Prostatite: O que é, quais os sintomas e como é feito o tratamento

Atualizado e Revisado por Dr Nilo Jorge Leão Barretto (Urologista - CRM-BA 22237) a 10/05/2019

Prostatite é um termo que faz referência a uma série de sintomas caracterizados por distúrbios miccionais, sexuais, e perineais, em maior ou pior medida, dependendo da causa, se é infecciosa ou não. Os sintomas são variados, mas causam grande desconforto no paciente. Se o tratamento não for feito adequadamente com antibióticos e durante o tempo indicado pelo urologista, pode tornar-se crônica e dificultar a sua solução.

A próstata muitas vezes é associada a um tabu social. A maioria dos homens sente-se desconfortável em ir a um urologista fazer exames de rotina, que devem ser priorizados a partir dos 40 anos de idade. Por conta disso, acabam camuflando os sintomas de doenças que podem acometer essa glândula, prejudicando um prognóstico bom a curto prazo.

A prostatite é um exemplo dessas doenças. Ela é uma infecção causada, na maioria dos casos, por bactérias, sendo o tratamento realizado primordialmente por remédios antibióticos. A enfermidade define-se pela apresentação da próstata inflamada, fazendo com que a mesma fique dilatada e provoque dor, temperaturas elevadas e desconforto ao urinar.

Para aliviar os sintomas relacionados à dor, o urologista também pode prescrever analgésicos e anti-inflamatórios.

Foto De Prostatite

Quais os sintomas

Os sintomas mais característicos de uma prostatite são também comuns a outras doenças, como por exemplo uma infecção urinária. É fundamental estar atento, para que os sinais não sejam camuflados no cotidiano. Quanto mais cedo uma doença é identificada, melhor e mais eficaz é o seu tratamento.

Por isso, esteja atento se, ao urinar, existir um desconforto leve ou moderado seguido de um jato de urina fraco. São esses os indícios mais frequentes de uma inflamação na próstata. Se, além disso, sentir uma vontade constante de urinar, mesmo à noite, e uma sensação de urina sempre por fazer na bexiga, deve se manter em observação.

Na sequência descrevemos alguns sintomas mais raros, mas também associados à prostatite:

  • Dor ao ejacular
  • Complicação para manter ereções
  • Surgimento de sangue no sêmen (hemospermia)
  • Presença de dor perineal que pode irradiar para o púbis, região lombossacral, escroto, pênis e parte interna das coxas.
  • Dor na região anal ou nos testículos
  • Temperaturas corporais elevadas
  • diminuição do desejo, perda total ou parcial de erecção e infertilidade.

É fundamental observar todos os sintomas descritos acima, a fim de procurar um médico. Vale lembrar, no entanto, que o diagnóstico só pode ser realizado por um especialista (urologista), através de exames de toque, análises sanguíneas, análises de urina ou mesmo através de exames de imagem. A análise dos sintomas por parte do paciente é essencial, mas somente um urologista poderá confirmar o diagnóstico.

A possível dificuldade para manter ereções, inicialmente, parece um sintoma grave, mas, na verdade, ela é mais associada à dor desenvolvida pela inflamação da próstata do que pela inflamação em si. Por conta disso, é um dos primeiros sintomas a se normalizar, logo após a prescrição de analgésicos e anti-inflamatórios.

Quais podem ser as causas

Há diversas causas para que a próstata fique inflamada, no entanto, a maior parte das prostatites é originada por uma infestação de bactérias, como a Escherichia coli ou Proteus mirabilis. Tendo isso em vista, o especialista costuma iniciar o tratamento com o uso de antibióticos.

Nos casos mais raros, a prostatite se origina a partir de alguma lesão provocada na região anal ou mesmo após alguma cirurgia. Há também as ocorrências em que as causas são desconhecidas. Independentemente dos motivos que geraram o aparecimento da doença, o prognóstico costuma ser parecido e favorável a todos os casos.

Existem várias teorias sobre as causas que causam os sintomas da prostatite

1. Teoria obstrutiva: causada por um estreitamento da uretra ou da parede da bexiga.

2. Teoria do fluxo intraductal: causada porque parte da urina vaza para a próstata.

3. Teoria autoimune: causada por uma reação do sistema imunológico causada pela bactéria ou urina.

4. Teoria venosa: causada pela alteração do retorno venoso, por exemplo: por hemorróidas ou varicocele. Conheça os sintomas e tratamento da varicocele.

5. Teoria infecciosa: causada pela entrada de germes na próstata através da uretra. Também poderia ser produzida pela presença de sangue.

Quem está em risco? Homens com 50 anos de idade ou mais que tenham próstata aumentada (hiperplasia benigna da próstata) têm um risco aumentado de desenvolver prostatite. Saiba O que é Hiperplasia Prostática Benigna e Como tratar.

