O Que fazer quando o Bebe não quer mamar?

Revisado por Reinaldo Rodrigues (Enfermeiro - Coren nº 491692) a 12 dezembro 2018

Que fazer quando o bebe não quer mamar?

Em certas ocasiões, tratam-se de episódios sem uma razão concreta e sem muita importância, que inclusivamente se resolvem por si mesmos. São mais frequentes durante as primeiras semanas, quando a mãe e o filho são «inexperientes».

Mas, se são duradoiros, a primeira coisa a fazer é procurar a causa. «E entretanto, ter muita paciência, não forçar nunca o bebé», diz a nossa assessora. «O peito não se dá ao bebé: oferece-se para que seja ele que o agarre. Devemos acariciar-lhe os lábios com o bico do peito e apertar suavemente o rosto contra o peito despido e ver se ele o quer agarrar. Sempre sem o forçar».

No caso de não querer mamar, a mãe deve retirar o leite e dar-lho com uma colherinha ou um copo para evitar o biberão. E, entretanto, deve continuar a oferecer-lhe o peito. Especialmente quando está a dormir, pois os bebés recusam o peito voluntariamente quando estão acordados e aceitam-no bem quando estão adormecidos. «Também é possível que não o aceite na postura clássica de mamar. É possível que já o tenham vacinado e, comprimindo as nádegas, sinta dor. Às vezes basta mudar-lhe a postura para conseguir que mame, como por exemplo, colocá-lo direito como se estivesse no canguru».

Investigando as causas pontuais, comprova-se que cada uma tem uma solução. Mas antes há que distinguir entre os bebés que recusam o peito desde o início (aqueles que nunca iniciaram bem a amamentação) e aqueles que começaram por mamar bem, mas num dado momento começaram a recusá-lo.

Quando o recém-nascido não aceita o peito, pode também tratar-se de uma má postura. «Ou de possíveis causas físicas, como o ter uma boca demasiado pequena ou o peito ser demasiado grande porque a auréola está demasiado tensa e faz com que o peito seja mais plano. Talvez ainda não possa apanhar o peito porque se lhe escapa de imediato.

Também pode acontecer que esteja meio adormecido pela anestesia que recebeu durante o parto, através da sua mãe, ou pelo que se denominam «interferências»: logo ao nascer, pode ter estado em contacto com chupetas, biberões ou tetinas.

Quando se trata de bebés imaturos, pode acontecer que não tenham ainda desenvolvido o reflexo de sucção. Há ocasiões, em o que acontece é dar-lhe de mamar demasiado tarde e perderam parte desse reflexo inato. Se os fazem esperar demasiado, perdem parte do reflexo de sucção. Alguns recuperam-no espontaneamente e outros têm que ser ajudados para que o façam mais lentamente.

Algumas doenças devidas ao parto, como pode acontecer com o torcicolis ou uma deslocação de ombros, produzem dor ao bebé pela posição e não quer mamar ou mama muito pouco. «Na realidade, qualquer alteração fisiológica o afecta na hora de mamar – comenta a pediatra -. Às vezes, as crianças dormem demasiado e não têm forças para agarrar o peito, porque são de baixo peso ou porque têm alguma situação clínica que lhe provoca cansaço e não estão tão dispostas como deveriam».

Causa de afastamento é também a tardia subida do leite no peito materno. No hospital, e para evitar problemas, dá-se ao bebé soro glicosado, de forma que as gotas de colostro lhe sabem a pouco; chupa-as, mas em seguida fica tenso, nervoso e afasta o peito. «Esse colostro seria alimento suficiente, e quando é a única coisa que encontra logo ao nascer, conforma-se; mas, se lhe dão outra coisa enquanto não sobe o leite, cada vez que a mãe lhe apresenta o peito, a criança ficará irritada.

De facto, é o que acontece quando é mais crescido e chega a hora do aleitamento misto – continua a médica -. Pode dar–se o caso contrário: mães que têm muito leite. Ao acontecer uma subida forte, há crianças a quem os jactos de leite as engasga, tossem… e como as incomoda, recusam o peito».

