Noite da Consoada – Doçaria e Tradição

Revisado por Equipe Editorial a 13 janeiro 2018

Noite da Consoada – Doçaria e Tradição

Na noite da consoada para saborear o prazer do convívio e acolher em harmonia a magia da Noite Feliz, há uma especial preocupação com a elegância escolhida pela decoração da sala de jantar criada e sublinhada pela atenção posta em todos os detalhes, especialmente com os requintes das preparações gastronómicas. A luz cintila colorida em todos os enfeites de árvore de Natal.

O encanto da sua cordialidade, espelha-se nos brilhos das louças preferidas. Desperta em nós os valores das recordações e o desejo de que o espírito de Natal seja sentimento real de todos os dias – esperança para todas as pessoas de boa vontade.

No mesmo País, o Natal varia de região para região e, até mesmo, de terra para terra, dentro da mesma região. Neste sentido, se analisarmos os festejos de Natal, na região das Beiras, encontramos diferenças relativamente ao Alentejo. Assim, a ceia da consoada, na região das Beiras, baseia-se, fundamentalmente, no prato de bacalhau cozido com batatas e couves; arroz de cabidela, leitão recheado, cabrito assado e empadas de carne; no Alentejo, independente de se confeccionar este prato, são servidos outros pratos, como pescada frita, carne de porco com ameijoas, perú, empadas de galinha, carneiro assado, ensopado de borrego e, não raras vezes, uma sopa de feijão.

A variedade de doces é grande nas duas regiões, sendo, nas Beiras, tradicional servirem-se filhozes, fatias douradas, sonhos de abóbora, tigelada, pudim de abóbora, creme caseiro, papas de milho, leite creme, castanhas doces, pudim de pão, biscoitos de gema, gargantas de freira, talassas e os coscorões etc. Enquanto, no Alentejo, os doces são feitos à base de amêndoa ou grão como, por exemplo, as azevias, barrigas de freira, sericá, tibornas, toucinho do céu, bolodo fundo do alguidar, queijadas, tosquiados, nógado, rendinhas, mimosos e broas de mel.

Na região entre o Douro Litoral e a Beira Litoral, o menú da consoada é tradicionalmente composto de bolinhos de bacalhau com remoalho e perú recheado. A doçaria é muito variada e vai desde os formigos cesarenses, farta burros, até ao bolo de avelãs e passas.

Um pouco por todo o País, o tipo de pratos é extremamente variados, neste sentido e, no âmbito desta quadra tradicional, que faz as delícias familiares, como, por exemplo, a tarte de cebola com milho e bacon, bacalhau à marialva, postas de pescada à lusitana, lagarada com broa de milho, sinfonia do mar. Mas a carne é o ponto principal na mesa festiva. Dos pratos de carne, salienta-se o peito de perú com molho de queijo e pinhões, chateaubriand flamejada, lombo de porco com ananás e massa folhada, naco de novilho com amejoas.

Como sobremesas, entre delícias imprescindíveis, destacam-se o bolo de boas festas, o tronco de natal, o pudim de frutos, o bolo rei, maçãs do borralho com sopas de vinho, charlote especial. Mas a Festa exige igualmente os fritos tradicionais, como seja a filhó de palmo e meio, e rabanadas de doce de abóbora.

Por outro lado, a distribuição de prendas, em certos locais, ,faz-se por volta da meia-noite, antes da Missa do Galo. Noutras, as prendas são recebidas, na manhã do dia de Natal, junto ao sapatinho que se encontra ao lado da chaminé.

Na Beira, após a Missa do Galo, a população reune-se à volta de uma enorme fogueira que é feita geralmente no adro da igreja. Esta tradição, nos últimos anos, voltou a ter uma expressão significativa, após alguns interregnos que, nalgumas localidades Beirãs, se verificaram, devido, fundamentalmente, à escassez de pessoas, em alguns casos, motivada pela emigração. Há zonas em que a tradição reza que as prendas de Natal sãodadas pelo Menino Jesus. Porém, noutras zonas, o Pai Natal é apontado como o responsável por essas ofertas.

Pessoalmente, sinto que o Natal passado nas Beiras é mais Natal. Isto deve-se ao facto de ter a minha família concentrada nesta zona do País, aos frios intensos que, habitualmente, nessa época do ano, se fazem sentir, porque, não em raras vezes, neva. Não é por acaso que, após beijarmos o Menino Jesus, no términus da Missa do Galo, o aconchego da fogueira tem especial sabor. Por outro lado, o ajuntamento da população ao redor da fogueira, porporciona uma confraternização inesquecível e fortemente sentida pela solidariedade e fraternidade entre as pessoas, próprias desta quadra festiva que é o Natal.