Obesidade Infantil – Obesidade Na Adolescencia

Obesidade Infantil – obesidade na adolescencia

Numa altura em que a obesidade é reconhecida como a grande epidemia do sec XXI, com 20 por cento das crianças e adolescentes em todo o mundo a sofrerem de excesso de peso, ou mesmo de obesidade, as previsões não são optimistas e apontam para que, já em 2010, esse número cresça até à casa dos 15 milhões.fotoA obesidade na adolescencia eleva para 70 por cento o risco de uma criança se tornar um adulto obeso “com todo um cortejo de comorbilidades associadas”, refere Ângelo Ferreira.

“É a geração XXL”, aponta o cirurgião Ângelo Ferreira lembrando que a obesidade infantil eleva para 70 por cento o risco de uma criança se tornar um adulto obeso “com todo um cortejo de comorbilidades associadas”. O especialista em cirurgia bariátrica elege a banda gástrica como a técnica menos invasiva e eficaz quando as outras opções terapêuticas falham em jovens com obesidade mórbida.

Pode evitar-se que um adolescente obeso o seja?

A montante do problema é colocada a questão: pode evitar-se que um adolescente obeso o seja? A pergunta é pertinente e foi levada ao XIII Congresso Português de Obesidade – realizado no final do mês de Novembro – pela endocrinologista Helena Cardoso, tendo a própria de imediato respondido, “é preciso evitá-lo, e é para descobrir como pode ser isso possível que estamos todos reunidos”.
Para caracterizar o panorama da obesidade em Portugal, a clínica começou por recorrer aos resultados obtidos por Isabel do Carmo, da Sociedade para o Estudo da Obesidade, que compara a prevalência em homens e mulheres no período 1995/1998 com 2003/2005. Os números revelam que, em relação à obesidade, não se registou qualquer alteração, mas já a nível da pré-obesidade houve um aumento que se traduz num quadro preocupante, aponta para 53,6 por cento da população portuguesa com excesso de peso.
“Parece que a obesidade está a ser mais grave nas camadas mais jovens, comparando Portugal com outros países estamos mal colocados, com valores muito altos”, acrescenta a médica do Hospital de Santo António.
De facto, de acordo com números de 2004 da Organização Mundial de Saúde, Portugal só tem à frente a Grécia e a Itália.
“Perante isto temos que fazer algo, temos que prevenir”, defendeu Helena Cardoso dizendo que não basta sensibilizar a população, é preciso reivindicar uma regulamentação, “à semelhança do que aconteceu com o tabaco”.
Em Portugal, a Federação da Indústria Portuguesa agro-alimentar defende a auto-regulação tendo, no seu último congresso, assumido um compromisso que foi assinado por várias associações e 26 empresas, e que passa por, até ao final de 2010, implementar medidas voluntárias, específicas de cada empresa, ao nível da publicidade de géneros alimentícios dirigidos a crianças.
“É um primeiro passo, não é tudo o que queríamos, mas qualquer passo é bom”, entende Helena Cardoso.

Obesidade – Nutrição e exercício, o papel principal?

De acordo com dados da OMS, Portugal só tem à frente a Grécia e a Itália. “Perante isto temos que fazer algo, temos que prevenir”, defende Helena Cardoso.foto exercicio fisicoSe por um lado é sabido que são múltiplos os factores que determinam a obesidade, também é certo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, que existe evidência suficientemente convincente para atribuir aos alimentos de elevada densidade energética um papel causal.
A esse propósito, José Camolas lembrou que, nos EUA, a administração Obama optou por reduzir o tamanho das bebidas que são oferecidas.
Em Portugal, o nutricionista lembra que a “fast food” veio introduzir o hábito de consumir porções excessivamente grandes que depois é levado para casa e para a prática da vida familiar. “Existe alguma evidência que quantidades menores não teriam grandes problemas, mas que as actualmente consumidas podem ter aquilo a que chamamos comummente de acção obesogénica, indutora de um consumo excessivo. E mantém-se para a vida se instalado desde muito cedo, sobretudo em crianças que tenham alguns défices de saciedade como aqueles que vemos frequentemente”, lembrou Camolas apressando-se, no entanto, a lembrar que “isso não quer dizer que os problemas de obesidade se resolvem com um controlo nutricional”. E assim sendo, coloca a dúvida: “Como podemos tratar essas crianças e adolescentes, qual é a esperança? A resposta vai além do que se come e de umas caminhadas por dia”, garante o nutricionista. foto fast food macdonaldsEm Portugal, a fast food veio introduzir o hábito de consumir porções excessivamente grandes, que depois é levado para casa, acrescenta José Camolas.

