Planear um filho – Dias férteis e Check Up geral

Planear um filho

Preparar-se antes para ter um bebé evita riscos desnecessários para a saúde do bebé e permite ao casal imaginar que vão ser pais. Planeamos com muito tempo de antecipação as férias de Verão, a compra de um automóvel ou um local onde passaremos a passagem do ano…

Sem dúvida, a gravidez ainda que seja a decisão mais importante que as pessoas podem tomar ao longo das suas vidas, raras são as vezes que se planifica. Quando se quer um filho, deixa-se na mãos da natureza e esta, mesmo sendo muito sábia, nem sempre escolhe o melhor momento. Para planear a gravidez não quer dizer somente calcular o mês em que se deseja que nasça o bebé. É algo muito mais importante para a saúde e a vida do futuro bebé. Trata-se de rastrear para que a concepção se produza no melhor momento físico dos pais. Para isso, nada melhor que dirigir-se à consulta do seu ginecologista e, durante um período que os especialistas fixam em três meses (como mínimo deveria ser um mês), viver da mesma forma saudável que o fariam se o seu filho já estivesse a caminho

Dias férteis e métodos para determiná-los

Só durante as 24 horas seguintes à ovulação é possível conceber um filho (a espécie humana não se reproduz facilmente). Mas, ao não ser possível calcular este momento com total exactidão, considera-se que ao longo de cada ciclo existem cinco dias férteis: o da ovulação e os dois anteriores e posteriores a esta. Para poder programar a chegada de um bebé, não tem outro remédio que determinar o dia em que se produz a ovulação. Mas são poucas as mulheres que têm ciclos absolutamente regulares ou que são capazes de detectar, de forma natural (porque têm pequenas dores ou alterações), quando os ovários libertam um óvulo maduro.

Os dois métodos mais utilizados para saber quando se produz a ovulação são a temperatura basal e o do muco cervical. No primeiro, aproximadamente 24 horas depois da ovulação, produz-se uma elevação de temperatura corporal de 2 a 5 décimas. A temperatura toma-se durante cinco minutos (na vagina, no recto ou na boca, mas sempre no mesmo local), antes da mulher se levantar da cama, depois de haver dormido um mínimo de 6 horas e sem haver comido nem bebido nada. Para que esta medição seja fiável deve realizar-se todos os dias, durante, pelo menos, três ciclos e ao longo de cada um deles, desde o primeiro dia da regra.

Ao fim dos três meses, já é possível comprovar se a ovulação se produz sempre no mesmo dia do ciclo (deve ser entre o 13 e o 14). Sabido isto, é possível planificar as relações sexuais para que coincidam com os ciclos férteis. Com o método do muco cervical detecta-se a ovulação observando as variações de textura que se produzem com o fluxo vaginal da mulher. O muco cervical é um líquido abundante e transparente que segrega o colo do útero (o cérvix) para ajudar a que os espermatozoides no seu avanço até ao útero.

Consideram-se dias férteis os posteriores à regra em que o fluxo é turvo e o aspecto pegajoso; muito férteis, aqueles em que se torna transparente e elástico como a clara de um ovo crua.

Se tomou a pílula durante anos…
Não é desejável que a mulher fique grávida no mês seguinte a ter deixado de tomar a pílula anticonceptiva. Tanto os ovários como o útero e o endometrio (onde se implantará o óvulo uma vez fecundado) necessitam de um tempo para se adaptarem ao novo ritmo fisiológico normal. Como além disso os anovulatórios reduzem o nível de magnésio e zinco, de vitaminas do grupo B e, sobretudo, de ácido fólico, recomenda-se como mínimo esperar três ciclos antes de tentar ficar grávida.

Durante este período, os anticoncepcionais de barreira (o preservativo e o diafragma) são os mais recomendáveis.

Check-up geral antes do bebé
Como saber se os futuros pais estão em forma para conceber um filho são? Muito fácil: devem submeter-se a um controlo médico. Trata-se de despistar a existência de doenças, que podem ter efeitos negativos na saúde do futuro bebé, como diabetes, hipertensão, doenças cardíacas ou renais, anemias, doenças de transmissão sexual (fungos, chlamydias, gonorreia, sífilis, herpes genital) ou problemas ginecológicos, como miomas ou quistos.

Também se deve realizar uma análise completa (sangue e urina) que permita determinar – além do estado geral da mulher – se está imunizada contra a rubéola, hepatite B e, em caso de ter contacto com gatos, contra a toxoplasmose.

Deverá vacinar-se, sobretudo, contra a rubéola , que é muito perigosa para o feto.

Também não será demais programar uma visita ao odontologista para comprovar que a dentição da mulher está em perfeito estado. Deste modo, podem-se prevenir futuros problemas, como obturações ou extracções, que durante a gestação afligem muito as futuras mamãs com medo que a anestesia possa fazer mal ao bebé.

Submeter-se a um exame médico antes da gravidez permite, assim, tomar as medidas necessárias para que toda a mulher (incluindo as que pertencem a grupos de risco) tenham as maiores possibilidades de ter um filho saudável.