Lúpus Eritematoso Sistêmico

Revisado por Equipe Editorial a 15 janeiro 2018

Lúpus é o nome popular dado à patologia lúpus eritematoso sistêmico (LES). Trata-se de uma doença autoimune, ou seja, quando o sistema imunológico passa a produzir anticorpos que atacam os próprios órgãos internos do corpo. No caso do lúpus, uma série de partes do organismo pode ser afetada pela doença, com destaque para as articulações, cérebro, rins, e pele. O lúpus é uma das doenças autoimunes mais graves de que se tem notícia.

Fotos do Lúpus 4

Classificação do lúpus

Lúpus discoide

Variante mais simples da doença, o lúpus discoide é caracterizado por atingir exclusivamente a pele. Geralmente, os sinais partem do aparecimento de lesões cutâneas vermelhas que irrompem nas faces, no couro cabeludo, e na nuca.

Lúpus sistêmico

Essa versão da doença não se limita à pele, podendo afetar diversos órgãos do corpo simultaneamente. Em alguns pacientes, o lúpus discoide ocasionalmente tende a progredir para o lúpus sistêmico.

Os sintomas do lúpus sistêmico variam de acordo com a região do corpo que tenha sido comprometida, seja o coração, articulações, pulmões, rins, ou danos provocados na epiderme.

Lúpus induzido por drogas

Existem determinados remédios e drogas capazes de causar um processo inflamatório momentâneo. Os sinais são bem similares aos exibidos pelo lúpus sistêmico, mas os sintomas são amenizados quando o consumo desses medicamentos é interrompido.

Causas do lúpus

O Lúpus Eritematoso Sistêmico surge quando as células que deveriam defender o organismo acabam se voltando contra tecidos totalmente saudáveis. Assim como as demais doenças classificadas como autoimunes, os motivos exatos que levam à manifestação do lúpus são imprecisos. Entretanto, as últimas pesquisas sobre o tema deduzem que o meio ambiente e problemas genéticos são os dois fatores mais relevantes que culminam no desenvolvimento da doença.

Desse modo, os estudos científicos descobriram que os indivíduos com alta propensão para desenvolver o lúpus têm um alto risco de manifestar a doença quando expostos a determinados ambientes, que atuam como agentes catalisadores do caos interno implantado pelo sistema imunológico.

A grande dificuldade é definir, exatamente, quais são esses fatores desencadeadores do lúpus, os quais ainda são incertos. Contudo, os estudiosos se amparam em algumas hipóteses plausíveis, como a incidência de raios solares, e o uso de medicamentos. Na primeira conjectura, acredita-se que os raios solares podem dar início, ou piorar o estado, de uma inflamação que pode vir a se transformar em lúpus.

No segundo caso, a doença pode surgir em decorrência da ingestão de remédios que têm a função de gerenciar a hipertensão, amenizar ataques convulsivos, ou até mesmo devido ao consumo de antibióticos específicos. Lembrando que, caso a motivação do lúpus seja medicamentosa, a patologia passa a ser totalmente controlada ou inofensiva quando o uso dos remédios é suspenso.

Fatores de risco do lúpus

Existem alguns fatores altamente motivadores do lúpus. Um deles diz respeito ao gênero, já que a doença costuma afetar predominantemente as mulheres. Um segundo fator desencadeador importante é a idade, pois o lúpus surge com mais frequência em indivíduos com idade entre 15 e 40 anos. O terceiro fator de destaque é a etnia, uma vez que a doença em análise está presente em um número superior de pacientes afrodescendentes, ou que tenham origem asiática, ou ainda hispânica.

Sintomas do lúpus

Os sinais que apontam para a existência do lúpus podem acontecer subitamente, ou progredir paulatinamente. Outro detalhe digno de nota é que esses sinais podem ser efêmeros ou perenes, apresentando um nível de gravidade baixo ou avançado.

Porém, grande parcela das pessoas afetadas pelo lúpus tende a manifestar sintomas classificados como leves ou moderados. Geralmente, esses indícios aparecem somente ocasionalmente e em virtude de crises. O lúpus pode se manifestar com intensidade, mas os sintomas permanecem apenas durante um curto intervalo.

Também é importante observar que os sinais de lúpus oscilam conforme a região do organismo que esteja sendo atacada pelas células de defesa. De um modo amplo, pode-se dizer que os sintomas mais recorrentes são febre, dores no peito durante inspirações profundas e dificuldades para respirar, fadiga, queda capilar, dores nas articulações, edema muscular, lesões na boca, elevada sensibilidade à incidência solar, ansiedade exagerada, lesões cutâneas, amnésia, cefaleia, crescimento dos linfonodos, e desorientação mental.

