O medo e a saúde oral

O medo e a saúde oral

Num estudo inédito em Portugal, tentou perceber-se como é que o medo de ir ao dentista influência a nossa forma de encarar a saúde oral. Veja os resultados. Foi realizado um estudo que envolvia 400 pessoas, maioritariamente estudantes universitários, sobre qual a relação entre o medo e a saúde oral.

O facto da amostra ser constituída essencialmente por jovens torna o estudo interessante, pois avalia-se uma nova maneira de pensar de uma geração que já tem, ou terá brevemente, responsabilidade da educação de novos indivíduos. Como primeira curiosidade, refira-se que apenas 37,6% dos indivíduos afirma «não ter medo de ir ao dentista», os restantes 62,4% assume o medo. No grupo das pessoas com medo, 17% referem ter muito medo, quase pânico, de ir ao dentista; valores muito elevados em pleno século XXI.

A ida ao dentista tem diversos níveis de medo. Quer isto dizer que se marcar uma consulta e estar sentado na sala de espera não é «assustador», à medida que a cadeira se aproxima, os resultados indicam que o medo vai aumentado.

O que causa mais medo continua a ser a visão e o barulho da broca, bem como a seringa e a anestesia.

Menos medo do higienista oral

Sabemos que o medo de ir ao dentista é uma das principais causas de abstencionismo nos consultórios dentários. Este abstencionismo leva a que as pessoas deixem as situações de doença avançarem, criando assim lesões mais perigosas nos dentes e na gengiva, pondo em risco a integridade destes órgãos.

Ao termos medo, pelo menos pelos resultados encontrados, temos uma pior noção da nossa saúde oral. Este facto até poderia ser positivo. No entanto, esta percepção errada da saúde oral não leva as pessoas a recorrerem ao dentista. Talvez porque esta percepção não seja acompanhada, na maioria das vezes, de dor. E o medo é mais forte.

Os indivíduos que apresentam níveis de medo mais elevados apresentam também níveis de escovagem inferiores. Este facto pode significar que o medo e a necessidade de tratamento andam de mãos dadas. Acrescenta-se ainda o facto de que, como vão pouco ao dentista, não lhes é facultada a informação necessária para obterem bons níveis de saúde oral. Os resultados são iguais para o uso de fio ou fita dentária.

Este estudo indica-nos realmente que quando se tem medo vai-se menos ao dentista, mas revelou ainda algo curioso: as pessoas manifestam menos resistência em relação ao higienista oral. Estas consultas podem assim ser uma boa estratégia de diminuição dos medos. Até porque estes são profissionais virados para a interacção com o paciente.

De qualquer forma, é importante investir em consultas mais viradas para a pessoa, usando como base a psicologia da saúde. Para que isto aconteça, o trabalho em conjunto entre médicos dentistas (clinicamente muito bem preparados) e higienistas orais (especialmente vocacionados para a educação para a saúde) é a solução para a alteração de ideias, crenças e atitudes da população portuguesa. Desta forma, ganham os pacientes e os profissionais.