Mal de Alzheimer

Revisado por Reinaldo Rodrigues (Enfermeiro - Coren nº 491692) a 14 dezembro 2018

O Mal de Alzheimer, também conhecido como demência ou Doença de Alzheimer consiste na perda das funções cerebrais que ocorre como em certas doenças. A doença de Alzheimer (DA) é uma forma de demência que piora gradualmente ao longo do tempo. Afecta a memoria, capacidade cognitiva e o comportamento do ser humano.

Causas do Mal de Alzheimer

Uma pessoa está mais sujeita a desenvolver a doença de Alzheimer se:

• For idoso. Contudo, o desenvolvimento da DA não está ligado ao envelhecimento normal
• Tiver um parente de sangue, como um irmão, irmã ou pais com DA
• Possuir certos genes ligados à Doença de Alzheimer, tal como o alelo APOE épsilon 4

Os seguintes factores também podem aumentar o risco, apesar de ainda não estarem completamente provados:

• Ser do sexo feminino
• Ter a pressão arterial elevada durante muito tempo
• Histórico de trauma cranial

Existem dois tipos de Mal de Alzheimer:

• Doença de Alzheimer de início precoce: os sintomas surgem antes dos 60 anos. Este tipo é muito menos comum que o de início tardio, tendendo no entanto a piorar rapidamente. O início precoce é comum nas famílias, tendo sido identificados diversos genes relacionados.

• Doença de Alzheimer de início tardio: este é o tipo mais comum. Ocorre em pessoas a partir dos 60 anos. Também pode ser comum nas famílias, apesar d papel dos genes ser menos claro.

A causa da DA não é clara. Os seus genes e factores ambientais parecem desempenhar um papel. Já não se acredita que alumínio, chumbo e mercúrio no cérebro possam causar DA.

Sintomas do Mal de Alzheimer

Sintomas de demência incluem dificuldades em muitas áreas da função mental, incluindo:

• comportamento e personalidade emocional
• linguagem
• memória
• percepção
• julgamento e pensamento (capacidades cognitivas)

A demência aparece usualmente com sintomas de falta de memória. A Pré-demência, ou “Mild Cognitive Impairment”(MCI) é uma fase que se encontra entre o esquecimento normal devido ao envelhecimento e o desenvolvimento de DA. Pessoas com MCI têm ligeiros problemas com pensamento e memória que não interferem com actividades do quotidiano. Estas pessoas estão normalmente conscientes do esquecimento. Nem todas as pessoas com MCI desenvolvem mal de Alzheimer.

Os sintomas de MCI incluem:

• Dificuldades em executar mais que uma tarefa ao mesmo tempo
• Dificuldade em resolver problemas
• Esquecer eventos ou conversas recentes
• Necessidade de mais tempo para executar tarefas mais complexas

Os sintomas iniciais do Mal de Alzheimer podem incluir:

• Dificuldade em realizar tarefas que necessitem de algum raciocínio, mas que costumavam ser fáceis, como organizar as contas de casa, jogar jogos complexos e aprender novas informações e rotinas
• Perder-se em trajectos familiares
• Problemas de linguagem, tal como dificuldade em dizer o nome de objectos familiares
• Perda de interesse em coisas que previamente davam prazer, pouco entusiasmo
• Colocar objectos fora do sítio
• Mudanças de personalidade e perda de capacidades sociais

Conforme a DA piora, os sintomas tornam-se mais óbvios e interferem com a sua capacidade de tratar de si próprio. Os sintomas podem incluir:

• Mudança dos padrões de sono, acordar frequentemente durante a noite
• Delírios, depressão e agitação
• Dificuldade em realizar tarefas básicas, tais como preparar refeições, escolher o vestuário apropriado e conduzir
• Dificuldades em ler e escrever
• Esquecimento de detalhes acerca de eventos recentes
• Esquecer eventos da sua própria história de vida, perda de noção sobre quem é
• Alucinações, discussões e comportamento violento
• Má tomada de decisões e perda de capacidade de reconhecer perigos
• Usar as palavras erradas, pronunciar palavras de forma errada, usar frases confusas
• Retirar-se do contacto social

