Cuidados a Ter Durante a Gravidez: Depilação, Raios X, Acetona e Álcool

Revisado por Reinaldo Rodrigues (Enfermeiro - Coren nº 491692) a 12 dezembro 2018

Prevenção na Gravidez – O RAIO X E OUTROS PERIGOS HIPOTÉTICOS:

Depilação elétrica ou com laser

Não existem evidências de que estes sistemas de depilação suponham um risco para o embrião ou para o feto.

Mas dado que não existem dados e que a futura mãe deve evitar exposições desnecessárias, não nos parece que a gravidez seja o momento mais adequado para fazê-la.

Até que ponto são perigosas as radiografias?

Um dos factores que mais preocupam a mulher grávida é que tenha de efectuar uma radiografia. Inclusivamente, sente-se inquieta só de estar na sala onde se efectua esta prova ou por atravessar o corredor que conduz à sala de raios X.

Nestes casos, fica angustiada e a pensar que as radiografias podem danificar gravemente o desenvolvimento do futuro bebé.

No entanto, o risco derivado da grande maioria das situações deste tipo considera-se inexistente.

É verdade que as radiações ionizantes (como os raios X) podem alterar o desenvolvimento do embrião humano, mas só quando se tratar de doses muito elevadas, que não se atingem na maioria das exposições que se realizam por causas médicas ou diagnósticos, nem sequer numa radiografia abdomino-pélvica.

Não obstante, quando falamos no possível efeito dos raios X durante a gestação, temos de ter em conta várias coisas. Em primeiro lugar, a dose absorvida pelo útero que, como já foi dito, só contém um risco quando for muito elevada.

Em segundo lugar, que o período compreendido entre as semanas quinta e décima desde o último período é o mais susceptível para o aparecimento de defeitos congénitos.

O período anterior à quinta semana é o de maior risco de abortos espontâneos.

As exposições que têm lugar depois da décima semana podem resultar em mais possibilidades de atraso mental.

Em terceiro lugar, é preciso ver até que momento do desenvolvimento se pretendem avaliar as possíveis consequências das radiações.

Alguns estudos assinalam que as crianças expostas a raios X durante a gestação têm mais probabilidades de sofrer de leucemia ou câncer na infância.

No entanto, os dados ainda são escassos, pelo que este efeito potencial está pendente de ser avaliado e confirmado.

Regra geral, podemos dizer que durante a gravidez deve-se evitar a exposição aos raios X sempre que não seja absolutamente necessária.

Mas se por algum problema uma mulher grávida (ou que o possa estar) tiver de ser submetida aos raios X, deve informar o operador do seu estado, para que ele minimize a exposição e a proteja com um avental de chumbo.

Deste modo, a dose absorvida pelo útero será praticamente nula e evitar-se-á o perigo.

O operador de raio X deve proteger a mulher grávida das radiações.

Pode usar-se acetona?

Dado que para tirar o esmalte das unhas se empregam doses baixas de acetona, consideramos que o seu uso não supõe um risco para o desenvolvimento embrionário e fetal, mas deverá inalar-se o menos possível.

Sobre o álcool e afins

Nos últimos meses notou-se o aparecimento de informações na imprensa sobre as propriedades da cerveja e o seu conteúdo em ácido fólico, recomendando esta bebida às grávidas.

Também se chegou ao ponto de aconselhar limitar o consumo de álcool na gestação a um copo de vinho às refeições. Mas estas recomendações são totalmente incorrectas e muito inadequadas.

Hoje em dia reconhece-se que o álcool é a primeira causa não genética de atraso mental. Além disso, sabemos que não existe uma dose mínima de álcool que não comporte um risco para o bom desenvolvimento do embrião e do feto.

Por isso, não é aconselhável recomendar às mulheres grávidas o consumo de cerveja ou vinho. Está provado que tomar bebidas alcoólicas durante a gestação implica um alto risco para o desenvolvimento físico e psíquico do futuro bebé.

Os efeitos do álcool sobre o embrião e o feto dependem da quantidade e da frequência com que se ingerem as bebidas alcoólicas, assim como da resposta individual.

Quando a grávida ingere grandes quantidades existe um alto risco de que o bebé apresente atraso mental, hiperactividade e problemas de aprendizagem, conjuntamente com outros defeitos físicos como microcefalia (cabeça muito pequena que se acompanha muitas vezes de atraso mental), insuficiente abertura dos olhos, lábios muito finos, face plana, malformações cardiovasculares, alterações do tubo digestivo, defeitos renais e urinários, braços e pernas pequenos, etc.

Quanto mais álcool ingerir e durante mais tempo, maior é o risco e a severidade dos defeitos congénitos.

Mas as doses moderadas ou baixas de álcool (beber uma bebida esporadicamente ou um copo de vinho a acompanhar as refeições) também se relacionam com um aumento de abortos espontâneos e com uma diminuição do quociente intelectual das crianças.

Dado que os efeitos do álcool se podem produzir durante toda a gestação, nenhum momento está livre de risco.

Por isso, a maior parte dos cientistas está de acordo em que a grávida não deve tomar nenhum tipo de bebida alcoólica desde o momento em que pretende ficar grávida e até ao parto.

Beber um copo de vinho às refeições é correr o risco desnecessário de que o futuro bebé nasça com um quociente intelectual menor do que teria se não bebesse esse copo de vinho.

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