Marvão

Revisado por Andre a 28 outubro 2018

Marvão, Imponente vila fortificada sobre um monte a pique, com 860 metros. É impressionante a vista das ameias do castelo. Antes de entrar nas muralhas visita a igreja e claustro do Convento da Estrela. O interior da vila preserva o encanto da atmosfera medieval, quando se passeia pelas ruas estreitas e escadinhas, encontrando arcos góticos, ferros forjados e alguns monumentos. Acerca destes, o eficiente posto de turismo dará informações, sobretudo como entrar em igrejas quase sempre fechadas, como as do Espírito Santo e a de Santiago.

A pé por Marvão – Por caminhos que nos mostram coisas raras num Alentejo que nada tem de plano.

O início do teu passeio pelo Parque Natural da Serra de São Mamede é num sítio que se chama Portagem. Se chegares lá de carro, estaciona-o no Largo das Almas que fica bem durante as próximas quatro horas à sombra dos choupos. Aí está a Igreja da Nossa Senhora da Rocha do século XVIII.

Ainda sem dar muito às pernas, atravessa a ponte quinhentista sobre o rio Sever que consta ser uma reconstrução de uma antiga ponte romana. A torre quadrada que vês é do século XIV mas hoje não cobra imposto, daí o nome da localidade. De regresso ao Largo das Almas uma placa com o símbolo do parque identifica onde começa o passeio. Marvão, está ali no cimo do monte mais alto que conseguires observar. Vais passar lá por perto.

Sem grandes preocupações, encontras sempre alterações ao teu percurso. Poucos metros à frente e à direita, a indicação (placa pintada de verde e branco) de mudança de rota para a esquerda. Do alcatrão sobes pela Calçada de Marvão medieval, assente num antigo caminho romano. Ladeiam esta via, castanheiros, sobreiros e carvalhos. Plantas como a giesta, carqueja e urze dão aroma ao caminho.

A calçada termina perto da igreja e do antigo Convento da Senhora da Estrela, a padroeira da vila. Mais uma vez uma vista panorâmica. Como não está aberto a visitas porque actualmente aloja um lar de idosos só podes visitar a igreja, mas antes pede a chave no lar. À sua frente, o cruzeiro manuelino em mármore tem degraus em granito. É do século XVI. A fonte que jorra o precioso líquido serve nesta altura para reabastecer as reservas de água.

Uma prova de fogo, sem dúvida. Mas tu és aventureiro e se quiseres fazer um pequeno desvio até Marvão, sobe o que falta para o topo do monte. Só não te esqueças que tens de regressar se quiseres terminar o percurso.

Subiste, subiste e agora vais ter que descer. Fácil, fácil. Já de seguida pela estrada alcatroada e depois, virando na primeira à direita, novamente por outro pedaço da calçada medieval até Abegoa. Ainda na parte inicial vês a fonte do concelho que na Idade Média abastecia a vila em tempo de paz. Consoante avanças apercebes-te de que as casas, apesar de serem pequenas, têm chaminés muito grandes. Eram os hábitos de se fazerem grandes lareiras para reunir a família à sua volta. Muita atenção também para os céus, volta e meia lá passa um melro azul ou até a águia-de-asa-redonda.

A direcção agora é Fonte Souto. É necessário mais atenção às marcas rectangulares amarelas e vermelhas que vão aparecer à direita. A calçada continua mas nós abandonamo-la indo no encalço dos carimbos feitos pelo parque. Há zonas onde se tem de ter as mãos livres para afastar a vegetação. Caminhamos sobre granito e quando o Sol está muito forte, até se nota a rocha a reluzir.

Em Fonte Souto faz um pequeno desvio de 25 metros para visitar uma capela. Está fechada e em péssimo estado de conservação. O interesse está no que vem a seguir. Duas sepulturas medievais cavadas na rocha. Impressionante, mas não se sabe quem lá se encontra.

Para trás é o caminho até se encontrarem as setas indicativas. Vamos pela estrada de terra batida onde rebanhos se apregoam ao longe através do som dos seus chocalhos. Dentro em breve já vamos encontrar a calçada de Marvão, um percurso que já te é familiar. A seguir, bom descanso.