Pais que assistem ao parto

Revisado por Equipe Editorial a 13 janeiro 2018

Pais que assistem ao parto

Há alguns anos (na realidade, não muitos), os costumes exigiam que os pais adoptassem uma atitude masculina – leia-se, distanciada – das crianças ou dos cuidados dedicados aos seus bebés. Também parecia que o homem não era compatível em atender as necessidades de um recém-nascido. O parto, está claro, era o início de todo o processo. Então, se a natureza tinha decidido que as fêmeas humanas ficassem com a missão de criar e trazer os filhos ao mundo, o que faziam eles – os varões – na sala de partos? Evidentemente, nada. A sua participação limitava-se ao consumo de um punhado de cigarros enquanto percorriam a sala de espera para trás e para a frente sem parar.

As circunstâncias eram muito diferentes

É justo dizer que os padrões sociais dessa época não eram os únicos culpados dessa situação; o espaço disponível nos hospitais também não permitia adoptar um papel diferente aos varões. Felizmente para todos, o nosso estilo de vida mudou muito. O homem de hoje, está consciente da necessidade – e do prazer – de atender os próprios filhos. A maior parte exerce a sua paternidade desde o princípio e, embora nos primeiros dias se assustem ao pegar num bebé ao colo, logo depois atrevem-se com as fraldas, o banho, as brincadeiras…

Da mesma maneira, o homem está cada vez mais convencido de que tem um papel para assumir no parto. Mas ainda há muitos que precisam de um empurrãozinho para se decidirem a participar. Para dizer a verdade, é compreensível ter algumas hesitações. Trata-se de uma situação difícil de enfrentar para qualquer um. Por mais informações que se tenham obtido, por mais experiências que se possuam, nunca se está suficientemente seguro sobre o que se vai passar.

Por um lado, o homem está mais confuso do que a mulher: ele não sentiu o feto dentro de si. A única prova que existe é a grande barriguinha que com tanto orgulho a sua esposa exibe. Além disso, preocupa-se pelos momentos que ela vai passar (momentos que não poderá evitar-lhe e que, para cúmulo, a sua querida costela insiste em que ele presencie in situ…). São muitos sentimentos em simultâneo. Por isso, seja qual for o dia, o homem é geralmente apanhado um pouco desprevenido («É agora? Tens a certeza? Não deveríamos esperar um bocadinho?»). E a mulher – se bem que com algum temor – está mais pronta a enfrentar; as contracções são o sinal inequívoco de que o bebé está finalmente a bater à porta. Para o varão, ouvir a inquietante pergunta: «Querido, queres estar comigo no parto?», e começar a tremer é um momento. Mas, antes de recusar, ele tem de pensar no assunto duas vezes.

Quando começar a entrar em acção?

Salvo imprevistos extraordinários, o parto costuma começar na própria casa; desde que se sentem as primeiras dores até que se concretize o nascimento, transcorrem várias horas de dilatação. E já durante essa espera, o apoio do homem é uma ajuda verdadeiramente extraordinária. «A sua colaboração contribui muitíssimo para que a mãe supere o medo», afirma a Dra. Madalena Barata, obstetra do Hospital de Sta. Maria. Está provado que, na companhia do seu companheiro, a futura mãe relaxa-se melhor, sofre menos e o parto demora menos tempo. Mas o momento culminante – e o que mais assusta – é o expulsivo. Demora cerca de um quarto de hora e decorre dentro da sala de partos.

Pais no partoOs tempos mudaram. Agora os pais também assistem ao parto!