Kapama Private Game Reserve – Um Safari na África do Sul

Revisado por Equipe Editorial a 13 janeiro 2018

Um Safari em Kapama, na África do Sul…

O primeiro contacto é quase irreal. Algo semelhante a penetrar nos bastidores do canal Discovery. São nada menos de 13 mil hectares de propriedade, circunscritos na ondulante planície de Lowveld, emoldurada pelas enovoadas montanhas azuis do Escarpment. Estamos numa reserva privada chamada Kapama em pleno coração da província do Limpopo, no noroeste da África do Sul, a apenas 40 kms do parque Kruger.

A savana, nesta altura do ano bastante despojada de verde, parece formar uma teia de caprichosas esculturas naturais. Ouve-se o chilrear cruzado de pássaros enigmáticos e há mesmo uma girafa que amamenta a cria recém- nascida logo à entrada, como se estivessem ali de propósito para nos receber. Mas não é pela paisagem, nem para disfrutar da companhia de animais tão gentis quanto as girafas que voámos até Kapama. Ou melhor, não é só, nem sobretudo por causa disso.

Viemos, como quase toda a gente que viaja até ao Kruger e às reservas privadas circundantes, por causa dos “cinco grandes”. Ou seja, queremos ver leões, leopardos, rinocerontes, búfalos e elefantes. A designação “cinco grandes”, ao que parece, remonta à época das grandes caçadas, e engloba os animais que na época eram considerados mais perigosos. Em particular, aqueles que uma vez feridos são capazes de perseguir até à morte quem atentou contra a sua vida.

Kapama têm-os em estado selvagem ou quase, uma vez que a propriedade é delimitada por uma cerca electrificada. E tem-nos em quantidades substanciais: cerca de 50 elefantes, 40 leões, igual número de rinocerontes e 500 búfalos. Quanto aos evasivos leopardos já se sabe que não é fácil recenseá-los, o mesmo sucedendo com outros predadores tão pouco sociáveis como as chitas e as hienas, que só se encontram nas áreas mais remotas da reserva.

Como todas as outras, Kapama começou por ser uma reserva de caça para depois se converter ao turismo pelas mãos da actual proprietária Lente Roode. Agora oferece um novo atractivo sob a forma de safaris às costas de elefantes. Uma peça de exotismo que é uma novidade no Kruger sul-africano, mas que tem antecedentes no Zimbabwe.

Não foi só o conceito que foi importado, mas os próprios elefantes. E já adivinharam porquê. Deriva da instabilidade política que se vive no Zimbabwe, em particular das invasões de quintas de brancos por parte dos veteranos de guerra. Alegando o perigo que corriam doze elefantes domesticados, uma equipa liderada por Lente Roode lançou uma operação de resgate no país vizinho apenas dois dias antes das tristemente célebres eleições de Março.

Trouxeram os bichos e os seus tratadores ou “groomers”, 22 homens que agora, como os demais empregados de Kapama – trabalham seis semanas e descansam duas. Alguns aproveitam as folgas para passar a fronteira e visitar os seus familiares, mas aqueles com quem falámos juram que não voltam ao Zimbabwe enquanto a situação política não se pacificar. Os doze elefantes agradecem e não só eles. É aqui que entra em cena outro elefante, este ainda uma criança e nascido na África do Sul.

Chama-se Jabulani, o que quer dizer “felicidade”, e muito antes da aparição dos primos do Zimbabwe, era já uma estrela mediática cortejada pelas câmaras de televisão da África do Sul. Foi encontrado há sete anos atrás, acabado de nascer, paralisado num pântano. Julgou-se que o orfão nunca sobreviveria, mas os cuidados dos veterinários e o destacamento de uma mãe adoptiva sob a forma de uma ovelha de cinco anos asseguraram o milagre.

Tentou-se aproximá-lo dos elefantes selvagens da reserva. Mas a líder da manada – os elefantes formam uma sociedade matriarcal – rejeitou-o e ele, de qualquer modo, preferia a companhia dos humanos. Até que chegaram os elefantes domesticados do Zimbabwe, que imediatamente o aceitaram como delfim do grupo. Final feliz, portanto, para a melodramática saga do pequeno orfão, mas também um oportuno pretexto para através dela a reserva de Kapama promover os seus novos safaris às costas de elefantes.

Não apenas os safaris mas também uma nova unidade hoteleira, acabada de estrear, tem o nome de Jabulani. Isto é o género de local que preenche páginas para encher o olho em revistas de decoração de luxo. São modestamente designadas de “tendas”, mas isso só contribui para lhes apurar o chic, quando se trata de seis construções de tectos de palha, paredes de adobe e portas em madeira, onde as janelas de vidro dão lugar a cortinas de tela. Os interiores são decorados numa combinação equilibrada de mobiliário ocidental (cadeirões de cabedal, banheiras de mármore) com elementos africanos (máscaras nas paredes, tapetes em pele de zebra no chão), e rematados por terraços em madeira circundando deliciosas piscinas para chapinhar de 2×2 metros.