Medo do Parto – Perderei o controlo durante o parto?

Revisado por Equipe Editorial a 13 janeiro 2018

Medo do parto – Perderei o controlo durante o parto?

«Conforme se vai estando mais perto do nascimento do bebé, vão-se reavivando os antigos temores e dúvidas sobre a possibilidade de o ultrapassar», afirma a psicóloga Margarida Carralero. Durante este período a actividade onírica pode intensificar-se para acelerar a evolução psicológica da futura mamã. O medo à dor – e também certas técnicas, como a episiotomia -, acompanhado por um mais ou menos perceptível temor à morte serão os temores mais perceptíveis e característicos desta etapa.

Um testemunho

A atitude perante o parto, depende da forma como se desenvolveu a gestação.

Por exemplo, é frequente que as mães que desfrutaram de uma gravidez tranquila sintam um pouco de pena por perder esse contacto tão íntimo com o seu filho.

Rosário pontuou com um zero a identificação com a emoção «medo» num teste das classes de preparação para o parto. «Realmente não tinha nenhum temor.

A gravidez decorreu muito bem e a única coisa que me preocupava um pouco era que o bebé nascesse saudável, ainda que não pensasse nisso muito frequentemente. Mas, quando chegou a hora do parto e estava no hospital, os dentes começaram a bater como castanholas e todo o meu corpo tremia. Pensei que, como na noite anterior tinha estado numa festa, me tivesse constipado e assim, surpreendeu-me a pergunta da enfermeira: “Então minha querida, porque tem tanto medo?”. Respondi-lhe que não estava assustada, e ela disse-me com bom humor: “Pois você pode não ter medo, mas o seu inconsciente está com os cabelos em pé”. E não deixava de ter razão.

Outra apreensão muito comum é que durante o parto se perca o controlo dos nervos.

Os cursos de educação materna são de uma grande ajuda para enfrentar estes problemas. «Além disso, existem técnicas psicológicas que aumentam as emoções positivas de forma a que se anule o medo. Assim, a duração do parto reduz-se, as moléstias diminuem e a recuperação é mais rápida», explica a nossa assessora. Guardar estes sentimento é um grande erro, e a melhor forma para os combater consiste em expressá-los. Ao mesmo tempo, convém solicitar toda a informação necessária para esclarecer dúvidas e acalmá-las.

Cursos de preparação

Por este motivo, os curso de preparação para a maternidade consideram-se muito necessários. Muitas vezes, não dá tempo a que durante a consulta a mãe possa colocar todas as suas dúvidas; nestes cursos, a futura mãe recebe informações precisas, livres dos mitos e sensacionalismos tão comuns nas conversas de amigas. Além disso, tem ainda oportunidade de conhecer outras jovens na mesma situação e comentar com elas os seus temores, O efeito de descobrir que são compartilhados, proporciona um grande alívio.

Os homens também têm medos

Por um lado, a responsabilidade de ter um bebé e procurar o seu bem estar acarretará mudanças radicais na sua vida. Agora necessita de apoio do futuro papá. A ajuda e o apoio do companheiro é outro dos aspectos essenciais durante a gravidez.  O pai deve implicar-se no nascimento do seu filho durante a gestação.

A mulher necessita de sentir que o seu companheiro compartilha com ela esta etapa decisiva da sua vida; necessita, carinho, atenção e compreensão. Um simples piropo ou a demonstração de que a atracção continua a existir é uma grande ajuda para que se sinta melhor. Algumas das recomendações mais importantes são as seguintes:

– Aceitar os sentimentos ambíguos sem lhes dar mais importância do que a que têm.

– Inscrever-se num curso de preparação para a maternidade.

– Falar com outras futuras mães.

– Evitar o stress. Não deve deixar de se embelezar e devem praticar-se actividades não extenuantes.

– Em qualquer dúvida por mais pequena que seja, deve aconselhar-se com o médico para que a sua resposta a tranquilize.

– Compartilhar todos os sentimentos e emoções com o companheiro.

– A ajuda de um psicólogo pode tornar-se muito útil quando os medos não desaparecem ou, sobretudo, se chegarem a ser tão intensos que não permitam desfrutar da gravidez.

Porquê tantos temores no meio de tanta ilusão? A gestação é um passo para uma vida diferente e com mais responsabilidades, e como tudo o que é novo, assusta e cria ilusões.

Nascerá saudável? Serei capaz de o fazer tão bem como o fez a minha mãe? A grávida sente-se insegura perante a situação que se avizinha e teme não estar à altura. Os seus medos e ilusões reflectem a transformação que sofre a sua psique para se adaptar à nova situação: quando o bebé tiver nascido, deixará de ser filha para se converter em mãe.

Uma das suas preocupações é a saúde do futuro bebé.

Muitos homens manifestam medo – totalmente infundado – de prejudicar o feto durante as relações sexuais. O efeito que produz a entrada de um terceiro componente entre a relação do casal, obriga a um reajuste da relação. Assim, não é raro que o pai tema consciente ou inconscientemente ficar esquecido. «Uma vez que nasça o bebé, com uma relação tão íntima entre mãe e filho, qual será o meu lugar?», pode pensar.

Com estas inquietações, não é raro que o homem se feche em si próprio e durante os primeiros meses se produza um distanciamento no casal, que tem de vigiar-se. Mas, quando o bebé começa a dar pontapés e a converter-se numa realidade concreta, o habitual é que tudo volte à normalidade. No entanto, os futuros pais não devem esconder estes sentimentos. O correcto é que o expressem à sua companheira, e esta aja com compreensão e carinho.