Pessoas com Doença de Alzheimer grave já não conseguem:

• Compreender linguagem
• Reconhecer membros da família
• Realizar actividades básicas da vida diária, como comer, vestir e tomar banho

Outros sintomas que podem ocorrer com a DA:

• incontinência
• dificuldade em engolir

Exames e testes de diagnóstico

Um médico experiente consegue normalmente diagnosticar a DA com os seguintes passos:

• Exame físico completo, incluindo um exame neurológico
• Questionário acerca do seu historial médico e sintomas
• Exame ao seu estado mental

O diagnóstico do Mal de Alzheimer é feito quando certos sintomas estão presentes, e depois de ser certificado que outras causas de demência não estão presentes. Podem ser feitos testes para excluir outras possíveis causas de demência, incluindo:

• anemia
• tumor cerebral
• infecção crónica
• intoxicação por medicação
• depressão grave
• enfarte
• doença da tiróide
• deficiência de vitaminas

Podem ser feitas uma tomografia computorizada (CT) ou uma ressonância magnética (MRI) ao cérebro para procurar por outras causas de demência, tais como um tumor ou um AVC.

• Nas fases inicias da demência, scans ao cérebro podem revelar resultados normais. Em fases mais avançadas, uma ressonância magnética pode revelar uma diminuição de tamanho em diferentes áreas do cérebro
• Apesar dos scans não confirmarem o diagnóstico de DA, eles excluem outras causas de demência (tal como AVC’s e tumores)

Contudo, a única forma de saber com certeza que alguém tem DA é examinar uma amostra do seu tecido cerebral após a morte. As seguintes alterações são mais comuns em tecidos cerebrais de pessoas com DA:

• “Emaranhados neurofibrilares” (fragmentos torcidos de proteínas nas células nervosas que entopem a célula)
• “Placas neuríticas” (aglomerados anormais de células nervosas, células cerebrais e proteínas mortas ou a morrer)
• “Placas senis” (áreas onde substâncias de células nervosas a morrer se acumularam em torno das proteínas)

Tratamento do Mal de Alzheimer

Não existe cura para o Mal de Alzheimer, os objectivos do tratamento são:

• Retardar a progressão da doença (apesar de isto ser difícil de fazer)
• Controlar os sintomas, tais como problemas de comportamento, confusão e problemas de sono
• Mudar o ambiente em casa de forma a conseguir efectuar as tarefas diárias
• Apoio de familiares

Tratamento com medicamentos

São usados medicamentos para ajudar a abrandar o ritmo a que os sintomas pioram. O benefício destes medicamentos é normalmente muito pequeno. Você e a sua família podem não notar melhorias. Antes de usar estes medicamentos, pergunte ao médico ou enfermeira:

• Quais são os efeitos secundários possíveis? Este medicamento vale o risco?
• Qual é a melhor altura, se houver, para usar estes medicamentos?

Medicamentos para a Doença de Alzheimer incluem:

• Donepezil (Aricept), rivastigmina (Exelon), andgalantamina (Razadyne, anteriormente chamado Reminyl). Os efeitos secundários incluem dores de estômago, diarreia, vómitos, cãibras musculares e fatiga.
• Memantina (Namenda). Possíveis efeitos secundários incluem agitação e ansiedade.

Podem ser necessários outros medicamentos para controlar a agressividade, agitação e comportamentos perigosos. Alguns exemplos incluem haloperidol, risperidona e quetiapina. Estes são normalmente administrados em doses muito pequenas devido aos riscos derivados dos efeitos secundários, que incluem o aumento do risco de morte.

Pode ser necessário interromper qualquer medicação que cause um aumento de confusão. Estes medicamentos podem incluir analgésicos, cimetidina, depressores do sistema nervoso central, anti-histamínicos, comprimidos para dormir entre outros. Nunca altere ou interrompa qualquer medicação sem antes falar com o seu médico.

