Profissões de risco em Lesões músculo-esqueléticas

Lesões músculo-esqueléticas afectam 25 mil portugueses

As lesões músculo-esqueléticas relacionadas com o trabalho (LMERT) parecem atingir 5, 9 por cento da população, o que representa 24 269 portugueses.

O primeiro estudo epidemiológico sobre a prevalência de LMERT foi desenvolvido pelos reumatologistas Luís Cunha Miranda e Jaime Branco.

No Canadá, em 2002, as LMERT terão causado gastos na ordem dos 16 mil milhões de dólares, em despesas médicas e diminuição dos rendimentos e produtividade.
 
Dor na região lombar da coluna vertebral (lombalgia), dor e rigidez na região cervical (cervicalgia) e dor na região dorsal da coluna (dorsalgia) são as doenças músculo-esqueléticas mais comuns relacionadas com o trabalho.
A conclusão é retirada do primeiro estudo epidemiológico sobre a prevalência de lesões músculo-esqueléticas relacionadas com o trabalho (LMERT), o Prevalence of Rheumatic Occupational Diseases (PROUD).
O trabalho empreendido por Luís Cunha Miranda, do Instituto Português de Reumatologia (IPR), e por Jaime Branco, coordenador do Programa Nacional Contra as Doenças Reumáticas, recebeu dados através de inquéritos enviados aos médicos do trabalho de 515 empresas, com total de 410 496 trabalhadores, o que representa 11 por cento da população activa em Portugal.
Os autores concluíram que as LMERT atingem 5, 9 por cento (24 269) dos trabalhadores nacionais.
Para Luís Cunha Miranda, a identificação dos trabalhadores em risco e o reconhecimento precoce de sintomas afiguram-se como estratégias essenciais para a prevenção” destas patologias, bem como “a implementação de um sistema de monitorização e vigilância como suporte em avaliações clínicas, para obter um cenário mais actual da realidade nacional”.
A lesão mais prevalente foi a lombalgia (2, 27 por cento), seguindose a cervicalgia (1, 13 por cento) e dorsalgias (0, 82 por cento).Profissões de risco SoldandoO estudo PROUD identificou ainda uma prevalência das lombalgias em actividades como a construção civil e a indústria metalo-mecânica, enquanto na indústria automóvel, de montagem e componentes eléctricos e electrónicos as lesões mais frequentes são nos membros superiores, nomeadamente a tendinite do ombro e do punho (2, 43 por cento, 2, 16 por cento e 1, 5 por cento respectivamente por sector).

A prevalência das lesões aumenta com a idade e varia entre sectores económicos de actividades e profissões.

O trabalho dos dois reumatologistas verificou ainda que os trabalhadores com idades próximas dos 40 anos ou inferiores sentem mais problemas, sobretudo ao nível do segmento coluna cervical e ombros, do que os operadores mais idosos.

Os investigadores concluem que a falta de dados sobre LMERT em Portugal, devido à parca referenciação e à utilização de um sistema único de registo das doenças músculo-esqueléticas profissionais, pode conduzir a uma subestimação da incidência destas patologias na população activa e em geral.