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O Bebé Vem de nádegas

Publicado em 01/07/2010. Revisado por Equipe Editorial a 13 janeiro 2018

O Bebé Vem de nádegas – Uma rápida manobra permite, em alguns casos, corrigir a posição anormal do feto e evitar a cesariana.

Aproximadamente em 96 por cento dos fetos estão colocados de cabeça para baixo quando a gestação chega ao seu termo. Mas os 4 por cento de casos restantes fica sentado no útero da mãe, posição que se conhece como apresentação pélvica ou de nádegas.

Nestas condições, o parto vaginal torna-se complicado e perigoso, por ser a parte inferior do corpo do bebé (mais maleável e mole) a que vai abrir caminho ao resto, a cabeça pode ficar encravada a meio do caminho, o que pode ocasionar graves danos cerebrais no feto e, no pior dos casos a morte.

Para evitar riscos, nos dias de hoje, as apresentações de nádegas terminam maioritariamente em cesariana. E mais, o número de intervenções cirúrgicas motivadas por esta causa tem-se elevado muito nos últimos anos.
Este é o argumento principal que fez ressurgir uma antiga manobra obstétrica, mediante a qual se tenta modificar a posição desfavorável do bebé e assim possibilitar um parto natural.

A versão externa do feto – este é o nome que lhe dão os médicos – consiste em girar o corpo do bebé 180º sobre o seu eixo longitudinal, e assim transformar uma apresentação pélvica numa cefálica (cabeça para baixo). A operação, que se realiza pressionando com as mãos sobre o abdómen da grávida, tem séculos de existência e no início deste século era praticada muito amiúdo.
Os que hoje a praticam têm introduzido alterações com o objectivo da tornar mais segura. Contudo, há que dizer que conta com muito mais detractores do que adeptos. Sem ir mais longe, há países em que todo o pessoal clínico o recusa quase unanimemente.

Na maternidade de Grosshaderm, em Munich, na Alemanha, um dos países onde ressurgiu esta iniciativa, o Dr. Uwe Hassbargen – obstetra da citada clínica – afirma «nós propomos esta manobra unicamente quando a mãe e o bebé estão completamente sãos». A intervenção só se pode realizar a partir da 37ª semana de gestação. Assim, se o parto se desencadear, o bebé sobreviverá sem dificuldades.

Por outro lado, antes dessa data, e se o feto se mover com certa facilidade (caso o seu tamanho e o volume de líquido amniótico o permitam), pode ser que a posição de nádegas seja só transitória.

Para minimizar os riscos, os médicos tomam diversas precauções. Antes de começar, fazem uma ecografia para saberem exactamente como está colocado o feto, onde se encontra a placenta e onde está o cordão umbilical. Igualmente, até ao último minuto mãe e filho permanecem monitorizados, quer dizer, conectados a um aparelho que regista o batimento cardíaco do bebé e a existência ou não de contracções uterinas.

Entretanto, administra-se na mãe medicamentos para relaxar a musculatura uterina; isto facilita a volta e ao mesmo tempo faz com que o parto não se desenvolva. Caso surjam complicações, há uma equipa médica preparada para realizar uma cesariana de urgência.

Requer confiança e muita tranquilidade
Antes de “meter as mãos à obra”, os médicos explicam à grávida o que vai acontecer. «A mulher tem que saber que o bebé não vai ser acariciado, mas, literalmente empurrado». Assegura o Dr. Hassbargen. Aliás, «pode tornar-se desagradável e talvez um pouco doloroso, especialmente quando a criança fica momentaneamente atravessada no útero. É necessário que a mãe esteja motivada e disposta a suportá-lo; caso contrário, a manobra torna-se mais difícil».

Métodos  suaves
Existem mais técnicas para tentar modificar uma posição de nádegas. A diferença da versão externa e manual, é que as outras pretendem fazer com que o feto dê a volta por si próprio. A maioria dos profissionais de obstetrícia mostram-se cépticos perante estes sistemas alternativos, se bem que não se oponham a eles, dada a sua inócuidade (podem praticar-se, salvo que o ginecologista diga o contrário). Estes são alguns:

Acupunctura:
Os especialistas nesta forma de terapia oriental afirmam que se pode estimular o bebé a colocar-se de cabeça para baixo, mediante a aplicação de calor num ponto determinado dum pé da mãe. Isto provocará uma inquietude repentina no bebé, e levá-lo-á a tentar mudar de posição.

Haptonomia:
A técnica haptonómica, criada pelo médico holandês Frans Veldman, está baseada na capacidade de transmitir afecto através do tacto. Os que a aplicam, asseguram que mediante o contacto e comunicação afectivos de gestante com o seu bebé é possível conseguir uma grande distensão dos tecidos do útero (o efeito similar ao que se atinge com o relaxe) e, na maioria dos casos, a volta expontânea da criança.

Massagens:
O seu objectivo é conseguir o relaxe dos músculos da pélvis e do abdómen, com a finalidade de que o bebe disponha de mais espaço e seja mais fácil dar a volta. As massagens, combinam-se com posturas específicas e visualizações (a mãe deve concentrar-se no seu filho, induzindo-o para que dê a volta).

Exercícios posturais:
Baseiam-se na ideia de que, se a mãe mantém a cabeça mais baixa que o resto do corpo, a gravidade favorece que o bebé flutue até á parte superior do útero e, colando o seu queixo contra o peito, execute a rotação. Um dos exercícios consiste em deitar-se no solo e elevar a pélvis e as ancas (por exemplo, apoiando-se sobre almofadões grandes). Devendo permanecer assim entre 10 e 15 minutos várias vezes ao dia.

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