Montanhismo

Revisado por Equipe Editorial a 13 janeiro 2018

Muitas vezes chamam de alpinismo àquilo que deveriam chamar montanhismo. Porquê a distinção? É que, se reparares bem, alpinismo é uma palavra derivada de Alpes. Se formos por aí o correcto seria chamar de andinismo às escaladas que se fazem nos Andes e himalaísmo às que se fazem no Himalaia… É claro que hoje em dia o termo alpinismo já está tão enraizado que ninguém se importa. Mas cada vez mais se usa o correcto: montanhismo.

A principal razão para se ter adoptado o termo alpinismo deve-se ao facto do montanhismo ter iniciado nos Alpes. A primeira escalada sobre rocha aconteceu em 1492 no Mont Aiguille (com 2085 metros, nos Alpes franceses) por Antoine de Ville de Dompjulien, um criado de Carlos VIII de França, que o escalou por sua ordem. Fez a subida usando escadas e outros artefactos.

Nem imaginas o furor que foi: é que até essa altura as pessoas pensavam que o alto das montanhas era habitado por dragões e outro seres fantásticos. Acreditavam tanto nisto que não houve escaladas dignas de registo até ao século XVIII! O próprio Mont Aiguille só foi de novo escalado em 1834, 342 anos depois!

Em 1786, um cientista chegou à conclusão que o topo de uma montanha nevada seria o lugar ideal para as suas experiências. Então lembrou-se de oferecer um prémio a quem conseguisse escalar o Monte Branco para mais tarde lhe servir de guia. Candidatos não faltaram e um ano depois o cientista encontrava-se no topo do monte onde realizou diversas experiências.

Quando, em 1856, um grupo de montanhistas subiu ao cume do Monte Branco sem a ajuda de um guia, as pessoas começaram a aperceber-se que o montanhismo poderia ser uma espécie de desporto. A popularidade começou a aumentar na Europa e a partir daí os cientistas deixaram de ter predominância total sobre os cimos das montanhas.

Um ano mais tarde surgiu a primeira associação de montanhismo do mundo: o Clube Alpino de Londres. Outros clubes parecidos foram aparecendo por toda a Europa e os cumes cedendo à vontade dos homens.

A partir dos anos 50 os montanhistas viram-se sem cumes virgens para escalar, mas não baixaram os braços: trataram logo de arranjar novas formas e vias para escalar os montes que já tinham sido “profanados” pela presença do Homem.

Hoje em dia o montanhismo está evoluiu muito e está difundido em vários países. Talvez porque agora possa contar com uma organização a nível mundial que fica a cargo da Union Internationale des Associations de l’Alpinisme.

E saiba que o montanhismo é muito mais do que andar só a trepar às montanhas: percorrer serras, trilhos e caminhos nas muitas elevações existentes também conta. Não é preciso andar pendurado nas rochas, nem ser perito em escaladas. Basta gostar de caminhar, de subir, de estar em contacto com a Natureza e querer descobrir esses locais mágicos.

Equipamento base para o montanhismo

Na hora de se preparar o equipamento a levar para uma expedição de montanhismo é necessário pensar-se muito bem no que é verdadeiramente essencial e no que se pode dispensar. Não te podes esquecer que se trata de uma escalada e quanto mais pesada estiver a mochila mais difícil vai ser a subida.

As opiniões divergem muito exactamente nessa tomada de decisão. Há quem diga que o melhor é levar o menos possível porque senão o atraso será inevitável. Felizmente a maioria dos montanhistas pensa que se deve levar o material necessário para se garantir uma expedição segura. Para estes um atraso não é o fim do mundo: pode-se sempre recomeçar a escalada outro dia. Além disso, o respeito pela montanha e pela segurança tem de prevalecer.

O melhor é colocares (pelo menos) estas coisas na tua mochila se te decidires por uma aventura nas montanhas:

Mapa – Indispensável para quem planeia uma expedição deste tipo. Não colocar um mapa (ou vários, dependendo do local e da necessidade) na mochila é o mesmo que partir sabendo de antemão que te vais perder. (Claro que não diremos isto a um guia ou a alguém que conheça muito bem a zona para onde vai, mas…) Se conseguires mapas militares, é o ideal, mas tens de saber lê-los. São excelentes porque a escala é muito pequena e têm indicados inúmeros pontos de referência.

Bússola – Idem idem, aspas aspas.

Lanternas – É importante incluir lanternas (à prova de água) ao material, principalmente se a viagem durar mais do que um dia (pois vais apanhar noites muito escuras). Não te esqueças de levar pilhas a mais para as lanternas.

Comida – Além da que calculaste ser suficiente para a duração da viagem convém teres alguma a mais para o caso de haver atrasos ou (esperemos que não) acidentes.

Roupa – Há roupa própria para montanhistas, mas não te podes esquecer de colocar roupa quente e impermeável (própria) para o caso da expedição ser em zonas com neve. Nota que a partir dos 1000 e poucos metros o tempo pode mudar sem aviso (para quem não o souber interpretar): um Sol radioso pode, de repente, transformar-se num nevoeiro com frio cortante.

Óculos de sol – Se a altura do monte a escalar for superior a 3000 metros fica a saber que os raios ultravioleta aumentam em cerca de 50%. É preciso proteger os olhos destes raios e a melhor forma de o fazer é utilizando óculos de sol coloridos. Mas compra-os com qualidade: lembra-te que os teus olhos é que pagam!

Estojo de primeiros socorros – O melhor é evitar os ferimentos, mas se acontecer alguma coisa é bom ter uma caixa de primeiros socorros por perto. Esta caixa deve ter pensos, desinfectante, tesoura, gaze e algo para bolhas e calos. Esta lista completa-se, é claro, consoante o tipo de expedição que pensas fazer.

Canivete – Não precisas de ser o MacGyver para perceber a importância de um canivete. Desde comer a ajudar na prestação de primeiros socorros o canivete serve para tudo.

Fósforos – Os fósforos devem ficar num local onde não apanhem água (nem que seja num saco de plástico bem fechado). E deves ter uns a mais, guardados separadamente dos outros para o caso de os perderes ou de se inutilizarem. Convém teres também umas velas e/ou briquetes de combustível sólido.

A água, os protectores solares e os repelentes de insectos devem ser uma constante na mochila de um campista de montanha. Mas para preparares bem as coisas o melhor é dares uma vista de olhos à página do acampamento

Bom, e como certamente não irás fazer montanhismo sozinho, sem guia, ou sem estares integrado num grupo com alguém com mais experiência (até a ganhares tu), aconselha-te, faz perguntas e aprende. Só tens a ganhar.

Boa expedição!