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Médico de família e utente comunicam por e-mail

Publicado em 10/12/2009. Revisado por Equipe Editorial a 30 julho 2018

As novas tecnologias têm vindo a melhorar o funcionamento dos cuidados de saúde primários.

Nos centros de saúde, a relação entre médico e doente é próxima e o telefone tem sido um dos métodos utilizados para manter esse relacionamento.

Agora, chega o e-mail, que parece trazer ainda mais vantagens. Mónica Granja, médica de medicina geral e familiar do Centro de Saúde da Senhora da Hora e da Unidade Local de Saúde (ULS) de Matosinhos, recorre ao e-mail para comunicar com os seus doentes desde Outubro de 2006 e são muitas as vantagens que aponta.

“São muitas as melhorias que aponto.

Temos de estar disponíveis por um período de tempo o mais alargado possível, para tirar dúvidas. O telefone interrompe muito o nosso trabalho.

E se restringirmos o horário de atendimento do telefone, estamos a restringir o tempo para o doente.

O e-mail está sempre disponível e, em qualquer momento, lemos e respondemos.

Não serve para urgências mas serve para, de facto, manter a acessibilidade e a continuidade dos cuidados, duas características da medicina familiar”, comenta a médica.

Respostas rápidas

Durante os três anos de uso do e-mail para manter a proximidade como seu doente, Mónica Granja foi fazendo anotações.

O perfil de utilizador mais comum “é a mulher licenciada com idade entre os 30 e os 40 anos”, explica a autora.

O e-mail é uma ferramenta utilizada para colocar questões práticas, como interacções entre medicamentos, dúvidas sobre como atuar perante uma dor que se sente, entre outras questões sem carácter de urgência.

A apresentação de resultados de exames é um dos aspectos positivos apresentados por Mónica Granja.

“Quando, muitas vezes, o exame é para controlo de situações em que não esperamos alterações, o doente pode vir deixá-lo ao balcão e vir buscá-lo mais tarde, o que implica duas deslocações.

Pode marcar consulta, mas aí está a ocupar uma consulta quando, muitas vezes, é só para dizer que está tudo bem e é para continuar com os cuidados que já tinha.

Ou pode digitalizar e enviar por e-mail. Eu aprecio e mando uma resposta”, afirma Mónica Granja.

A médica comenta que vê os e-mails nos tempos livres que tem no período de trabalho e não considera existir uma sobrecarga do mesmo.

“Despendo cerca de um minuto e meio por cada e-mail”, confessa.

Mónica Granja considera ainda que a “a aspiração é incorporar os e-mails no registo clínico acessível”.

A especialista compilou as anotações que foi retirando ao longo deste três anos e fez um estudo.

A apresentação do mesmo decorreu no 14º Congresso Nacional de Medicina Geral e Familiar que aconteceu em Évora, de 8 a 10 de Novembro.

“O estudo é só sobre a minha experiência e surge para demonstrar que o uso do e-mail é uma mais-valia”, explica a responsável, concluindo que “nos Estados Unidos da América há já alguns estudos publicados, mas em Portugal não há nada”.

Resistência na utilização

No dia-a-dia, Mónica Granja depara-se com as mais variadas opiniões sobre a utilização do correio electrónico como meio de comunicação com o utente.

Confessa que quando começou a usar o e-mail havia já colegas que o faziam.

A médica sublinha ainda que houve colegas que, ao saberem da sua experiência, a acharam interessante, e só então se muniram das novas tecnologias no desempenho da sua profissão.

Depois, há os que “têm objecções, como a sobrecarga, porque este, tal como os telefonemas, é um trabalho não contabilizado. Têm receios quanto à confidencialidade.

Temem que se perca a personalização, o que não é verdade porque até existem assuntos que emergem mais facilmente por palavras escritas do que numa consulta presencial”, esclarece e reforça que “o e-mail não substitui nada, é só mais um canal”.

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