Pele do bebé – cuidados de higiene

Revisado por Reinaldo Rodrigues (Enfermeiro - Coren nº 491692) a 12 dezembro 2018

Pele do bebé – cuidados de higiene

O nascimento e primeiros tempos de vida de um bebé revestem-se de grande importância e intensidade emocional para os pais. Para desfrutarem destes momentos, sentindo total disponibilidade para se dedicarem ao bebé, é importante preparar com antecedência alguns cuidados fundamentais. Os cuidados de higiene e os cuidados com a pele constituem uma oportunidade de intervenção da farmácia através da prestação de aconselhamento farmacêutico, tirando partido do conhecimento de aspectos da fisiologia da pele do bebé e das variadas opções de produtos especificamente formulados para uma pele tão sensível.

Pele Delicada e imatura
A pele do recém-nascido é um órgão imaturo que demora dois a três anos a adquirir todas as suas qualidades e funcionalidades. Apesar de estruturalmente semelhante à pele do adulto, à nascença a pele é mais fina, frágil e susceptível à agressão química (ex. produtos de aplicação tópica), física ou mecânica (ex. sol, abrasão) ou à infecção. As principais diferenças entre a pele de um bebé e a pele do adulto são:

• Epiderme e derme de reduzida espessura (4 vezes menos), camada córnea também mais fina e com menor aderência entre as suas células;
• Fibras de colagénio e de elastina em menor quantidade e menos funcionais;
• Inexistência de filme hidrolipídico protector, devido à hipofunção das glândulas sebáceas e sudoríparas, o que resulta numa fraca protecção contra a desidratação e a secura;
• pH mais elevado, próximo do neutro.

Para além destas diferenças, há que ter em conta que a relação entre a superfície corporal e o peso do recém-nascido é muito mais elevada que no adulto, o que aumenta o risco de toxicidade por absorção sistémica de substâncias de aplicação tópica.

Higiene e Banho
Mais do que um hábito de higiene, o banho é um momento que, desde o primeiro dia, deve trazer conforto ao bebé e reforçar a proximidade com os pais. Também neste caso tudo deve estar preparado, incluindo os produtos para limpeza da pele que devem ser tante a utilização de creme hidratante e emoliente para evitar a desidratação e secura ou para tratar dermites irritativas. Para a limpeza esporádica de pequenas áreas de pele, pode utilizar-se uma compressa com soro fisiológico ou produtos que não exijam enxaguamento, tais como a água ou leite de limpeza.

Olhos, ouvidos, nariz e unhas
Com alguma frequência surgem pequenos problemas nos olhos, como o canal lacrimal entupido ou conjuntivite. Os olhos devem ser limpos com uma gaze estéril embebida em cotonete em movimentos circulares, lentos e suaves. Para evitar que o bebé se arranhe, devem cortar-se as unhas com tesouras apropriadas de pontas arredondadas e depois limar.

Cuidados com o cordão umbilical
Os cuidados essenciais com o cordão umbilical têm como objectivo deixá-lo secar evitando infecção bacteriana. Assim recomenda-se lavar no banho, e aplicar álcool a 70ºC (puro sem cetrimida) numa compressa embebida para desinfectar esta zona e ajudar a secar. O cordão deve ser deixado ao ar, não especificamente formulados para bebés. As principais características a que devem obedecer estes produtos são a ausência de detergente, álcool, perfume e conservantes (parabenos), minimizando desta forma os riscos de toxicidade e alergia local e sistémica.

As opções são muitas, podendo optar-se por leites de limpeza “pains surgras” ou, mais recentemente, cremes de lavagem, que numa primeira fase podem ser utilizados no corpo e na cabeça. Após o banho é igualmente impor soro fisiológico, uma para cada olho, no sentido nariz-orelha, de modo a promover a drenagem do canal lacrimal
e prevenir infecções. Quanto aos ouvidos é apenas necessário eliminar a água que possa ter entrado durante o banho, limpando a parte externa do pavilhão auditivo com uma compressa, nunca com cotonetes. No nariz é indicado usar soro fisiológico, sempre em unidose, para limpar e hidratar a mucosa do nariz. Se houver secreções visíveis, podem remover-se com a ponta de um sendo recomendada actualmente a utilização de faixas ou ligaduras.

Muda da fralda e dermite da fralda
A limpeza da pele da zona da fralda é essencial para remover todos os resíduos de fezes e urina. Pode utilizar-se água morna, produtos de limpeza sem enxaguamento ou toalhetes, secando depois cuidadosamente a pele antes de colocar a nova fralda. A aplicação de creme não é obrigatória em todas as mudas, sendo recomendada após dejecção ou se a muda da fralda coincide com uma altura do dia em que é habitual o bebé defecar . Em situações de dermite ou eritema da fralda, a pele da área da fralda encontra-se vermelha, podendo apresentar pequenas vesículas ou feridas. Os principais cuidados são:

• Mudar frequentemente a fralda – o contacto prolongado da pele com urina ou fezes, é a principal causa de dermite da fralda, que pode complicar com infecção bacteriana ou fúngica. A fralda, quando não mudada com frequência, promove um ambiente húmido propício à maceração da pele, sendo esta situação agravada pelo efeito oclusivo e pela fricção da fralda com a pele. Adicionalmente, as enzimas fecais (lipases e proteases) tornam-se activas em pH alto, que é proporcionado pela acção das bactérias ao metabolizarem a ureia da urina em amónia;
• Lavar suavemente com água morna ou produtos de limpeza sem enxaguamento, secando cuidadosamente com toques suaves (sem esfregar);
• Deixar a pele ao ar, sem fralda, o maior tempo possível, particularmente durante as alturas da muda;
• Aplicar uma camada generosa de creme com óxido de zinco (acção protectora com algumas propriedades antisépticas e adstringentes);
• Caso existam lesões pruriginosas, com manchas escamosas brancas mais frequentes nas áreas das pregas, é provável se esteja perante uma infecção por Candida albicans ou bacteriana; pode ser necessário, após avaliação médica, a aplicação de antifúngicos ou antibacterianos tópicos;
• Se houver suspeita de alergia à fralda, deve mudar-se a marca das fraldas.

Dermite seborreica – Crosta láctea
A exposição nas últimas semanas de gestação a níveis elevados de hormonas maternas pode desencadear no RN a estimulação das glândulas sebáceas, com consequente produção excessiva de sebo. Esta situação pode dar origem ao aparecimento de escamas oleosas e amareladas – crosta láctea – uma perturbação frequente (afecta 2 em cada 3 bebés), inestética, mas sem gravidade, que atinge geralmente a pele da cabeça (mas pode também afectar partes do corpo com maior quantidade de glândulas sebáceas tais como rosto, pescoço, atrás das orelhas, peito e nádegas).

A crosta láctea aparece geralmente nas primeiras semanas de vida desaparecendo por volta dos 7 meses. Em casos ligeiros, a lavagem diária e massagem suave com o champô indicado para bebé pode ser suficiente para amolecer e soltar as crostas. Caso este cuidado não seja suficiente pode aplicar-se um óleo de bebé para soltar as crostas nas zonas afectadas, deixar actuar massajando antes de lavar com o champô. Em situações mais persistentes, poderão utilizar-se cremes, loções ou champôs específicos para a eliminação da crosta láctea.