Suplementos

Algumas pessoas acreditam que certas vitaminas e ervas podem ajudar a prevenir ou abrandar o Mal de Alzheimer.

• Não existem provas conclusivas que folato (vitamina B6), vitamina B12 e vitamina E previnam DA ou abrandem a doença quando esta ocorre.
• Estudos de alta qualidade não mostraram que ginkgobiloba diminua a hipótese de desenvolvimento de demência. Não deve usar ginkgo se estiver a tomar anticoagulantes como a varfarina (Coumadin) ou um tipo de antidepressivos chamados inibidores da monoamina oxidase.

Se estiver a considerar tomar medicamentos ou suplementos, deve falar primeiro com o seu médico. Lembre-se que ervas e suplementos vendidos sem receita médica podem não estar aprovados pelas entidades de saúde.

Grupos de apoio

Para informações adicionais e apoios para pessoas com doença de Alzheimer e as pessoas que delas cuida, contacte grupos de apoio para pacientes com Alzheimer. Em Portugal existe a associação www.alzheimerportugal.org .

Perspectivas

A velocidade com que a doença de Alzheimer piora depende de pessoas para pessoa. Se a DA se desenvolver rapidamente, é mais provável que também piore rapidamente. Os Pacientes com a doença morrem normalmente mais cedo que o habitual, apesar de um paciente poder viver de 3 a 20 anos depois de ser diagnosticado. A fase final da doença pode durar alguns meses ou vários anos. Durante este período de tempo, o paciente fica completamente incapacitado. A morte ocorre normalmente devido a infecções ou falhas de órgãos.

Possíveis complicações e riscos

• Abusos por parte de quem cuida do paciente
• escaras
• Perda de funções musculares que impossibilitam movimentos das articulações
• Infecção, por exemplo infecção do trato urinário e pneumonia
• Outras complicações relacionadas com a imobilidade
• Quedas e fracturas
• Comportamento agressivo e violento contra si próprio ou contra outros
• Perda de capacidade de cuidar de si próprio
• Perda de capacidade de interacção
• Malnutrição e desidratação

Quando deve contactar um médico

Deve contactar um médico se alguém próximo de si apresentar sinais de demência. Também deve contactar um médico se uma pessoa com DA apresentar mudanças bruscas no seu estado mental. Estas mudanças rápidas podem ser sinal de outra doença.

Deve entrar em contacto com um profissional de saúde se estiver a cuidar de uma pessoa com DA e não tiver possibilidade de a manter em sua casa.

Prevenção da doença de Alzheimer

Apesar de não existir nenhuma forma comprovada de prevenir o mal de Alzheimer, existem algumas práticas que podem ser incorporadas na sua rotina diária, particularmente se tiver um historial de família de demência. Fale com o seu médico acerca destas abordagens, especialmente aquelas que envolvem tomar medicamentos ou suplementos:

• Adopte uma dieta baixa em calorias
• Coma peixes de águas frias (como atum, salmão e cavala) ricos em ácidos gordos ómega 3, pelo menos 2 ou 3 vezes por semana
• Reduza o seu consumo de ácido linoleico encontrado em margarina, manteiga e produtos lácteos
• Aumente a quantidade de antioxidantes como carotenóides, vitamina E e vitamina C, consumindo muitos vegetais ou frutas de cores escuras
• Mantenha a sua pressão arterial normal
• Mantenha-se mentalmente e socialmente activo ao longo da sua vida
• Considere tomar anti-inflamatórios não-esteróides (AINE) como ibuprofeno (Advil, Motrin), sulindac (Clinoril), ou indometacina (Indocin). Estatinas, uma classe de medicamentos normalmente usada para o colesterol alto, pode ajudar a diminuir o risco de DA. Fale com o seu médico acerca dos prós e dos contras de usar estes medicamentos de forma preventiva. Adicionalmente, estão em processo testes iniciais para uma vacina contra a Doença de Alzheimer estão a ser realizados.