Mário Soares

Revisado por Andre a 28 outubro 2018

Mário Alberto Nobre Lopes Soares nasceu a 7 de Dezembro de 1924 em Lisboa. O seu pai, João Lopes Soares foi um conhecido sacerdote e professor, que se destacou por ter sido fundador do Colégio Moderno, ministro durante a Primeira República e combatente ativo do regime fascista de António Oliveira Salazar. Depois de deixar o sacerdócio casaria com Elisa Nobre Baptista, a mãe de Mário Soares.

Mário Soares Antes e Depois

A infância e juventude de Mário Soares foram passadas em Lisboa, onde apesar de ter recebido uma educação católica, começou a formar as suas crenças laicas e agnósticas. Tendo-se licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas e em Direito, pela Universidade de Lisboa, tornar-se-ia professor universitário em 1957. Contudo o seu percurso profissional seria condicionado pela sua atividade em grupos como o Movimento de Unidade Nacional Antifascista (MUNAF) e o Movimento de Unidade Democrática.

Mário Soares seria detido 12 vezes, passando mais de três anos na cadeia, até ser deportado sumariamente para a ilha de São Tomé, em 1968. Foi ainda enquanto estudante universitário que aderiu aos movimentos de resistência, fortemente influenciado pelo seu pai, em 1949 e em 1958 estaria envolvido nas candidaturas do General Norton de Matos e do General Humberto Delgado, à presidência de república. Em 1949, ainda na prisão Mário Soares casar-se-ia com a atriz Maria de Jesus Barroso, com quem iria ter dois filhos.

Depois de ser professor do ensino secundário, esteve à frente do Colégio Moderno, a instituição de ensino pertencente à sua família. Já como advogado, esteve na linha da frente, no que diz respeito à defesa dos presos políticos, e representaria ainda a família de Humberto Delgado, no processo de investigação sobre o seu assassinato. Mário Soares teria também um papel de relevo na Resistência Republicana e Socialista e candidatar-se-ia a deputado em 1965 e em 1969.

Depois de ser deportado para São Tomé, Mário Soares resolveria asilar-se em Roma, mas rapidamente se estabeleceria em França, onde daria aulas enquanto professor universitário. Em 1973, seria um dos fundadores do Partido Socialista, do qual seria o primeiro Secretário-Geral.

Depois do 25 de Abril, Soares e outros exilados políticos regressariam a Portugal, no que ficou conhecido como o “Comboio da Liberdade”. Dias depois estaria presente na receção a Álvaro Cunhal, futuro rival político. Tendo sido Ministro dos Negócios Estrangeiros entre 1974 e 1975, foi um dos grandes responsáveis pela independência das antigas colónias. Nos primeiros meses após a revolução começaram a surgir conflitos latentes entre o Partido Socialista de Soares e o Partido Comunista Português de Cunhal, motivados por ideologias políticas diferentes.

Em 1976, nas primeiras verdadeiras eleições nacionais, Mário Soares consegue a vitória, tornando-se Primeiro-Ministro. Contudo, face à incapacidade de chegar a acordo com Comunistas, o seu governo foi minoritário. A necessidade de adotar medidas de austeridade, quebrariam a popularidade de Mário Soares, forçando-o a apresentar a demissão em 1978.

Em 1983 seria novamente eleito Primeiro-Ministro, num mandado que ficaria marcado pela entrada de Portugal na Comunidade Económica Europeia. Apesar dos receios da opinião pública e da sociedade em geral, Mário Soares empenhou-se pessoalmente em alterar a linha de pensamento antieuropeia, tornando os portugueses favoráveis à adesão. Desde 1977, que Mário Soares negociava internacionalmente a adesão.

Em 1986, Mário Soares candidatar-se-ia à Presidência da República, tendo como principal adversário Diogo Freitas do Amaral. Numas eleições disputadas e marcadas pela incógnita, Mário Soares seria eleito Presidente da República por apenas 2%. Mário Soares manteria o cargo durante dois mandatos, entre 1986 e 1996. Durante os seus mandatos, ele daria início ao que designou de Presidência Aberta, uma medida que seria adotada também pelos seus sucessores.

A Presidência Aberta, consistia numa série de viagens pelo país, cada uma subordinada a um tema específico, como por exemplo o Ambiente. Apesar da iniciativa ter gerado algumas críticas, que consideravam que Mário Soares estava a ultrapassar o papel destinado ao Presidente da República, interferindo com as políticas governamentais, a generalidade da população recebeu com agrado a postura aberta de Mário Soares, que dessa forma transportava consigo a política para regiões remotas de Portugal. Durante a quase totalidade dos seus mandatos presidenciais, o governo foi comando por Aníbal Cavaco Silva, o seu maior rival de direita.

Em 1996, anuncia a sua retirada da vida política, que não viria a concretizar. Dois anos depois seria designado Presidente da Comissão Mundial Independente para os Oceanos. Entre 1999 e 2004 assumiria funções como deputado no Parlamento Europeu. Neste período presidiu ainda à Fundação Portugal África, ao Movimento Europeu e ao Comité Promotor do Contrato Mundial da Água.

Em 2004 seria candidato a presidente do Parlamento Europeu, sendo derrotado pela francesa Nicole Fontaine. Mário Soares revelaria mau perder, ao chamar “dona de casa” à sua adversária, após serem tornados públicos os resultados. Em 2006 então com 80 anos, volta a candidatar-se à Presidência da República Portuguesa. A sua candidatura iria ter um impacto negativo no Partido Socialista e no seu amigo Manuel Alegre.

Apesar de vários apelos para recuar, Mário Soares avançaria mesmo para as eleições, provocando uma dispersão dos votos normalmente afetos ao Partido Socialista que tiveram que optar por dois candidatos. Esta condicionante faria com que Cavaco Silva, fosse eleito com mais de 50% dos votos. Soares ficaria apenas em 3º lugar, com 400 mil votos a menos que Manuel Alegre.

Para além do seu percurso político Mário Soares tem sido um prolífico escritor, tendo editado até à data mais de 30 obras, entre as quais se destacam: Ideias Políticas e Sociais de Teófilo Braga, Escritos Políticos, Portugal Amordaçado, Escritos do Exílio, Portugal’s Sttrugle for Liberty, A Europa Connosco e O Futuro Será o Socialismo Democrático.

Soares fundaria em 1991, a Fundação Mário Soares. Uma instituição de utilidade pública sem fins lucrativos, centrada em torno da sua pessoa. No âmbito da Fundação foram criados a Casa-Museu da Fundação Mário Soares e o Centro Cultural João Soares, ambos situados num edifício situado em Cortes, nas proximidades de Leiria. Estas instalações dispõem de uma biblioteca e de vários espaços capazes de receber exposições temporárias.

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