Implantes Dentários e Tráfico de Tecidos Humanos

Revisado por Equipe Editorial a 13 janeiro 2018

Cada vez mais popular e bem vista é a doação de órgãos com o objectivo de servir as necessidades de pessoas que possam encontrar-se numa situação crítica a nível de saúde, e por isso necessitem de um transplante de órgãos para sobreviver, ou pelo menos para conseguirem seguir a sua vida com a maior normalidade possível.

Por mais nobre que a iniciativa possa parecer, e por mais vidas que acabe por realmente salvar, segundo uma recente investigação conduzida por dezenas de repórteres em mais de 11 Países, é possível que o altruísmo não seja o único motivo por detrás do aproveitamento de órgãos de cadáveres para transplantes, na medida em que existem já fortes indicadores de que uma grande componente lucrativa possa ser responsável pela manutenção e desenvolvimento deste mercado.

A questão é complexa e pouco divulgada, o que faz com que muitos daqueles que aceitam doar os seus órgãos, assim como os seus familiares, acabem por nunca vir a saber exactamente qual o aproveitamento que foi dado aos mais diversos componentes do corpo do falecido, nem sequer os verdadeiros interesses que poderão realmente estar por detrás desse mesmo procedimento.

Menos conhecido e criminalizado do que o tráfico de órgãos, o tráfico de tecidos humanos tem vindo a revelar-se como uma verdadeira mina de ouro para muitas instituições médicas, que sem o devido conhecimento público têm vindo a aproveitar-se de todo e qualquer tecido que possa ser retirado dos corpos de pessoas que, enquanto vivas, aceitaram doar os seus órgãos à ciência.

Entre os diversos tecidos humanos que são removidos dos corpos dos cadáveres, podemos mencionar a pele, tendões, veias, ossos, válvulas cardíacas e dezenas de outras partes corporais.

Estes tecidos, após removidos, servirão para a produção de uma enorme diversidade de utensílios médicos que serão utilizados nos mais variados tipos de procedimentos cirúrgicos.

Tal como diz o titulo do artigo, podemos referir que muitos implantes dentários são, na verdade, feitos a partir de diversos componentes corporais retirados dos mortos, como é o caso dos ossos, detalhe esse do qual quem se submete a uma cirurgia de Implante Dentário não costuma estar consciente.

Em parte, o objectivo pode ser nobre, mas certamente que haverá imensa gente que não gostaria de saber que, aquilo que têm de momento na boca, já fez parte do corpo de outra pessoa.

O principal problema de tudo isto prende-se, primordialmente, à desinformação que caracteriza todo este processo de remoção de órgãos e tecidos corporais, na medida em que, nem os dadores nem os seus familiares costumam ser informados da utilização que poderá vir a ser dada ao corpo.

Da mesma forma, pouca informação existe relativamente ao facto das instituições médicas lucrarem imenso com a venda de tecidos corporais, negócio esse que tem vindo a contribuir para enriquecer imenso muitos dos principais envolvidos.

Independentemente de serem ou não utilizados com fins lucrativos, os familiares defendem o seu direito de ter conhecimento relativamente ao propósito com que os corpos serão utilizados, assim como aos benefícios financeiros que daí poderão ser retirados.

A utilização ilícita de tecidos corporais não preocupa apenas as famílias daqueles que servem como doadores, sendo que, ao que tudo indica, poderão haver sérios riscos para a saúde de todos aqueles recebem os tecidos corporais, que nem sempre são devidamente testados, dando assim lugar à transmissão de doenças cuja origem, por essa razão, nem sempre consegue ser eficazmente identificada.

O processo de extracção de tecidos “é extremamente brutal e chocante”, assemelhando-se, muitas vezes, ao trabalho de um “carniceiro”, realidade essa que foi revelada através das imagens recolhidas no decorrer desta investigação.

Por agora, ainda muito fica por saber, mas acredita-se que esta investigação possa representar um primeiro e importante passo no combate a esta actividade que por tantos é considerada como desumana.

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