José Camolas tem presente “o papel difícil do adolescente obeso”, alguém que tem muitos mais mecanismos, muito mais robustos, no sentido de gerar sobrecarga ponderal em relação aos que ajudariam numa redução ponderal. “Sabemos, por exemplo, que a propensão pelo doce, ou pelo açucarado, é maior nos indivíduos obesos, e sabemos ainda que o efeito de recompensa dado pelos alimentos hiper-calóricos é independente do sabor. Portanto, estamos a lutar contra mecanismos”, conclui o especialista em nutrição. Com base no testemunho de consultas diárias, lembra os adolescentes com excesso de peso que procuram ajuda e a quem os profissionais de saúde têm o dever de ajudar, “estão a debater-se contra mecanismos fisiológicos extremamente potentes que vão no sentido contrário daquilo que nós lhes pedimos para conseguir”, uma situação agravada pelo marketing excessivo a alimentos densamente calóricos.
Para este nutricionista do Hospital de Santa Maria, no tratamento de jovens obesos, importa saber expressar a empatia e a legítima preocupação que cada caso inspira, mostrar que são entendidas as dificuldades que sente todos os dias.

Obesidade – Cirurgia, o último recurso

A técnica duodenal switch “deveria ser perfeitamente proscrita para tratar um adolescente obeso dada a elevada taxa de complicações que podem estar associadas”, alerta Ângelo Ferreira.
Quando as terapêuticas falham e o adolescente reúne determinados requisitos, como ter obesidade mórbida com comorbilidades associadas, e não responde a tratamentos convencionais, Ângelo Ferreira defende a intervenção cirúrgica, mas reconhece que não existe grande experiência na área, “porque se trata de um problema com grande dificuldade de tratamento”. Ainda assim, a cirurgia bariátrica tem-se revelado como a única terapêutica eficaz em termos de redução de perda de peso e melhoria das comorbilidades associadas, mas é recomendada uma ponderação muito cautelosa da relação benefício/risco. “Todos os trabalhos apresentados até agora mostram que há uma redução efectiva de peso, com valores de redução na ordem dos 36 por cento dos IMC aos 5 anos, nomeadamente na cirurgia bypass, que é a mais realizada nos EUA. Mas o que é que acontece depois dos 10 anos de cirurgia? E quando estes doentes chegarem à terceira década, será que vai haver ganho de peso? Será que vão existir carências nutricionais?” E, uma vez mais, Ângelo Ferreira reconhece que ainda não existe, em cirurgia bariátrica, o recuo suficiente para fazer essa avaliação. A nível mundial, neste momento, a banda gástrica é a intervenção mais realizada, por ser uma técnica totalmente reversível e a menos invasiva de todas. Segue-se o bypass que, nos EUA, continua a ser a técnica de eleição, mesmo nos adolescentes.
Recentemente, surgiram alguns trabalhos a propósito do gastric sleeve e por fim do duodenal swictch, uma técnica que, no entender do cirurgião, “deveria ser perfeitamente proscrita para tratar um adolescente dada a elevada taxa de complicações que podem estar associadas”.

Esta é executada como uma operação de abertura e, portanto, requer uma incisão. É um processo de absorção "e é geralmente reservada para os obesos cujo IMC é superior a 60.

Esta é executada como uma operação de abertura e, portanto, requer uma incisão. É um processo de absorção “e é geralmente reservada para os obesos cujo IMC é superior a 60.

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