Plaka – Antigo Bairro Localizado no centro histórico de Atenas (Grécia)

Revisado por Equipe Editorial a 13 janeiro 2018

A maioria dos turistas gostaria que Atenas inteira fosse igual a Plaka. Situada no centro histórico de Atenas (Grécia) aos pés da Acrópole Plaka é a zona mais antiga da cidade de Atenas, livre ou quase da circulação automóvel e demais chagas modernas que lhe conferem má reputação. Uma área de recreio por excelência, hiper comercial e turística, mas nem por isso menos atraente, pois integra um fantástico património construído onde se cruzam todas as épocas numa espécie de parque lúdico da história.

Está repleta de jóias da antiguidade, do monumento de Lysicrato, colosso de mármore que data de 334 a.C., à Torre dos Ventos, construída sob o reino de Júlio Cesar no século I antes da nossa era, passando pela Ágora romana, vasto quadrilátero onde se concentrava a actividade comercial da cidade. A escassos metros ou mesmo coladas a estes locais arqueológicos há mesquitas, como a Fetiye Djami, erigida para comemorar a conquista de Constantinopla (séc. XV), igrejas de todos os tamanhos e feitios, desde a Sotíra Lykodimou (séc. XI), maior edifício medieval de Atenas, até à intimista Taxiarques (sécs. XI-II), repleta de frescos luminosos.

Pelo meio descobrem-se pequenos museus, incluindo o de Arte Popular Grega, mostra das tradições das várias regiões do país, o Kanelópoulos, que resume a evolução histórica da arte na Grécia, ou o da Música que integra uma colecção de 1200 instrumentos de música popular desde o século XVIII até aos nossos dias. Para além das ruínas, templos e museus, merece ainda atenção a arquitectura civil do apertado traçado urbano datado do século XIX, dominado por quarteirões de elegantes edifícios neoclássicos, ou, mais acima na colina, essa espécie de aldeia que é Anafiotika, bairro de pequenas casas edificiado na borda da muralha do Partenon pelos pedreiros emigrados da ilha de Anafi.

Por cada um destes testemunhos de épocas passadas que se conservam há mil outros sacrificados, uns arrasados para sempre, outros redescobertos e recuperados, implicando o desaparecimento daqueles que lhes sobrepuseram. No século XVIII, por exemplo, Ali Hadji Haseki, então governador de Atenas, mandou demolir um número significativo de obras-primas da Antiguidade para as substituir por uma muralha em torno do Parténon, empreitada que só não foi mais devastadora porque o sultão descobriu e mandou cortar-lhe a cabeça. Mais recentemente, o zelo dos arqueólogos ditou o desaparecimento de quarteirões inteiros de lindíssimos edifícios neoclássicos, para exibir pouco mais que colunas partidas e vestígios de casas milenárias.

Claro que o visitante acidental não se dá conta desta guerra surda, mas persistente entre o que se vê e o que subjaz. O que se lhe oferece, pelo contrário, é um cenário de quase milagrosa harmonia, onde edifícios e monumentos das mais diversas épocas e civilizações convivem e parecem encaixar-se em caprichosos jogos de engenharia urbana. Encruzilhada da história, a Plaka reflecte igualmente o duplo ritmo a que bate o coração ateniente: cosmopolita e trepidante nas suas principais vias pedonais – Kidatheneon e Adrianou -, no entanto, a Plaka recupera no seu dédalo de ruelas secundárias a placidez e o silêncio, mais próprios a uma terra de província.

Regressando às áreas mais comerciais é preciso acrescentar que não são tão exploradoras quanto se poderia esperar. Há sobretudo restaurantes, geladarias e cafés muito agradáveis, em particular aqueles que têm mesas na rua na frondosa praça Filomoússou Eterias e nas escadarias periféricas ao Parthenon. Os menus podem estar em meia dúzia de língua e os criados assediaram (amavelmente) quem passa, mas em geral a comida é boa e os preços razoáveis (tirando as bebidas). Aqui e ali encontram-se ainda velhas tabernas que mantém a tradição, como a célebre Platanos, e lojas centenárias, nomeadamente a imperdível Brettos, a casa de bebidas mais antiga da cidade onde a vista se perde nas estantes de garrafas coloridas alinhadas até ao tecto.