-->Infecção vaginal: o que pode ser, tipos, sintomas e tratamento - Educar Saúde

4 Tipos de infecção ginecológica: como identificar e tratar

Publicado em 12/04/2019. Revisado por Drª Camille Rocha Risegato (Ginecologista e Obstetra - CRM SP-119093) a 14 maio 2019

Ardência, coceira intensa e corrimento com odor desagradável são apenas alguns dos sintomas comuns de infecções vaginais. A causa da infecção não pode ser identificada apenas com base nos sintomas ou no exame físico. São necessários exames laboratoriais para confirmar o diagnóstico. O tratamento varia de acordo com o microrganismo causador, daí a importância em consultar o ginecologista para que sejam realizadas as análises necessárias para identificar a causa, que pode ter origem bacteriana, fúngica, parasitária ou viral.

A infecção ginecológica pode ou não ser considerada uma DST (Doença Sexualmente Transmissível), sendo que, o risco de contrair uma DST aumenta caso a mulher tenha vida sexual ativa. Além das patologias transmitidas por via sexual, existem também as alterações provocadas no pH e na flora vaginal que podem igualmente facilitar o desenvolvimento de infecções.

Três em cada quatro mulheres terão algum tipo de infecção na vagina. É importante conhecer os sintomas e consultar o ginecologista, para que seja confirmado o diagnóstico e iniciado o tratamento mais eficaz.

4 Tipos De Infecção Vaginal, Como Identificar E Tratar

Principais sintomas

São vários os sintomas provocados pela infecção vaginal – que variam de acordo com o tipo de microrganismo infeccioso. Existem, no entanto, alguns sintomas típicos que podem ser observados. Alterações na cor, espessura e cheiro do corrimento são os indícios mais comuns. Além disso, também podem ser observadas coceira, irritação e vermelhidão na vulva e vagina, dor ao urinar (disúria) ou durante relações sexuais (dispareunia) e, mais raramente, feridas e verrugas na região íntima. Veja o que pode ser uma ferida na vagina e o que fazer.

Estes sintomas podem se agravar caso a paciente tenha o sistema imunológico debilidado. Gravidez ou diabetes não controlada também podem levar a quadros de infecção vaginal mais severos.

Tipos mais comuns

Abaixo são descritos os tipos mais comuns de infecção vaginal:

1. Candidíase

Ocorre devido ao fungo Candida albicans, que reside geralmente na pele e no intestino. É o tipo mais comum de infecção em gestantes, mulheres com diabetes mellitus não controlada, ou pacientes que fazem uso de contraceptivos orais ou antibióticos. Outros fatores que podem aumentar a incidência de infecção por levedura incluem o uso de duchas, sprays de higiene feminina, agentes antimicrobianos tópicos e vestuário íntimo com pouca respuiração.

Não pode ser transmitida sexualmente. Gera forte desconforto e sensação de ardor. Neste caso, o corrimento deverá aparecer branco e espesso ou leitoso. Os sintomas mais frequentes de candidíase na mulheres são coceira, ardor e irritação da vagina. Micção dolorosa e / ou dor durante a relação sexual também são comuns.

O que fazer: Estão disponíveis vários medicamentos antifúngicos para tratar a candidíase vaginal – em forma de cremes antifúngicos, comprimidos ou supositórios (butoconazol, miconazol, clotrimazol e tioconazol).

Como a vaginose bacteriana, a tricomoníase e a candidíase vaginal são difíceis de distinguir apenas com base nos sintomas, é importante a mulher consultar o ginecologista para um diagnóstico preciso, antes de usar qualquer um destes remédios.

2. Vaginose bacteriana

É causada por bactérias, principalmente a Gardnerella vaginalis. Assim como a Candidíase, também não é considerada uma DST. Tem como característica o desequilíbrio intenso da flora vaginal. Seu principal sintoma, além de ardor e dor ao urinar, é o forte odor do corrimento, semelhante a peixe – perceptível especialmente após a relação sexual. A vaginose bacteriana é a causa mais comum de sintomas de vaginite entre mulheres em idade fértil e geralmente reflete uma mudança no ecossistema vaginal. Este desequilíbrio, que inclui alterações no pH vaginal, ocorre quando as bactérias ruins superam as benéficas. A mudança de parceiros e o usso de duchas pode aumentar o risco de adquirir a infecção.