Como é classificada

De acordo com o National Institutes of Health (NIH) a prostatite possui algumas classificações, de acordo com a duração dos sintomas e com os resultados dos exames laboratoriais:

O Tipo I é conhecido como Prostatite bacteriana aguda; o Tipo II, por Prostatite bacteriana crônica; o Tipo III: Prostatite bacteriana crônica / síndrome da dor pélvica crônica (desconforto ou dor na região pélvica por pelo menos 3 meses com sintomas miccionais e sexuais variáveis ​​e/ou sem infecção demonstrável); o Tipo III-A, como Prostatite crônica inflamatória; O Tipo III-B, por Prostatite crônica não inflamatória e, por último, o Tipo IV, que é conhecido como Prostatite inflamatória assintomática. (Fonte)

As classificações aguda e crônica possuem os mesmos sintomas relatados pelos pacientes, sendo que, nos casos crônicos, as queixas persistem por três meses ou mais e nos casos agudos tendem a passar mais rapidamente.

Como é feito o diagnóstico

O início do diagnóstico é realizado por meio do histórico sintomático do paciente, com base na descrição dos sintomas frequentes de prostatite e com base no toque retal. Para a confirmação, o especialista poderá solicitar também análises sanguíneas e análises de líquido prostático. O médico poderá solicitar, ainda, exames como a fluxometria, responsável por medir a intensidade do jato urinário que passa na uretra, e, em alguns casos mais raros, a realização de uma biópsia para verificar a causa da dilatação da próstata. Veja como é feita a Biópsia da próstata e como interpretar os resultados.

Uma vez estabelecido o diagnóstico, o tratamento consistirá em antibióticos orais ou intravenosos, administrados por várias semanas.

Como é feito o tratamento

Qualquer diagnóstico deve ser sempre realizado por um especialista. Sendo assim, o urologista, após identificar os sintomas de prostatite e confirmar com exames laboratoriais, prescreverá o uso de antibióticos. Exemplo:

  • Prostatite aguda: antibióticos bactericidas indicados para bactérias gram-negativas administradas por via parenteral.
  • Prostatite crônica: antibióticos que penetram bem no tecido prostático (lipossolúvel). Alguns antibióticos que difundem bem no fluido da próstata incleum: tobramicina, netilmicina, trimetoprim, doxiciclina, ciprofloxacina, fosfomicina ceftriaxona e outros. Diretrizes de tratamento: de 6 a 12 semanas.
  • Outros tratamentos adjuvantes: fitoterapia, alfa-bloqueadores, relaxantes musculares, inibidores da 5-alfa-redutase, anti-inflamatórios, alterações no estilo de vida.

Na maioria dos casos, a medicação é realizada na casa do paciente, através da ingestão de antibióticos orais. A depender, no entanto, de um possível estado avançado da doença, o paciente receberá, já no hospital, um medicamento intravenoso.

Para alívio dos desconfortos provocados por alguns sintomas, o médico também poderá indicar o uso de remédios para a analgesia e anti-inflamatórios, que melhoram a qualidade de vida dos pacientes. Também poderá ser indicado o uso de bloqueadores alfa, que descontraem o colo da bexiga, auxiliando nos sintomas que envolvem esse órgão do corpo masculino.

Nos casos de prostatite bacteriana crônica, do Tipo II, o tratamento é mais longo. A presença de antibióticos é recomendada por, em média, três meses. Ao ultrapassar esse tempo, se a inflamação persistir, o especialista poderá indicar uma pequena cirurgia para remover a lesão, visto que o uso contínuo de antibióticos pode proporcionar outros efeitos colaterais ao corpo.

Vale lembrar que, durante todo o tratamento, a ingestão de bebidas alcoólicas é proibida, sob o risco de comprometer a eficácia dos medicamentos e provocar efeitos colaterais graves.

Alimentos a evitar

Lista de alimentos ruins para a próstata:

Carnes vermelhas e processadas: Consumir carne vermelha e processada, em quantidades excessivas não é saudável e aumenta o risco de desenvolver câncer de próstata.

Cálcio e laticínios: A maioria da população é intolerante à lactose sem saber. É precisamente uma proteína do leite, a caseína, que nos impede de absorver o cálcio presente no leite. Isso acontece porque ao consumirmos proteínas animais o pH do sangue torna-se ácido, e o organismo como reação a isso, extrai parte do cálcio que temos nos ossos para neutralizar essa acidez. Alguns estudos mostram que o consumo excessivo de cálcio pode aumentar o risco de câncer de próstata.

Tomate em conserva: O tomate enlatado possui níveis elevados de bisfenol, que está associado ao câncer e a problemas de saúde graves.

