Inseminação artificial

Inseminação artificial – Soluções á medida

A mais fácil de todas é a inseminação artificial. Para consegui-la são necessários os seguintes requisitos: que as trompas da mulher sejam permeáveis e que o sémen do candidato a pai não esteja muito alterado. Então faz-se uma estimulação do ovário, quer dizer, induz-se a mulher para que ovule dando-lhe hormonas. Podem tomar-se por via oral, mas as injectadas dão melhor resultado. Durante uns dez dias, do 3º ao 13º dia do ciclo, mais ou menos, e conforme cada caso, devem injectar-se.

Através de ecografia há que vigiar a evolução dos folículos (que devem conter os óvulos ou ovocitos). Quando chega o momento da ovulação, pede-se ao homem uma amostra de sémen. Prepara-se no laboratório, seleccionando os melhores espermatozoides e dando-lhes mais energia e, através de uma cânula, introduzem-se pelo colo do útero. A mulher não tem que estar anestesiada, porque não é nada doloroso. E, já só falta esperar que um espermatozoide consiga entrar no óvulo.

A fecundação In Vitro (FIV) é parecida, mas muito mais complexa. Há que fazer á mulher uma estimulação ovárica similar à anterior, com diferentes hormonas, que se controla por ecografia e análises de sangue. Mas neste caso é necessário retirar para fora os óvulos. Ajudados pelo controlo ecográfico, os médicos vêem os folículos e, através da vagina, chegam ao ovário, fazem uma punção e aspiram. A mulher deve estar anestesiada porque isto pode tornar-se doloroso.

«Quando as pacientes me perguntam se lhes vou fazer anestesia geral, digo sempre que, como muito, uma anestesia comandante», murmura o Dr. José Maria Marcos, anestesista. «Uma punção no ovário é dolorosa; com esta sedação que eu tenho provado e aperfeiçoado nos seis anos que pratico no IVI, a mulher não sente nada, e tem de imediato uma recuperação muito agradável e em meia hora está em condições de regressar a casa».

A aspiração dos folículos leva entre 10 e 20 minutos. Logo, no laboratório extraem-se os ovocitos de cada folículo e preparam-se. Por outro lado, há que contar com os espermatozoides também «colocados num ponto», numa concentração de um milhão.

Junta-se tudo e deixa-se que os espermatozoides vão nadando e fecundem o óvulo. (já vimos que o procedimento é diferente se há que recorrer a uma ICSI). No dia seguinte, é altura de comprovar a fecundação; normalmente, às 48 horas, há um embrião (ou vários) de quatro células. O passo seguinte é implantar o ou os embriões que haja (não mais de quatro) dentro da cavidade uterina. Isto não é mais doloroso que uma citologia, e assim, faz-se sem anestesia e nuns minutos.

Outros problemas que também se ultrapassam

Pode existir a possibilidade de que a mulher não tenha óvulos em virtude de uma menopausa precoce ou uma alteração ginecológica, ou que os seus óvulos não sirvam porque existam alterações genéticas ou biológicas. Nestes casos, recorre-se à doação. Extraem-se os óvulos de uma mulher jovem, sem problemas, pelo procedimento que já relatámos, estimulando os seus ovários.

Por sua vez, prepara-se a receptora, ou seja, sincronizam-se os ciclos e procede-se ao FIV. O único problema é que a lei exige que a doação seja anónima e que os óvulos não possam congelar-se, e sendo assim, não é fácil arranjar uma doadora no momento desejado.

O maior impedimento para ser mãe é carecer de útero. Não é frequente, mas pode acontecer que uma mulher jovem sofra de um tumor maligno no útero e tenha de ser extirpado. Se os seus ovários estão bem, poderia ter um filho biologicamente seu recorrendo a uma mãe de aluguer. Mas a lei espanhola proíbe-o.

«Tivemos uma jovem que teve um tumor e a quem lhe retiraram o útero. Enviá-mo-la para a Califórnia, a receptora teve os seus gémeos. Quando veio para Espanha, esta paciente trouxe os bebés como seus filhos», contou o Dr. António Pellicer, do IVI.
«A nossa lei – continua – é boa, servindo de exemplo a outros países, mas eu creio que deviam autorizar as mães de aluguer. Há casais que são obrigados a viajar aos Estados Unidos porque em Espanha não é legal». Até aqui tudo parece fácil. Mas isto é como nos filmes, que acabam com um beijo de amor, quando a crua realidade vem depois.

Resulta quando se colocam os embriões no útero, só se implantam uns 30 por cento. «Este é o calcanhar de Aquiles da reprodução assistida», diz o Dr. Carlos Simón, a quem a Sociedade Americana de Fertilidade premiou já pela descoberta que passamos a relatar: «Estamos a desenvolver um novo sistema para melhorar as possibilidades de que os embriões “peguem”».

Mais facilidades para os embriões

Como se consegue isto? «Cultivamo-los em presença de células do útero de mulheres que já tiveram filhos – continua – . O procedimento consiste em retirar um bocadinho de endométrio de mulheres férteis (é como fazer uma biopsia á parede interna do útero) e, em condições determinadas, cultivar os embriões das pacientes com problemas nessa cama de células sãs durante sete dias. Depois colocamo-los nas mães para que se implantem.

E funciona». O Dr. Simón diz que para a doadora do endométrio (que pode ser uma irmã, a melhor amiga ou a cunhada da mulher com problemas)não é doloroso nem nefasto, faz-se sem anestesia e leva um minuto.

«Estas células só actuam como nutriente, e é o melhor meio de cultivo que existe.
Até agora – prossegue -, os embriões cultivavam-se em plástico, mas se eu fosse um embrião, eu gostaria mais era estar entre as células do útero de uma mãe que numa proveta».

Parece lógico. Com esta ideia genial, conseguiu-se já que 30 por cento das gestações em pacientes desenganadas, às quais se havia praticado já até oito FIV e não havia meio de ficarem grávidas.