Parto – Entre a alegria e o medo

Revisado por Reinaldo Rodrigues (Enfermeiro - Coren nº 491692) a 12 dezembro 2018

Parto – Entre a alegria e o medo

O parto conclui um dos maiores esforços físicos e mentais que a mulher realiza ao longo da sua vida. Num momento tão especial, os sentimentos acumulam-se e torna-se compreensível que, por momentos, a protagonista passe do entusiasmo à desmoralização ou, inclusive, ao medo. É natural: as hormonas estão a trabalhar a “galope” e a futura mamã também.

Muitas vezes o nascimento é precedido de uma actividade extraordinária: à grávida, dá-lhe para arrumar a casa ou pôr-se a coser cortinas. São horas de impaciência e espera ansiosa que ocultam também um certo medo do parto. De certo modo, o “instinto de ninho” (a mãe prepara o lar para o seu filho) é uma estratégia do inconsciente que contribui para apaziguar os temores. Nestes dias, alguns casais vivem o típico “falso alarme” e apresentam-se no hospital antes do tempo. Com frequência, trata-se de uma espécie de ensaio geral que o organismo feminino organiza, muito sabiamente, para assegurar-se de que, no dia D, não lhe escapará nenhum detalhe. Quando, por fim, a futura mamã reconhece que o parto vai ser “a sério” pode aparecer uma certa angústia misturada, curiosamente, com uma grande ilusão pela iminente chegada do bebé. Neste momento, algumas mulheres comprovam que muitas das suas dúvidas – «Saberei distinguir a hora do parto?»; «Diferenciarei as contracções?» – desaparecem de repente.

O que se passa com o meu corpo? Não saber o que acontece ao organismo é uma imensa fonte de angústia. Pode-se evitar de alguma maneira? Claro que sim: durante a gravidez deve informar-se (no curso de preparação para o parto, por exemplo), mas, além disso, no dia do nascimento é necessário exigir que os profissionais nos mantenham ao corrente do que estamos a experimentar. Um medo frequente é pensar que o nascimento pode acabar mal. No entanto, a imensa maioria dos partos tem um final feliz. Na maternidade a mulher está rodeada de profissionais e meios técnicos suficientes, para resolver todos os problemas.

Não vou conseguir aguentar a dor! Na verdade, não é para tanto. As técnica de relaxação e respiração aprendidas durante a gravidez, tornam-se uma grande ajuda nos momentos de maior tensão. Além disso, o pior que pode fazer é adoptar uma atitude negativa e pensar que não vai ser capaz de suportar o sofrimento. Os especialistas consultados asseguram, além disso – atenção leitores homens – que durante o parto convém acariciar o abdómen feminino. Com esta sensível manobra, o feto sente-se protegido (nascer constitui uma dura prova também para ele) e a futura mamã fica mais tranquila. Mas se as carícias não representam suficiente consolo, na maioria dos hospitais existe um invento que (salvo raras excepções) elimina absolutamente a dor no parto. Referimo-nos à anestesia epidural. E, para as que não a querem, esclarecemos que a natureza também tem o seu grãozinho de areia: ao longo do parto, aumenta progressivamente o nível de betaendorfinas, umas substâncias que actuam como analgésico natural e ajudam a ultrapassar as dores. Há alturas em que a parturiente adopta uma atitude regressiva e vive o parto como uma menina não participativa (em lugar de actuar como uma mulher disposta a colaborar). A presença do companheiro pode ser a melhor terapia, já que a mãe da grávida pode adoptar uma atitude demasiado protectora. Com o seu companheiro, a mulher sente-se mais adulta e capacitada para enfrentar na situação.

A expulsão: a hora da verdade

É o momento culminante e o mais palpitante do parto. De repente, tudo parece acontecer num único segundo. «O José Maria mostrou a sua carinha no o exterior e, imediatamente, todo o seu corpo. Foi uma sensação incrível, muito emocionante», recorda Maria José. Quando sai o bebé, a mãe experimenta uma sensação de alívio (termina a dor e a tensão física) e além disso, com frequência, uma extrema felicidade. «Colocaram a bebé em cima de mim e, eu e o meu marido, começámos a chorar», relata Inês Santos. Outras vezes podem surgir sentimentos de confusão ou perplexidade por uns instantes. «Acreditei que me sentiria mãe de imediato, mas não foi assim. Além disso, o bebé não era tão bonito como eu o havia imaginado», conta Magda Soares. Em geral, ver em seguida o pequenino, contribui para que a mulher recupere antes o sentido da realidade. Algumas vezes há que utilizar o fórceps ou o nascimento acaba em cesariana e a mulher pode sentir medo, frustração ou decepção («não soube dar à luz»). Por sorte, o crescente uso da epidural facilita uma vivência mais alegre das cesarianas porque a mãe permanece acordada todo o tempo.

Conselhos para um parto feliz

Durante a gravidez:

· Tem que informar-se bem: com o medo aumenta a dor; saber o que se pode passar reduz a ansiedade.

· Exercício: visualização frequente do parto de uma forma realista e positiva. Imaginar-se forte, superando a dor.

O dia do parto:

· Queixar-se e gemer, sem perder o controlo, tem efeitos positivos. O corpo responde melhor quando a mulher expressa as suas emoções sem medo dos comentários.

· Também ajuda concentrar-se na felicidade de que, daí a minutos, terá o bebé nos seus braços.

· Exercício: Visualizar a passagem do bebé pelo colo do útero e ajudá-lo mentalmente.

A família:

· Convém falar com os familiares e deixar-lhes claro se desejamos que estejam presentes ou não na maternidade, no dia do parto.

· O futuro papá deve saber com precisão o que se espera dele nesse dia.

Se além disso, participar no curso de preparação para o parto, terá boas ideias para pôr em prática.