Pipoca de microondas: A pipoca tem uma grande fonte de fibras (desde que seja natural). No entanto, a pipoca de microondas possui muitos químicos e gordura com a qual são preparadas – itens que estão associados ao câncer.

Batatas fritas: As batatas fritas contêm muita gordura saturada e sal. Além disso podem conter uma substância cancerígena chamada glicidamida, que é gerada na preparação de frituras em altas temperaturas. Comer batatas, frango, peixe e outros alimentos fritos em óleo abundante uma vez por semana está associado a um aumento do risco de câncer de próstata, mostraram pesquisadores do Centro de Pesquisa do Câncer Fred Hutchinson, nos Estados Unidos.

Adoçantes artificiais: Os adoçantes artificiais estão presentes em uma grande quantidade de alimentos normalmente consumidos entre a população. Atualmente, é comum o uso de várias substâncias químicas como substituto do açúcar, que podem causar reações alérgicas e, em alguns casos, câncer.

Açucar: Além de fornecer muitas calorias, é para muitos pesquisadores a principal origem do aumento de células cancerígenas no organismo. Evite tanto quanto possível. Um estudo publicado pela FASEB (Federation of American Societies for Experimental Biology) refere que o consumo regular de bebidas doces e alimentos processados aumentado três vezes mais o risco de câncer da próstata.

Alimentos bons para a próstata

Beber chá: É uma boa ideia introduzir chá de vez em quando na dieta, de preferência chá verde. O conteúdo rico em polifenóis é essencial não apenas para a próstata, mas também para prevenir problemas cardíacos, cáries, etc.

Vinho: Um estudo publicado no Fred Hutchinson Cancer Research Center, em Seattle, descobriu que beber entre quatro e sete copos de vinho por semana reduz para metade as chances de câncer de próstata – Benefícios que podem estar relacionados aos flavonóides e ao resveratrol, que estão ausentes em outras bebidas alcoólicas.

Azeite extra virgem: É importante adicionar alimentos ricos em vitamina E à dieta, já que a sua ação antioxidante evita problemas de próstata. É possível encontrar esta vitamina não só no azeite extra-virgem, mas também em nozes, atum, abacate ou uvas. Se combinar estes alimentos com outros ricos em selênio, o efeito será ainda maior. As fontes vegetais de selênio são legumes, nozes, sementes e grãos integrais. As fontes mais abundantes são as animais: carne magra e frutos do mar.

Soja: Uma metanálise revisando 30 estudos conduzidos até maio de 2017 conclui que o consumo de soja está associado a um menor risco de câncer de próstata. Adicione alguns brotos de soja às suas saladas ou tome um copo de bebida de soja no meio da manhã.

Exposição solar, pelo menos 15 minutos: Os suplementos de vitamina D podem atrasar ou mesmo inverter a progressão de tumores de próstata menos agressivos ou de baixo grau, sem a necessidade de cirurgia ou de radiação, de acordo com um estudo da Medical University of South Carolina (EUA). A melhor maneira de obter vitamina D é através da exposição à luz solar. Mas também pode obtê-la alimentando-se bem. O arenque, o salmão, a sardinha e o atum contêm a vitamina em boas proporções.

A possível prevenção

Ainda que a prostatite se origine em causas diversas, hábitos saudáveis podem auxiliar na prevenção da doença ou, ao menos, no surgimento de sintomas mais amenos. Sendo assim, esteja atento para as orientações a seguir:

Mantenha uma higiene adequada: a proliferação de bactérias aumenta exponencialmente em ambientes úmidos ou sujos, por isso tenha sempre em vista a necessidade de higienizar bem as partes íntimas e secar adequadamente. Veja como fazer a Higiene Íntima Masculina, como realizá-la corretamente?.

Realize uma dieta saudável: o que o seu corpo ingere implica diretamente no modo como ele reage a infecções e doenças, por isso, busque se alimentar de forma equilibrada.

Pratique exercícios físicos: estudos já comprovaram que a prática de exercícios é benéfica para todo o organismo humano. Aumente a sua resistência corporal para conseguir combater melhor as infecções que surgirem e, ao mesmo tempo, deixar o corpo com uma forma mais saudável.

Visite um médico regularmente: não espere apenas ter sintomas graves para buscar a ajuda de um especialista. A prevenção é sempre o melhor remédio para o corpo.

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Referências
  • Clínica Universidad de Navarra
    https://www.cun.es/enfermedades-tratamientos/enfermedades/prostatitis
  • Mayoclinic
    https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/prostatitis/symptoms-causes/syc-20355766
  • NHS
    https://www.nhs.uk/conditions/prostatitis/
  • The National Institutes of Health (NIH)
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