O que fazer: Todas as mulheres com vaginose bacteriana devem evitar a possibilidade de transmissão via sexual. O tratamento geralmente é feito com antibióticos. As pesquisas mostram que, o não tratamento pode levar ao desenvolvimento da doença inflamatória pélvica – que pode causar infertilidade e gravidez tubária (ectópica), ou causar resultados adversos na gravidez, incluindo parto prematuro e bebês com baixo peso ao nascer, além de aumentar a suscetibilidade da mulher a outras DSTs, como clamídia e gonorreia.

3. Tricomoníase

Infecção vaginal causada pelo protozoário unicelular chamado Trichomonas vaginalis. Pode ser transmitida através de relações sexuais e pelo compartilhamento de peças íntimas. A uretra é o local mais comum de infecção no homem, e a vagina é o local mais comum de infecção em mulheres. Em alguns casos pode não gerar sintomas, o que dificulta o diagnóstico. Os sintomas geralmente ocorrem cinco a 28 dias após a exposição ao parasita. Produz corrimento vaginal branco, cinza, amarelo ou verde, com forte odor, e desconforto durante a relação sexual e dor ao urinar. Por vezes também podem estar presentes irritação e coceira na vagina e, em raras ocasiões, dor no pé da barriga (dor abdominal localizada na parte inferior do abdome).

O que fazer: O tratamento é feito com antibióticos e, caso a paciente tenha um parceiro, deve ser realizado por ambos os membros do casal. O metronidazol é o medicamento normalmente usado para tratar pessoas com tricomoníase. Geralmente é administrado em dose única. O indivíduo que toma o medicamento não deve beber álcool pois podem ocorrer náuseas e vômitos.

É importante a tricomoníase não ser deixada sem tratamento, pois a presença do Trichomonas vaginalis está associada ao aumento do risco de transmissão do HIV e pode levar a mulher grávida a ter um bebê com baixo peso ao nascer ou prematuro.

O caminho mais seguro para evitar a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis é abster-se de contato sexual ou manter um relacionamento monogâmico de longo prazo com um parceiro que foi testado e sabe-se que não está infectado. O uso de preservativo também pode ajudar a prevenir a disseminação do parasita.

4. Clamídia

Doença sexualmente transmissível causada pela bactéria Chlamydia trachomatis. Assim como a Tricomoníase, pode ser assintomática. Tem como principais sintomas a disúria, corrimento amarelado ou esbranquiçado e sangramento espontâneo ou durante o contato íntimo. É uma das infecções mais graves e, se não tratada, pode causar infertilidade.

Fatores de Risco

Existem alguns fatores que podem facilitar a proliferação de fungos e bactérias na vagina. O uso de antibióticos para combater outras doenças, por exemplo, pode matar as bactérias “boas”que atuam na defesa do corpo da mulher, deixando-a mais suscetível a infecções. Mulheres com baixa imunidade, causada ou não pelo HIV, também estão mais propensas. Entram também na lista de fatores de risco mulheres que estão amamentando e mulheres que passaram pela menopausa, já que o baixo nível de estrogênio facilita o desenvolvimento dos microrganismos nocivos. Mulheres com diabetes que não controlam a doença também são mais suscetíveis.

Como é feito o diagnóstico

Alguns fatores serão observados pelo médico para realizar o diagnóstico e descobrir o tipo de microrganismo que causou a infecção. Um diagnóstico correto é de extrema importância para a escolha do tratamento mais eficiente. Durante a consulta será levado em consideração o histórico da paciente, principalmente se a pessoa já tiver apresentado outros casos de infecção.

É realizado um exame vaginal com o objetivo de identificar sinais aparentes de infecção, assim como um teste de Papanicolau para coletar material do colo uterino. É realizada também a medição do pH vaginal e será coletada uma pequena amostra do corrimento que será usada para realizar uma análise laboratorial microbiológica, onde poderá ser observada a multiplicação dos microrganismos.

