O fator Rh. Como afecta o bebé?

Revisado por Reinaldo Rodrigues (Enfermeiro - Coren nº 491692) a 12 dezembro 2018

O fator Rh. Como afecta o bebé?

O fator Rh do sangue e o grupo sanguíneo são as substâncias antigénicas distintas que formam parte da membrana dos glóbulos vermelhos. Saber se possui ou não o factor Rh e a que grupo sanguíneo se pertence tem especial relevância durante a gravidez.

Em que se diferencia o grupo sanguíneo do fator Rh?

Ambas as moléculas possuem funções diferentes, ainda não muito bem definidas, e distinguem-se pela sua composição. O Rh é constituído por proteínas e participa na manutenção da integridade da membrana dos glóbulos vermelhos. O grupo sanguíneo, formado por proteínas e açúcares, não participa desta função. A presença ou ausência do fator Rh e a existência de diferentes grupos sanguíneos faz com que as pessoas possam ser classificadas em grupos herméticos (A, B, AB) e num dos factores Rh (+ ou -).

Quando se produz incompatibilidade sanguínea?

Existe incompatibilidade quando uma pessoa possui um grupo e Rh determinados e outra pessoa os tem diferentes. A possibilidade de contacto entre grupo e Rh distintos entre si, como no caso da gravidez, transfusão ou transplante, pode provocar a produção de anticorpos que destruiriam os antígenos desconhecidos para o receptor.

A quem se pode doar e de quem se pode receber?

O grupo A pode receber sangue de A e O, e pode doar a A e, em alguns casos, a AB. O grupo B pode receber de B e de O, e pode doar a B e, em alguns casos a AB. O grupo O, chamado doador universal, pode doar, praticamente, a todos os grupos (A, B, O e, em alguns casos, a AB), mas ele só pode receber de O. O grupo AB pode receber de A, B, AB, e O, e doar a AB.

Que consequências tem para a gravidez ser Rh+ ou -?

Sempre que a gestante seja Rh+, não se apresentará nenhum problema. Visto que a mãe possui o antígeno do Rh+, não gerará anticorpos contra o factor Rh do bebé, seja positivo ou negativo. Se os pais são ambos Rh negativo ou positivo, o filho será Rh – no primeiro caso e Rh+ ou – no segundo, mas tão pouco surgirão problemas.

Que precauções há que tomar se a gestante é Rh-?

Quando a mulher é Rh- e o homem é Rh+, o filho pode herdar o Rh+ do pai. Se for assim, o sangue da mãe e o feto entram em contacto, ela pode reagir criando anticorpos anti Rh+. Portanto, é necessário saber se a grávida tem ou não anticorpos Rh+ de anteriores transfusões ou gravidezes. Se necessita deles, deve ser vigiada durante a gravidez para ver se aparecem, e se já os possui, é imprescindível controlar o desenvolvimento do feto pois pode apresentar uma doença hemolítica.

Que acontece se a mãe é Rh- e o filho herda o Rh+?

Se os anticorpos anti Rh+ passam da mãe para o feto, produz-se uma destruição dos hematíes fetais (hemólisis). Quando esta destruição é importante, o bebé sofrerá uma anemia hemolítica grave e poderá chegar a morrer dentro do útero materno. Daí a importância de vigiar permanentemente a evolução da gravidez de uma mamã Rh- mediante ecografias e inclusivamente amniocenteses. Depois do nascimento, a hemólisis contínua e, se não estiver controlada, a anemia hemolítica complica-se com a elevação da bilirrubina (pigmento derivado da hemoglobina), que poderia afectar o sistema nervoso do bebé e produzir danos neurológicos irreparáveis.

Que acontece nas sucessivas gestações se a mãe é Rh-?

Se a mãe já possui anticorpos da primeira gravidez ou aborto, continuará mantendo-os e poderá actuar sempre que o novo filho possua Rh+. A realidade demonstra que nos casais Rh incompatíveis (ela negativo, e ele positivo) só se produzem anticorpos anti Rh em 15 por cento dos casos. Isto deve-se a que, às vezes, a placenta actua como uma barreira e impede a passagem do sangue do primeiro filho para a mãe. Também pode dever-se a que o sangue materno não produza suficientes anticorpos para provocar alterações no feto.

Em que consiste o teste de Coombs e quando se realiza?

Esta prova permite detectar na gravidez se a mãe Rh- tem anticorpos perante os glóbulos vermelhos do feto. Em caso positivo e, se se produz uma doença importante no filho durante a gestação, terá de fazer-se uma transfusão intra-uterina de sangue Rh-. Se a doença é ligeira pode esperar-se o nascimento, estuda-se e vigia-se a criança e, se for necessário, troca-se o sangue depois do nascimento. Num processo de cerca de três horas, extrai-se lentamente o sangue com Rh+ e transfere-se-lhe para sangue Rh-, como o da mãe para corrigir a anemia e diminuir a quantidade de anticorpos e bilirrubina que circulam no sangue.

Quando é que é necessário administrar a vacina anti D?

Esta vacina é um preparado com anticorpos anti Rh que se deve ministrar por via intramuscular a todas as mulheres Rh- que tenham tido um filho Rh+ ou hajam sofrido um aborto, e naquelas que não se detectem anticorpos anti Rh. Habitualmente administra-se nas 72 horas posteriores ao parto ou aborto, com a finalidade que os anticorpos transportados destruam os hematíes do feto que tenham podido passar para a mãe.

Também se pode colocar á grávida se fez algum exame com derrame de sangue, como a amniocentese, que permita que o sangue da mãe e do feto entrem em contacto. A vacina anti D deve administrar-se em sucessivas gravidezes. Se o Rh da mãe é negativo, há que averiguar se tem ou não anticorpos Rh+.

Que Rh pode herdar o filho?

Se a mãe (representada pelo círculo e cruz até abaixo) tem Rh- e o pai (círculo com seta até acima) Rh+ (ou vice-versa) , o filho herdará o Rh de um dos pais (+ ou -). Por razões genéticas complexas, quando ambos os pais são Rh+, a criança pode ser Rh- ou +. Se os dois são Rh-, o filho também o será.

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