Prevenir o Cancro do Pulmão

Revisado por Reinaldo Rodrigues (Enfermeiro - Coren nº 491692) a 12 dezembro 2018

No início do século XX o cancro do pulmão era uma doença raríssima; hoje é um dos tumores mais frequentes e mortíferos. O tabagismo é o principal factor de risco evitável para cancro do pulmão. Os primeiros estudos que estabeleceram uma relação inequívoca entre hábitos tabágicos e cancro do pulmão datam dos anos 50 do século passado.

Comprovaram que o risco de cancro do pulmão em fumadores é pelo menos dez vezes superior ao dos não fumadores. A probabilidade de desenvolver cancro do pulmão aumenta com o número de cigarros fumados e com a duração do hábito, sendo tanto mais elevado quanto mais precoce a idade de início.

Actualmente, temos 100 milhões de fumadores na União Europeia. Destes, 650 mil morrem, por ano, na sequência dos seus hábitos tabágicos. Cerca de 19 mil não fumadores morrem, por ano, na sequência da exposição passiva. Anualmente, 285 mil pessoas morrem por doença oncológica relacionada com o tabaco. Destes, 190 mil morrem por cancro do pulmão, sendo de 3 mil o número de pessoas que morrem por esse motivo no nosso país.

“Todos devemos estar em alerta permanente para detectar, tão precocemente quanto possível, alterações clínicas e imagiológicas suspeitas desta patologia. Sempre que haja uma suspeita de cancro do pulmão, ela deve ser esclarecida rapidamente”, defende o autor.

Junto com este facto aumentou a esperança de vida à nascença. Em 1960, a esperança de vida era de 60, 7 anos para os homens e de 66, 4 anos para as mulheres. Em 2001, essas cifras foram respectivamente de 73, 7 e 80, 6 anos. Em 41 anos houve um acréscimo de 13, 5 anos para os homens e 14, 2 anos para as mulheres.

Temos hoje uma população idosa que já supera e cada vez mais excederá a população juvenil. Projecções para 2050 apontam para uma percentagem de idosos de 32 por cento e uma percentagem juvenil de 13 por cento.
Sabe-se que o número de novos casos de cancro do pulmão aumenta vertiginosamente todos os anos, paralelamente ao aumento do consumo de tabaco, níveis de poluição ambiental e envelhecimento populacional.

O cancro do pulmão constitui actualmente, e continuará a ser, um grave problema de Saúde Pública, com uma carga financeira cada vez mais pesada para os sistemas de Saúde.

Prevenir o cancro do pulmão

Perante este panorama, parece lógico e sensato apostar na prevenção (diminuindo a exposição aos factores de risco conhecidos, dos quais o tabaco é o factor major evitável) e na detecção precoce da doença. Múltiplas tentativas decorreram nos últimos trinta anos para encontrar um teste de rastreio.

A associação da radiografia torácica com a citologia da expectoração, amplamente testada, embora revelando algum impacto na sobrevivência não demonstrou qualquer impacto na diminuição da mortalidade por cancro do pulmão. Modernamente, o recurso à tomografia computorizada de baixa dosagem parece promissor.

O International Early Lung Cancer Action Program (I-ELCAP) rastreou mais de 31 mil indivíduos assintomáticos na avaliação inicial, e 27 mil destes participantes repetiram TC [tomografia computorizada], 7 a 18 meses depois. Detectaram-se 484 cancros do pulmão, dos quais 412 (85 por cento) em estádio I. Submetidos a terapêutica, os autores calculam para este grupo uma sobrevivência de 80 por cento aos dez anos.

Aguardam-se os resultados do National Lung Screening Trial (NLST), randomizado, multicêntrico, iniciado em 2002 com mais de 53 mil indivíduos de risco e cujas conclusões se aguardam para 2011, tal como os resultados do Estudo NELSON, iniciado em 2003, com inclusão de mais de 20 mil participantes e cujos resultados estarão disponíveis em 2015. Hoje não é recomendado ainda qualquer método de rastreio.

Todos devemos estar em alerta permanente para detectar, tão precoce quanto possível, sinais ou sintomas relacionados com esta patologia.

“A tosse é a manifestação inicial mais comum, estando presente em 50-75 por cento dos doentes, particularmente nos carcinomas de localização central. O aparecimento de tosse de novo ou a alteração das suas características habituais deve ser considerado um sinal de alarme e levantar a suspeita de cancro”, assinala o médico.