O Parto em boa companhia dói menos

Revisado por Equipe Editorial a 13 janeiro 2018

Em boa companhia dói menos!

Na maior parte das maternidades, as mulheres podem ter a seu lado a pessoa da sua confiança, geralmente o pai da criança, durante todo o processo, desde a admissão até ao nascimento do bebé. Não se trata de um capricho.

Para muitos especialistas, o apoio afectivo do acompanhante, torna-se essencial para a futura mãe, que se repercute favoravelmente no desenrolar do parto. Está demonstrado que, quando esta vivência é compartilhada, o processo é mais curto e ligeiro, e que as complicações diminuem.

O parto é um acto fisiológico sempre imprevisível e nunca isento de riscos. Nenhuma grávida pode saber antecipadamente e ter a certeza como vai decorrer, se demorará muito ou não, se tudo correrá bem, se o bebé nascerá saudável, se as dores serão suportáveis… Essa incerteza pode gerar dúvidas e temores, muitas vezes acrescidos por um medo ancestral que está associado ao acto de parir.

O pai é sempre o melhor companheiro
Os especialistas consultados são unanimes na sua opinião de que o pai é sempre a pessoa mais competente para estar junto da mulher durante o parto. «Ter um filho é um projecto do casal. Além disso, quando ele assiste, a integração afectiva entre o bebé, o pai e a mãe tem lugar desde o início», acrescenta a Drª Madalena Barata, obstetra no Hospital de Santa Maria em Lisboa.

Dando a maior importância a que o pai esteja presente nos últimos minutos da expulsão para dar as boas vindas ao seu filho, pois a sua intervenção no parto, não deve reduzir-se a entrar na sala de partos e a ser um simples espectador. «o parto é uma experiência e por isso a presença do pai não pode ser a dum um simples espectador», diz-nos a nossa obstetra.

Uma das maneiras de saber como pode colaborar e ser realmente útil em cada uma das fases é ir com a grávida aos cursos de educação materna, onde pode também aprendes as maneiras de actuação do futuro pai.
Mas, quando este não se preparou e, chegado o momento, não sabe muito bem o que fazer, só o efeito de estar junto da mulher, transmitindo-lhe confiança, serenidade e apoio, acaba por ser fundamental. «Ainda que, não faça nada, o apoio afectivo ajuda. O importante é que a mulher sinta que está acompanhada.

Ainda que não seja frequente, há ocasiões em que o pai não deseja assistir ao nascimento do filho. Segundo A Drª Madalena Barata, alguns homens têm uma ideia estranha do parto: identificam-no com a expulsão e sentem pânico da sala de partos, porque imaginam muito sangue, e têm medo de se descontrolarem, etc. «Se o pai não quer, devemos tentar convencê-lo, com tempo e com informação», aconselha a médica. Não deve ser obrigado, mas, deve explicar-se verdadeiramente o que se vai passar e qual é o seu lugar no processo, podendo assim acontecer que desapareçam as reticências iniciais.

Também pode acontecer que a mulher recuse a presença do futuro pai: isto, denota uma falta de confiança. O parto é um momento muito íntimo do casal. Se se marginaliza o pai, com justificações do tipo “põe-se nervoso” ou “não quero que me veja assim”, no fundo é como dizer “o bebé é meu”.

Quando, por qualquer razão, o pai não vai estar presente, os médicos recomendam que a mulher seja acompanhada por outra pessoa que seja capaz de assumir esse papel. Pode ser um amigo ou familiar, alguém com quem a futura mãe se sinta bem, em quem confie e com quem possa compartilhar a dor e o esforço do trabalho de parto.

Outra mulher (uma irmã ou uma amiga), que já tenha passado por essa experiência, pode ser uma boa opção. Por outro lado, a mãe não será nunca a companhia ideal.
«Quando se escolhe a figura materna, é porque se está à espera de protecção», diz a drª Madalena. «Durante o parto, o que a mulher põe em funcionamento não é o sentimento afectivo nem o racional, apenas o instinto protector: e a mulher, também instintivamente, passa a adoptar uma postura passiva, de deixar-se proteger, e isso não é nada bom para o desenvolver do parto».

Há no entanto, médicos que não estão de acordo, dizendo que no caso de mulheres imaturas, a mãe pode ter um efeito negativo; mas se se tratar de uma mulher equilibrada, que já cortou o cordão umbilical com a sua mãe e mantém com ela mais uma relação de “tu cá – tu lá”, de amizade, então a sua presença pode ser muito positiva.

Enfermeiras: uma ajuda muito valiosa
Tão importante como estar acompanhada é sentir-se apoiada por pessoas que auxiliam no parto. Se a mulher dá à luz sozinha, o apoio e a atenção do pessoal, especialmente das enfermeiras, é ainda mais necessária.

É evidente, que a relação parteira-parturiente não é sempre fácil. À redacção da Bebé d´Hoje, chegam testemunhos de todo o tipo: mães agradecidas pela ajuda e carinhos prestados e também queixas pelo tratamento recebido. É natural que por muito amável que seja uma profissional, nunca pode oferecer o afecto e o calor dum familiar.

A própria dinâmica das grandes maternidades não facilita as coisas; quando se tem de atender a vários partos simultaneamente, não é possível estar o tempo todo junto da futura mãe, agarrando-lhe a mão.
Mas, sobretudo, o que existe é um problema de comunicação: A comunicação interpessoal não é fácil em situações tão especiais como as do parto. Uma vezes, porque a empatia não funciona, outras a própria atitude da parturiente não facilita a comunicação. Isto, resolver-se-ia se o sistema permitisse a escolha correcta por parte das parturientes, da equipa de profissionais que vão estar envolvidos no processo, como acontece noutros países da Europa, de modo que as parturientes sejam assistidas no parte pela mesma equipa que foi vigiando a gravidez.