Prolapso Genital

Revisado por Equipe Editorial a 15 janeiro 2018

Problema grave, o prolapso genital ocorre quando a estrutura que normalmente sustenta determinados órgãos: vagina, bexiga, uretra, e reto, composta pela massa muscular presente na cavidade pélvica, se enfraquece.

Consequentemente, os referidos órgãos acabam sendo deslocados para baixo.

Funcionamento dos sistemas estruturais

Considerando seu local exato, o útero se situa acima do órgão sexual feminino, mais precisamente no centro do conjunto que também é formado pelo reto e bexiga.

Devido a uma série de componentes que o mantém no lugar correto, o colo uterino desemboca exatamente na vagina.

Basicamente, o sistema estrutural responsável por estabilizar o posicionamento dos órgãos é constituído por duas partes: a de sustentação e a de suspensão.

Na primeira está o grupo formado pelos músculos da base pélvica, incumbidos de fixar os órgãos presentes.

Esse trecho possui somente pequenas lacunas, que têm a função de abrir caminho para a uretra, o reto, e a vagina.

Já na segunda parte, a suspensão é constituída por outros músculos e conjuntos de ligamentos, especialmente os ligamentos posteriores do útero, os chamados ligamentos útero sagrados.

São eles que conectam as porções superior vaginal e inferior uterina à massa óssea que integra a pélvis.

Porém, também cabe salientar outras peças importantes, como os denominados ligamentos uterinos largos, e os redondos.

Eles também prestam uma valiosa colaboração ao fixar os órgãos genitais nos seus respectivos locais de origem.

Causas do problema

O prolapso genital resulta da repentina ineficácia, ou falha, de todo o intrincado  sistema de estruturação dos órgãos em questão.

Quando os componentes mencionados há pouco deixam de ser funcionais, toda a harmonia interna da cavidade pélvica se desfaz.

Ainda que seja comum em mulheres que nunca foram gestantes, o prolapso genital costuma ser desencadeado pelo excesso de partos, durante os quais pode haver uma distensão dos músculos e ligamentos.

No entanto, outros fatores, como o envelhecimento, algumas doenças genéticas, musculares e neurológicas, obesidade, e alterações na produção dos hormônios , igualmente contribuem para o problema.

Em contrapartida, o prolapso genital surge frequentemente de maneira silenciosa e sem motivação intrínseca. Nestes casos, ele se desenvolve nas mulheres que detêm sistemas estruturais fragilizados.

Durante a menopausa, o quadro se agrava, já que nessa fase a produção hormonal sofre constante oscilação, o que acaba enfraquecendo e atrofiando os elementos que sustentam os órgãos da cavidade pélvica, como o útero.

Os prolapsos acometem majoritariamente o público feminino, já que os dois hiatos presentes entre as aberturas do ânus, vagina, e uretra dos corpos das mulheres criam um ambiente propício para a ocorrência de falhas na massa muscular posterior do ânus.

Consequentemente, os órgãos suspensos tendem a se deslocar com maior facilidade.

Variantes do prolapso genital

Prolapso genital é um termo técnico que se refere, a grosso modo, ao deslocamento de um dos órgãos que encontram-se suspensos no interior da pélvis.

Contudo, o problema apresenta algumas variantes, sendo que em determinadas situações elas podem atuar concomitantemente.

Prolapso uterino

Definido como a variedade mais frequente, o prolapso uterino é caracterizado pelo deslocamento do útero através do canal vaginal.

Apesar de, na maioria dos casos, esse deslocamento atingir níveis desprezíveis, em outras circunstâncias ele pode se agravar, alcançando a abertura da vagina, ou até mesmo atingindo a área externa.

O prolapso uterino é classificado conforme a profundidade do deslocamento. Assim, quando inserido na categoria de primeiro grau, ele provoca uma ligeira queda do útero, que não chega à vulva.

Já no prolapso de segundo grau, mais grave, o útero preenche totalmente o canal da vagina, e a parte denominada colo se evidencia pela abertura vaginal.

E ainda existe o terceiro grau, quando o útero se revela por completo através da vulva.

Hérnias vaginais

O colpocele, dividido entre anterior e posterior, é uma outra variedade de prolapso genital. Nesse caso, os órgãos contíguos da cavidade pélvica, como reto ou bexiga, sofrem deslocamento até apontarem pela abertura da vagina.

No colpocele anterior (cistocele), a parede membranosa vaginal anterior é impelida pela bexiga, o que resulta em uma saliência na parte interna do tubo da vagina.

Enquanto isso, no colpocele posterior (retocele) é o reto quem compele o septo posterior vaginal, ocasionando um prolapso interno.

Já na enterocele, o órgão deslocado é o intestino, que ao pressionar o septo vaginal posterior acaba formando uma hérnia.

Conheça 8 Causas de Prolapso Uterino

Sintomas

Os sinais de que o corpo está passando por um prolapso genital variam de acordo com o nível de gravidade do problema.

Praticamente assintomático no início, ou limitando-se a dores ocasionais, conforme o quadro avança o problema passa a ser bem perceptível.

Ao atingir este patamar, o prolapso deixa de ser apenas um incômodo e começa a provocar danos internos, como sangramentos fora do ciclo menstrual, além de comprometer o bom desempenho das atividades sexuais.

Com relação às hérnias vaginais, elas provocam uma proeminência dentro do canal vaginal, o que pode levar à invasão da região ocupada pela vagina, essencialmente quando o indivíduo rir, tossir, ou efetuar esforços físicos.

Agente limitador do movimento de alongamento natural da bexiga, o cistocele interfere profundamente no trato urinário, culminando em incontinência urinária,   micções constantes, ou realizada com muita dificuldade.

Por fim, o retocele pode ocasionar constipação intestinal, além de acarretar um acúmulo na ampola retal.

Importante frisar que os problemas citados podem ficar estáveis por longos períodos, às vezes se estendendo por meses e anos. Contudo, enquanto não forem totalmente sanados sempre haverá o risco de complicações graves.

Tratamento Cirúrgico

Infelizmente, a única solução para o problema é a realização de uma cirurgia. Esse procedimento é adotado visando corrigir as falhas apresentadas pela estrutura da cavidade pélvica.

Durante o ato cirúrgico, são inseridas telas (produzidas com material sintético especificamente voltado para esse fim) que irão revestir o assoalho pélvico, recriando a estrutura em toda a área.

O índice de rejeição das telas é bem abaixo da média, fato comprovado pela percentagem de cirurgias bem sucedidas, que se aproxima dos 90%.

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