Principais causas

A má higiene, por exemplo, torna o órgão sexual propício ao desenvolvimento de vários tipos de bactérias, o que pode gerar quadros de infecção na vagina. O uso contínuo de roupas apertadas e de material sintético também estimulam a proliferação de microrganismos.

Além disso, a irritação dos tecidos da vagina, que por vezes origina feridas no órgão, pode permitir o acesso de bactérias ou fungos à corrente sanguínea. Por último, a redução da acidez na vagina faz com que as bactérias protetoras da mulher desapareçam, abrindo espaço para infecções. Confira outras possíveis origens de inflamação na vagina.

Infecção vaginal na infância

Os quadros de infecções vaginais em crianças estão, geralmente, relacionados a bactérias provenientes do ânus. Isso acontece principalmente quando a limpeza após a evacuação não é feita da maneira correta ou quando é feita a manipulação da região genital sem a devida higienização das mãos.

Tratamento Para Infecção Na Vagina

Como é feito o tratamento

Tratamento com remédios

O tratamento farmacológico tem como objetivo eliminar o microrganismo invasor, seja ele um fungo ou uma bactéria. No caso do fungo, será administrada uma medicação fungicida (Clotrimazol ou Miconazol são dois exemplos). O antifúngico deverá ser usado de acordo com a recomendação prescrita pelo médico. Em caso de infecção severa por fungo, podem ser recomendados remédios por via oral.

Caso o agente causador seja uma bactéria, deverá ser recomendado um antibiótico oral ou de aplicação direta na área afetada (Clindamicina ou Metronidazol são dois exemplos). Em alguns casos poderá ser indicado algum tipo de creme ou pomada para aliviar a coceira.

No caso de aparecimentos de verrugas na vagina, principalmente quando a infecção está relacionada com alguma outra doença, como o HPV, a paciente poderá ser submetida a um procedimento que realiza a cauterização das feridas.

Remédios caseiros

Existem algumas soluções caseiras para complementar o tratamento médico convencional. Entenda que estas opções nunca devem ser usadas com forma principal de tratamento. Ingerir bastante água e optar por alimentos mais leves são alguns passos simples para ajudar na recuperação. Além disso, o consumo de iogurte natural ajuda a equilibrar a flora vaginal, que sofre alterações durante uma infecção.

É possível também realizar lavagens na região genital com algumas plantas “seguras”que possuam propriedades antibacterianas, anti-inflamatórias e antibióticas. O chá de aroeira, camomila e malva são 3 exemplos de infusões que podem ser usadas em lavagens genitais ou em banhos de assento com água morna (durante 20-30 minutos), ou para consumo. O óleo de melaleuca também pode ser adicionado a banhos de assento (em proporções de 5 gotas de óleo para 1 litro de água morna).

Como evitar infecções vaginais

Para reduzir o risco de contrair uma infecção na vagina é importante seguir alguns passos. Usar roupas íntimas de algodão e não muito apertadas facilita a ventilação. Essa é uma das melhores formas para combater a umidade e, consequentemente, prevenir a proliferação de fungos e bactérias. É importante evitar duchas excessivas na área genital, principalmente com água quente, já que essa prática pode eliminar as bactérias protetoras da vagina e reduzir a acidez, criando um ambiente propício para infecções. Por último, é importante usar sempre preservativo nas relações íntimas.

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Referências
Autores
Drª Camille Rocha Risegato (Ginecologista e Obstetra - CRM SP-119093)

Ginecologista e Obstetra - CRM SP-119093

Dra Camille Vitoria Rocha Risegato - CRM SP nº 119093 é formada há 14 anos pela Fundação Técnico Educacional Souza Marques, Rio de Janeiro.

Dra Camille mudou se para São Paulo onde realizou e concluiu residência médica em Ginecologia e Obstetrícia (RQE nº 25978) no Centro de Referência de Saúde da Mulher no Hospital Pérola Byington em 2007.

Em 2008 se especializou em Patologia do Trato Genital Inferior nesse mesmo serviço. Ainda fez curso de ultrassonografia em ginecologia e obstetrícia na Escola Cetrus.

Trabalha em setor público e privado, atendendo atualmente em seu consultório médico particular situado na Avenida Leoncio de Magalhães 1192, no bairro do jardim São Paulo, zona norte de São Paulo.

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