Como dito anteriormente, os sintomas variam conforme a área do corpo impactada. Sendo mais específico, quando a doença atinge o sistema nervoso e o cérebro o indivíduo pode: sentir dificuldades para enxergar com clareza, ter dores de cabeça, sensação de formigamento em alguns membros, apresentar alterações bruscas de personalidade, e sofrer convulsões.

Já quando o lúpus afeta os pulmões, o paciente pode apresentar certa dificuldade para respirar, e a tosse pode vir acompanhada de sangue. Ao atingir o coração, a doença provoca arritmia cardíaca. Na pele, o mais comum é a alteração de cor durante as quedas de temperatura. No trato digestivo, os sinais incluem incômodos na região abdominal, acompanhados por náuseas, e possíveis vômitos.

Durante a consulta médica

A recomendação é para que o atendimento médico seja buscado assim que nódoas avermelhadas começarem a se espalhar pelas faces do rosto, um dos sintomas de lúpus.

Durante a consulta é importante que o paciente dissipe quaisquer dúvidas associadas à doença. Faz-se igualmente importante relatar com máxima precisão todos os sintomas sentidos a fim de que o diagnóstico seja inequívoco.

As dúvidas mais comuns dos pacientes sobre o lúpus costumam estar associadas à possível cura da doença, ao processo de diagnóstico, à interferência no modo de vida adotado, e às reações adversas proporcionadas pelo tratamento escolhido.

Enquanto isso, o médico também fará diversos questionamentos, os quais o paciente deve estar preparado para responder. Assim, o médico desejará saber se as lesões cutâneas aparecem em virtude da exposição aos raios solares, se surgem dores nos dedos nos dias frios, se as manifestações do lúpus chegam a comprometer o convívio social ou a qualidade das tarefas efetuadas no trabalho, se há registro de dificuldades para se concentrar, e se os sintomas já afetaram a memória. O profissional também perguntará se há registro de alguma outra patologia.

Processo de diagnóstico

Como os sintomas apresentados oscilam de um paciente para outro, o diagnóstico do lúpus é considerado complexo. Além disso, os sintomas podem sofrer alterações com o decorrer do tempo, e ainda serem bem parecidos com os sinais típicos de outros problemas de saúde.

Na prática, o diagnóstico é efetuado através da auscultação do tórax com a ajuda de um estetoscópio. O intuito é verificar se há um atrito pleural (ou atrito pericárdico), que ocorre quando o respectivo órgão apresenta sons irregulares, ou inesperados. Some-se a isso a possibilidade de um exame adicional sobre o sistema nervoso.

Dentre os exames normalmente utilizados para diagnóstico do lúpus estão a biópsia renal, o hemograma integral, a coleta e análise da urina, avaliação dos anticorpos (sejam antinucleares ou não), e radiografia do tórax.

Como tratar o lúpus

Embora o Lúpus Eritematoso Sistêmico possa ser tratado, é preciso esclarecer que, de modo análogo à hipertensão e ao diabetes, a cura propriamente dita não existe, bem como não há formas de prevenção. Portanto, o que se busca com o tratamento é exercer um controle mais preciso sobre os sinais exibidos pelo lúpus, fazendo com que os pacientes consigam levar uma vida que seja o mais próxima possível do normal.

Quando o lúpus é considerado moderado, os pacientes costumam responder bem com o tratamento à base de remédios não esteroides com função anti-inflamatória, indicados para pleurisia e artrite. Nos casos de lesões cutâneas, deve-se utilizar um bom protetor solar, seguido de um creme corticoide de uso tópico. Os problemas epidérmicos e a artrite costumam ser tratados por meio da adoção de hidroxicloroquina, ou corticoides com baixos teores.

Entretanto, quando o lúpus se manifesta de maneira mais agressiva, podendo até provocar óbito, o tratamento precisa ser mais incisivo. Os sintomas que acarretam essa investida são o desenvolvimento de alguma doença renal, complicações geradas no sistema nervoso, problemas nos pulmões, coração debilitado, ou a anemia hemilítica.

Em todas essas situações o tratamento para o Lúpus Eritematoso Sistêmico prevê o uso de corticoides ou remédios imunossupressores, ou seja, que cumpram a função de diminuir a atividade do sistema imunológico.

