Incontinência urinária

A incontinência urinária é uma perturbação da fase de enchimento/armazenagem que leva a perdas involuntárias de urina pela uretra.

Normalmente, as pessoas referem-se a este problema como “ter um acidente,” “molhar-se,” ou “IU”. A IU não é um aspecto normal do envelhecimento, como a maioria das pessoas pensa.

Ter incontinência urinária também não significa desleixo. É uma condição com uma causa que pode ser tratada, curada ou, pelo menos, melhorada.

A bexiga é um órgão oco que retém a urina. Durante a micção, a urina passa da bexiga para o exterior através da uretra. A uretra é um tubo pequeno que vai da bexiga para o exterior do corpo.

Causas da incontinência urinária

A seguir estão descritas algumas, das muitas causas da incontinência urinária:

Obstrução da uretra, por exemplo por uma próstata aumentada de volume. A próstata é uma glândula em forma de donut que, nos homens, rodeia a entrada da bexiga.
Prisão de ventre (obstipação).
Desequilíbrio hormonal nas mulheres.
Estado de imobilidade (não ser capaz de se movimentar).
Bexiga hiperactiva.
Alguns medicamentos.
Infecção do tracto urinário.
Infecção vaginal.
Enfraquecimento da bexiga, ou dos músculos que a sustentam.
Enfraquecimento dos músculos que mantêm a uretra encerrada.

Sinais e sintomas de incontinência urinária

Os sintomas diferem de acordo com o tipo de incontinência urinária de que padece:

Gotejo terminal, pós-miccional: Consiste na perda de urina, mais ou menos abundante, após ter terminado a micção.

Poderá sentir que nunca consegue esvaziar completamente a bexiga, o que provoca os seguintes problemas:

Perder frequentemente pequenas quantidades de urina durante o dia e a noite.
Sentir, frequentemente, a necessidade de esvaziar a bexiga sem conseguir.
Após conseguir urinar apenas uma pequena quantidade, ficar com a sensação de que a bexiga está ainda parcialmente cheia.
Passar muito tempo na casa-de-banho, mas ter uma micção de pequeno volume.

Incontinência urinária de esforço: Se tiver incontinência por stress, perde urina quando faz um determinado exercício ou esforço. Poderá ir frequentemente à casa-de-banho durante o dia, para evitar acidentes. Existem alguns factores que podem provocar a perda de urina:

Quando se levanta de uma cadeira ou da cama.
Quando espirra, tosse ou ri.
Quando anda ou faz outro tipo de exercício.

Incontinência por imperiosidade miccional: Consiste na perda de urina, em quantidade variável, quando o doente tem uma vontade urgente e irreprimível de urinar e não consegue evitar a saída de urina para o exterior.

Por vezes, a perda corresponde a uma micção completa, involuntária, que se dá no próprio sítio em que o doente se encontra, não lhe dando tempo para atingir um local apropriado para o fazer.

Este tipo de incontinência aumenta a sua frequência urinária, mesmo durante a noite. Também pode acontecer urinar na cama. Os seguintes factores podem provocar a perda de urina:

Beber, mesmo uma pequena quantidade de líquidos.
Quando não pode ir à casa-de-banho com a rapidez necessária.
Quando ouve ou toca em água corrente.

Diagnóstico

Poderá precisar de recorrer a um ou mais dos seguintes testes para ajudar os médicos a planear o tratamento:

Análises ao sangue

Cistoscopia: Um cistoscópio é colocado na uretra e na bexiga. A sonda é um tubo longo com uma lupa e uma luz na extremidade, que pode estar ligado a uma câmara e captar imagens do interior da bexiga.

A sonda pode ser utilizada para tirar uma amostra de tecido para ser analisada, ou para procurar pedras formadas nos rins. Durante estes testes podem ser removidos pequenos tumores, ou podem ser estancadas hemorragias.

