quase todas as terras do Ribatejo e outras partes excepto que de dia Páscoa até a última dominga de Agosto não há mais que dois círios e um é incerto.»