Caso os medicamentos imunossupressores não surtam o efeito esperado, o paciente deve receber remédios citotóxicos, usados para inibir o desenvolvimento das células. Porém, essas drogas provocam reações adversas intensas, razão pela qual sua utilização deve ser constantemente supervisionada pelo médico.

Prognóstico do lúpus

Quem é diagnosticado com lúpus deve dedicar uma atenção especial ao coração com o objetivo de preservar a boa saúde do órgão. Outro detalhe que deve passar a fazer parte da rotina do paciente é a verificação permanente dos níveis de imunização, além de exames visando descobrir qual é a situação de momento das massas ósseas, que podem vir a apresentar osteoporose.

As constantes oscilações de humor registradas em alguns pacientes, que podem inclusive desenvolver doenças graves, como a depressão, podem ser controladas através da participação em grupos de apoio, e por meio da adoção de psicoterapia.

Existem outras recomendações que podem contribuir para aprimorar a qualidade de vida do paciente. Assim, antes de se expor à luz solar, é aconselhável que os pacientes com lúpus tenham máxima cautela, utilizando não apenas protetor solar, mas também óculos escuros e vestimentas que protejam partes vulneráveis.

Fumar é um hábito que também precisa ser revisto, uma vez que, além de agravar os sintomas produzidos pelo lúpus, ainda amplia as chances de desenvolvimento de doenças que afetam o funcionamento do sistema cardiovascular.

O corpo deve ser exercitado regularmente, pois a rotina de treinamentos contribui para amenizar a influência do lúpus sobre o corpo de uma maneira geral. Por outro lado, existem pacientes que possam apresentar uma fadiga diária. Nestes casos, a melhor solução é priorizar períodos mais extensos de descanso.

Por fim, deve-se melhorar a qualidade do cardápio alimentar, priorizando o consumo de vegetais, frutas, e grãos.

O processo de melhora depende diretamente do grau de avanço do lúpus.

Possíveis complicações ocasionadas pelo lúpus

Caso a pessoa diagnosticada com lúpus não receba o devido tratamento, a doença pode evoluir e ocasionar consequências profundas em vários órgãos cruciais para o bom funcionamento do organismo.

Assim, insuficiência renal é um bom exemplo do que o lúpus pode acarretar. Na verdade, dentre todas as complicações que podem ser geradas pela doença, o comprometimento das funções renais está entre os principais motivos que levam o paciente à morte. Quando o lúpus agride os rins de forma intensa, o indivíduo pode apresentar inchaços, dores na região do peito, náuseas seguidas ou não de vômitos, e irritação na pele.

Outra complicação frequentemente causada pelo lúpus é a pleurisia, culminando em dores durante a execução dos movimentos respiratórios. Igualmente constantes são as anemias, e as vasculites (inflamações dos vasos sanguíneos).

Quando alcança o coração, o lúpus costuma dar origem a processos inflamatórios dos músculos que revestem o órgão, podendo também afetar o pericárdio, e as artérias. Os riscos de desenvolvimento de doenças ligadas ao sistema cardiovascular, e de ataques cardíacos também são consideravelmente elevados.

No cérebro, o lúpus manifesta sua presença através de cefaleias, vertigens, confusão mental, alucinações, alterações de comportamento, convulsões, e AVCs.

Pessoas diagnosticadas com lúpus se tornam mais suscetíveis a sofrerem infecções, já que a doença enfraquece o sistema imunológico. Além disso, o quadro é agravado nos casos em que se faz necessário o uso de remédios imunossupressores, que deixam os mecanismos de defesa do organismo ainda mais debilitados e ineficazes. Normalmente, os pacientes com lúpus desenvolvem infecções no trato respiratório e urinário, que podem ser provocadas por herpes, salmonela, ou fungos.

A necrose avascular é outra possível consequência grave. Neste caso, os conjuntos celulares que cobrem massas ósseas são exterminados, o que leva a contusões e, por conseguinte, à ruptura das articulações do corpo – particularmente aquelas situadas no entorno do quadril.

O lúpus também cria o ambiente propício tanto para o desenvolvimento de cânceres quanto para a evolução daqueles já existentes.

Finalmente, caso a gestante apresente lúpus, o processo de gravidez deve ter acompanhamento médico permanente, pois a doença aumenta a probabilidade de perda do feto. No entanto, de uma forma geral e desde que não apresentem qualquer complicação cardíaca ou disfunção nos rins, as mulheres grávidas conseguem prosseguir com a gestação sem grandes problemas. Nestas circunstâncias, existe uma grande chance de que o recém-nascido goze de excelente saúde.

Fotos de Lúpus