Exame físico: O seu médico irá examiná-la e fazer perguntas sobre o seu estado de saúde, presente e passado, assim como sobre os seus hábitos urinários.

Resíduo pós-miccional: É avaliado após a micção através de uma algaliação momentânea ou através da ultra-sonografia (ecografia).

Stress teste: Este teste verifica se perde urina quando tosse, levanta pesos ou faz exercício.

Registo da urina: Os médicos poderão dar-lhe uma folha de registo, para controlar quando urina e quando está incontinente.

Testes à urina: A sua urina é examinada para procurar sinais de infecção, de sangue ou outros problemas.

Estudo urodinâmico

Á anamnese, ao exame objectivo e aos testes clínicos há que juntar exames complementares, tais como a análise de urina e especialmente o seu exame bacteriológico, o estudo laboratorial geral e da função renal. O estudo complementar urológico consiste, conforme os casos, na medição do resíduo vesical, incluído no estudo ecográfico do aparelho urinário, a video-cisto-uretrografia retrógrada e miccional, a uretro-cistoscopia e o estudo urodinâmico do aparelho urinário inferior.

Prevenção – Cuidados a ter:

No grupo dos factores promotores da incontinência destaca-se o estilo de vida, o nível de actividade física, os hábitos tabágicos, a ingestão de líquidos, os hábitos e horários de esvaziamento da bexiga ou do intestino, irritantes nas dietas, como o álcool, bebidas gasosas, chocolate, café, determinados frutos, o açúcar, a vitamina B, o vinagre e outros alimentos.

Riscos e Complicações da incontinência urinária

No que diz respeito aos factores predisponentes da incontinência urinária, destaca-se o sexo, a carga genética, a raça, a cultura, as alterações neurológicas ou do colagénio e a anatomia.

Dos estudos efectuados sobre a prevalência da incontinência, todos revelam uma predominância na mulher.

Entre os factores desencadeantes, salienta-se o parto, a cirurgia pélvica e a radiação com a lesão dos músculos e nervos pélvicos.

Tratamento para incontinência urinária

Muitas das pessoas ficam tão embaraçadas pelo facto de terem incontinência urinária que não consultam os médicos. No entanto, esta pode ser tratada se os médicos conhecerem os problemas.

Opções de tratamento: O seu tratamento pode ser alterado se a sua incontinência não estiver a ser controlada. Na maioria dos casos, esta alteração é decidida após os testes. Poderá fazer alguns dos seguintes tratamentos, em separado ou em conjunto:

Pode ser utilizado um treino da bexiga para a urgência miccional e para a incontinência de esforço. Os médicos poderão ensinar-lhe técnicas de “distracção”, que é pensar em outras coisas para controlar o impulso de urinar; ou aprender a urinar a horas exactas durante o dia. Esta técnica é especialmente útil para as pessoas que vivem num lar.

Exercícios para os músculos do pavimento pélvico (exercícios de Kegel). Estes exercícios são utilizados para a incontinência de esforço, pois fortalecem os músculos à volta da bexiga.

Pode ser utilizado medicamentos para tratar um ou mais problemas que podem provocar a incontinência urinária.

Poderá precisar de medicamentos para tratar infecções, medicamentos de substituição hormonal ou medicamentos para parar contracções anormais dos músculos da bexiga. Alguns dos medicamentos podem, igualmente, aumentar o tónus dos músculos que mantêm a uretra encerrada.

Também pode ser necessário recorrer a cirurgia para tratar o que está a provocar a incontinência. A seguir, estão descritos alguns dos tipos de cirurgia de que pode precisar:

Corrigir os músculos pélvicos enfraquecidos.
Aumentar a capacidade de retenção de urina de uma bexiga pequena.
Remover tecido, como por exemplo uma pedra do rim que esteja a provocar uma obstrução.
Colocar o colo vesical (a parte inferior da bexiga) na sua posição correcta, nas mulheres com incontinência de esforço.

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