Jerónimo de Sousa

Revisado por Andre a 28 outubro 2018

Jerónimo Carvalho de Sousa nasceu a 13 de Abril de 1947, na pequena localidade de Pirescoxe, freguesia de Santa Iria da Azóia. Ainda hoje reside naquela localidade. Filho de António de Sousa e de Olímpia Jorge Carvalho, as suas origens foram humildes, tendo estudado até aos catorze anos de idade no antigo Curso Industrial. Com essa idade começou a trabalhar como como operário metalúrgico, mais precisamente como afinar de máquinas, na MEC – Fábrica de Aparelhagem Industrial.

Jerónimo de Sousa Antes e Depois

 

Ainda durante a década de 60 teve os seus primeiros contatos com a estrutura do Partido Comunista Português (PCP), assumindo um cargo de chefia na Colectividade 1º de Agosto de Santa Iria. Foi no interior dessa associação, que Jerónimo de Sousa despertou para a luta antifascista. A sua participação em diversos grupos de teatro e de cariz cultural levaram-no a contatar com vários membros do PCP.

Cumpriu o seu serviço militar no Regimento dos Lanceiros 2, tendo estado posteriormente na Guerra Colonial. Foi um dos portugueses que combateu o movimento marxista de libertação (PAIGC) na Guiné-Bissau. Corria o ano de 1972, quando foi eleito pelos seus colegas metalúrgicos da MEC, Delegado Sindical. Viria a integrar a lista unitária, que no ano seguinte conseguiu voltar a conquistar o Sindicato dos Metalúrgicos de Lisboa. Em Abril de 1974 foi eleito para a Comissão dos Trabalhadores do MEC. Viria a manter-se na referida comissão até 1995.

Na sequência da Revolução de 25 de Abril de 1974, filiou-se no PCP. A experiência sindicalista que obteve na fábrica ajudou-o a especializar-se na área do trabalho, mantendo ao longo do tempo uma posição, na comissão política do partido, ligada às questões sindicais e laborais. No ano seguinte assumiu a função de Coordenador da Comissão Coordenadora das Comissões de Trabalhadores da Região de Lisboa (CIL). Em 1979 integrou o Comité Central do Partido Comunista Português.

Em 1976 foi eleito deputado à Assembleia Constituinte. Ainda no mesmo ano tornou-se deputado à Assembleia da República. Conseguiu eleições sucessivas para a Assembleia da República até 1993, voltando novamente ao cargo a partir de 2002. Acabaria assim por passar mais anos no Palácio de São Bento do que na fábrica metalúrgica, circunstâncias que nunca o fizeram perder a sua identidade.

Quer nos ficheiros do PCP, quer na sua ficha na Assembleia da República, a sua profissão oficial ainda é “operário metalúrgico”. Este vínculo fortaleceu-se ainda mais quando Jerónimo de Sousa definiu que o ordenado que ganhava enquanto deputado não podia ser superior ao salário de metalúrgico: entre 700 a 800 euros. Outro episódio curioso sucedeu na primeira vez que Jerónimo de Sousa entrou na Assembleia, como deputado parlamentar.

Ao dirigir-se a si, um trabalhador daquele espaço chamou-lhe “doutor”, ao que ele retorquiu que não era doutor, o espantado funcionário respondeu “desculpe senhor engenheiro”. Isto reflete o espanto que a presença de um simples trabalhar causou num meio que estava habituado a receber apenas as grandes figuras do regime ditatorial.

Esta forma de estar contribuiu para que os portugueses em geral, olhassem para o Presidente do PCP como um homem humilde e trabalhador, bem distante do perfil habitual dos políticos portugueses. No seu percurso na Assembleia da República ocupou cargos de relevo como a vice-presidência do grupo parlamentar comunista e a vice-presidência da comissão parlamentar de Trabalho e Assuntos Sociais.

Em 1996, foi o candidato designado pelo PCP às Eleições Presidenciais. Contudo, face à possibilidade de vitória do candidato da direita, Aníbal Cavaco Silva, Jerónimo de Sousa acabaria por desistir a favor do candidato do Partido Socialista, Jorge Sampaio. A manobra acabaria por dar frutos, já que Sampaio acabaria por vencer por apenas 500 mil votos de diferença.

Depois de vários anos de declínio eleitoral, Jerónimo de Sousa sucedeu a Carlos Carvalhas e tornou-se Secretário-Geral do Partido Comunista Português. Nas eleições legislativas realizadas em 2005, o partido conseguiu alterar a tendência negativa, alcançando 430 mil votos e elegendo 12 deputados.

Sob o comando de Jerónimo de Sousa, o partido voltaria a alcançar resultados positivos nas autárquicas disputadas no mesmo ano, ao conseguir recuperar 7 municípios, para além de conquistar a presidência de Peniche. O PCP conquistaria nessas eleições um total de 32 municípios e um número de votos superior a 590 mil.

Em 2006, Jerónimo de Sousa voltou a disputar umas eleições presidências, numa corrida eleitoral marcada pela grande dispersão de votos à esquerda, Jerónimo de Sousa ficou em quarto lugar, com 466 mil votos. Contudo, o líder do PCP destacar-se-ia por ser o único candidato a obter mais votos do que o vencedor, Cavaco Silva, num dos distritos, neste casoo de Beja. Seria também o segundo classificado em termos de vitórias em número de concelhos, saindo vencedor em 16 concelhos. A forte implementação do partido nos distritos de Beja e de Setúbal contribuiu fortemente para estes resultados.

Nas legislativas de 2009, o partido voltou a fraquejar ocupando o último lugar entre os maiores partidos políticos de Portugal. Contudo, mais recentemente, em Junho de 2011, Jerónimo de Sousa conseguiu que o seu partido recuperasse algum apoio, ultrapassando o Bloco de Esquerda e conseguido 16 lugares no parlamento.

Em Abril de 2011, Jerónimo de Sousa foi um dos líderes políticos que se recusou reunir com a troikaque se encontrava em Portugal para analisar as condições financeiras do país. Esta opinião apenas foi revista a 15 de Novembro, quando tanto o Partido Comunista Português quanto o Bloco de Esquerda se aceitaram reunir de forma privada com os representantes da troika. Jerónimo de Sousa é também um homem de família, sendo casado e tendo duas filhas e duas netas, com quem faz questão de estar sempre que possível.