Se algo as incomoda recusam o peito

Pode acontecer que, tendo mamado sem problemas, comecem a recusar o peito. Um motivo frequente são os fungos na boca (candidíase), que com o roçar do peito se torna doloroso.

Outro problema é o catarro. Ao ter mucos e não poder respirar adequadamente, soltam o peito porque se engasgam. É um problema pontual que termina quando passam os catarros. O mesmo sucede com a dor de ouvidos: quando mamam movem os maxilares e isso produz mal-estar. se não se detecta essa dor, que às vezes não produz febre, a mãe não entende porque é que o seu filho não quer mamar. «Então, a primeira coisa que pensa é que comeu algo que o seu filho não gosta, quando a verdade é que há muito poucos alimentos que possam provocar irritabilidade ou recusa.

Não se deve suspeitar nem do leite nem da mãe. Pode ser que haja alterações no sabor do leite, mas podem ser devidos à ingestão de medicamentos por parte da mãe». Às vezes pode ser um problema de alergia a algo que a mãe tenha comido. Também há alterações quando se produz a menstruação ou uma nova gravidez. A criança pode recusar o leite pelo odor do peito se a mãe muda de creme, de desodorizante ou se aplica um tratamento sobre o peito, quando anteriormente não o fazia.

O seu carácter influi

Ao chegar ao terceiro mês produz-se uma alteração no seu carácter. Nota-se uma diferença entre o recém-nascido, que só come, dorme e não se distrai com nada, e o bebé de três meses que começa a mostrar-se ao mundo, dorme menos e distrai-se com qualquer coisa nova à sua volta: uma voz, uma luz diferente, um reflexo… Os bebés capazes de mamar em qualquer sítio apercebem-se de tudo o que acontece à sua volta e podem continuar sugando e soltando para ver o que é que fez ruído ou quem entrou no quarto.

Ao sexto mês, a recusa é motivada porque já se lhes dá comida sólida e não têm fome, ou porque se desinteressam de mamar e preferem outros alimentos. Quando o bebé já é mais crescido e se recusa a mamar, pode acontecer devido a uma «falha no aleitamento». Acontece, por exemplo, em crianças em que a mãe volta a trabalhar.

É uma atitude de «castigo» por tê-lo deixado sozinho. Em geral, toda a recusa antes do primeiro mês é uma «falha». Depois, se a criança vai reduzindo as tomas, pode pensar-se que a criança iniciou o desmame. Ao longo do aleitamento dão-se alterações na produção de leite. «No início há sempre muito porque a mãe tem mais do que o filho necessita – afirma a pediatra -, mas entre o segundo e o terceiro mês vai-se reduzindo a produção, ajustando-se às necessidades do bebé. Este, que se encontrava com leite abundante, tem agora que fazer movimentos de sucção como estimulação até que se produza a subida. E isto pode fazer com que cheguem a recusar o peito.

Não aguentam mamar com dor

A partir do segundo mês são frequentes as cólicas. Começam a mamar e, com o reflexo gastro-cólico, começa o movimento intestinal que desencadeia uma crise de cólicas. «Então, o bebé percebe que começar a mamar é começar a ter dores e, então, afasta a maminha. São crianças que ficam nervosas porque querem mamar e não podem. Há que retirá-los do peito e dar-lhe uma pequena massagem na barriguinha; inclusivamente extrair um pouco de leite e dar-lho por um copo. E quando acalmam, torna-se a dar-lhe o peito».

À criança que não arrota bem, pouco depois de começar a mamar, o ar que tem na barriga faz-lhe dores e larga o peito. Por último, pode ser que esteja suja: uma criança que tem a fralda suja, desde que tenha mamado um pouco, acalmado a fome mais premente, vai negar-se a continuar a mamar enquanto a mamã não lhe mude a fralda.

Se ganha peso e é saudável não é necessário preocupar-se. deve ter paciência e esperar que as coisas se resolvam por si mesmas. E se é necessário dar-lhe um complemento alimentar, não o façamos de imediato ao biberão, pois não só não soluciona os problemas, como muitas vezes piora.

Guia da Gravidez