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Novo curso de Medicina em Aveiro gera contestação

Publicado em 10/12/2009. Revisado por Equipe Editorial a 30 julho 2018

Tudo leva a crer que a Universidade de Aveiro (UA) vai ter um curso de Medicina no ano letivo de 2011/2012.

O anúncio oficial estará por dias e deverá ser feito pelo ministro Mariano Gago nas comemorações do aniversário da UA.

A especulação em torno de um nono curso de Medicina no País conduziu já a uma reacção de alguns dirigentes da Ordem dos Médicos (OM) que se opõem a mais um curso.

Está eminente o anúncio de mais um curso de Medicina na Universidade de Aveiro, que contará coma oposição da Ordem dos Médicos.

Já no passado, a OM tinha manifestado oposição relativamente à criação do curso nas Universidades do Minho, da Beira Interior e, mais recentemente, do Algarve.

Aquela instituição teve ainda sérias dúvidas sobre a realização dos dois primeiros anos do curso de Medicina nas Universidades da Madeira e dos Açores.

Em comunicado, o Conselho Regional do Centro (CRC) da OM é contra mais este curso na Universidade de Aveiro que redundará, dizem, “em prejuízo dos doentes” e não resolverá as dificuldades transitórias de recursos humanos que se sentirão nos próximos cinco anos pois “só daqui a dez anos começarão os primeiros licenciados a completar as respectivas especialidades, numa altura em que já terão sido ultrapassadas essas mesmas dificuldades”.

“Esse problema transitório será facilmente resolvido se o Governo atrair os médicos que estão actualmente perto da sua reforma para se manterem mais meia dúzia de anos no activo”, aludem.

Saúde com problema de organização

O CRC presidido pelo médico José Manuel Silva, candidato às próximas eleições da OM, considera que o atual problema da saúde em Portugal, “salvo algumas situações pontuais”, não reside na falta de médicos “mas sim de falta de organização, como reconheceu publicamente a própria ministra da Saúde, com toda a propriedade”.

Estes dirigentes sustentam que com “um pequeno investimento adicional”, à semelhança do que sucedeu com o programa específico de combate às listas de espera para as cataratas, é possível “rentabilizar a capacidade já instalada no SNS” e acabar com as listas de espera nesta patologia sem necessidade demais oftalmologistas.

Quer a Faculdade de Medicina do Algarve quer o “desnecessário Curso de Medicina de Aveiro se irão limitar a formar médicos para o desemprego ou para exportação”, alertam em comunicado.

Estes responsáveis da Ordem dos Médicos vão ainda mais longe e enfatizam a necessidade de se começar a diminuir o numerus clausus para a entrada em Medicina já a partir do próximo ano lectivo“para evitar o desemprego médico”.

É que a manter-se o actual número de vagas para entrada em Medicina, dentro de 30 anos, Portugal terá cerca de 60 mil médicos, “sem contar com os formados na Universidade do Algarve”, de Aveiro e em faculdades estrangeiras, um valor largamente superior às necessidades do País, concluem os dirigentes.

O CRC considera, pois, “um dever patriótico” questionar “as razões subjacentes a uma decisão exclusivamente política, contrária a critérios técnicos”, que custará ao país dezenas de milhões de euros e que “pretende proletarizar e indiferenciar a Medicina”.

Este órgão da OM volta a questionar a qualidade dos futuros licenciados pelo método em vigor no Algarve e que poderá vir a ser seguido em Aveiro.

NÚMEROS

41 846
era o número total de médicos inscritos em Portugal na OM, no final de 2007
1 047
era o número de médicos que deixou o Serviço Nacional de Saúde em 2007, resultado de abandono, reforma ou licença sem vencimento

1 782
é o número de vagas abertas para o ano lectivo de 2009-2010 nos oito cursos de Medicina leccionados no país

1 200
é o número aproximado de estudantes portugueses a tirar curso de Medicina no estrangeiro

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