Quais são as principais consequências do tabagismo na saúde?

Revisado por Reinaldo Rodrigues (Enfermeiro - Coren nº 491692) a 12 dezembro 2018

Quais são as principais consequências do tabagismo na saúde?
Os efeitos nocivos do tabaco foram largamente estudados e documentados e é incontestável a associação entre hábitos tabágicos e o desenvolvimento de numerosas doenças. Nos últimos 50 anos tem vindo a registar-se um aumento extraordinário na incidência de cancro do pulmão em todo o mundo, sendo o risco directamente proporcional ao consumo diário de cigarros e à duração total dos hábitos tabágicos. A existência de história familiar de cancro do pulmão, ou a exposição profissional a determinados compostos, contribuem para aumentar o risco.

Outras neoplasias têm sido também relacionadas com o fumo do tabaco, como as da cavidade oral, laringe, faringe, esófago, estômago, pâncreas, rim, bexiga, colo do útero e leucemia. Não restam ainda dúvidas sobre o papel desempenhado pelo fumo do tabaco na génese e agravamento da bronquite crónica e enfisema, sendo considerado o factor causal predominante na etiologia da doença.

Há também uma maior incidência de doenças cardiovasculares, sobretudo de enfarte de miocárdio, de angina de peito, de doença vascular periférica e do aneurisma da aorta. As doenças cerebrovasculares, tais como a trombose e hemorragia cerebral são também mais frequentes. Há uma clara associação entre o tabagismo e a úlcera péptica. O tabagismo está ainda associado a maior prevalência de infecção aguda das vias respiratórias, de pneumonia e redução significativa da função pulmonar em comparação com indivíduos da mesma idade não fumadores. O tabagismo tem também efeitos no aparelho reprodutor. Os fumadores têm maiores taxas de infertilidade, impotência e nas mulheres a menopausa é 3 a 4 anos mais precoce.

Nas mulheres que continuam a fumar durante a gravidez, são muitos os efeitos nocivos sobre o feto e o recém-nascido. Há mais probabilidades de terem abortos espontâneos, complicações durante o parto e partos prematuros. Há também maior risco de morte fetal, nados mortos e recém-nascidos de baixo peso.

Qual a importância da motivação na cessação tabágica?
O consumo de cigarros e a cessação tabágica são processos que são influenciados por factores sociais, ambientais, psicológicos e biológicos, que estão inter-relacionados entre si. A compreensão destas relações complexas pode auxiliar a compreender a dificuldade que muitos fumadores têm em deixar de fumar. Além disso a cessação tabágica é um processo dinâmico, que passa por diferentes níveis de motivação, intenção e confiança para parar de fumar e termina na abstinência mantida. O grau de motivação para deixar de fumar define o estádio de mudança na cessação tabágica. É importante saber se o fumador:

– Pretende deixar de fumar nos próximos 6 meses?
– Pensa deixar de fumar no próximo mês?
– Tentou deixar de fumar no último ano?
Os que respondem não à primeira pergunta, estão na fase de pré-contemplação (± 35%) e não têm intenção de parar de fumar.

Os que pensam deixar de fumar nos próximos 6 meses, mas não no próximo mês, estão em contemplação (± 50%). Os fumadores no estádio de preparação, fizeram tentativas anteriores para deixar de fumar e pretendem agora parar no próximo mês (± 15%). Nos fumadores que passaram à acção e deixaram de fumar, se estão há 6 meses abstinentes, diz-se que estão em fase de manutenção. A partir desta fase pode assistir-se a um abandono definitivo ou recaída que acontece com frequência.

Adaptar a intervenção á etapa em que o fumador se encontra, pode simplificar e acelerar o processo de cessação. O acompanhamento dos fumadores é importante, pois um fumador relutante ou ambivalente numa consulta, pode estar pronto para deixar de fumar na consulta seguinte. Por outro lado, a individualização da abordagem de tratamento aumenta a sua eficácia. O conceito de intervenção estereotipada não se adequa á dependência do tabaco.

Que tipos de intervenções se aconselham para ajudar os fumadores?
A dependência do tabaco é uma doença crónica, que requer intervenções repetidas e é essencial que os profissionais de saúde forneçam aconselhamento e tratamento apropriado, do mesmo modo que o fazem para outras doenças crónicas, tais como a hipertensão, a diabetes, ou o colesterol elevado.

Para ajudar os fumadores todos os profissionais de saúde devem estar familiarizados com os vários tipos de intervenções e o espectro actual de terapêuticas eficazes. Os métodos mais eficazes para auxiliar os fumadores a deixar de fumar combinam aconselhamento e suporte comportamental com farmacoterapia. Distinguem-se 3 tipos de intervenções na cessação tabágica: a intervenção breve, a intervenção mínima e a intervenção intensiva. As duas primeiras devem ser levadas a cabo por todos os profissionais de saúde que trabalham com fumadores. A intervenção intensiva deve ser realizadas por profissionais especializados em cessação tabágica. Os 5 passos principais de intervenção breve (5 As) são:

Abordar e questionar os fumadores sobre os seus hábitos tabágicos em todas as oportunidades, ou seja, identificar sistematicamente os fumadores e determinar o consumo de tabaco.
Aconselhar da importância de deixar de fumar e dos riscos que o tabaco representa para a saúde e personalizar a mensagem que deve ser firme e clara quanto às vantagens da desistência.
Avaliar se está motivado para parar de fumar.
Ajudar a marcar a data para deixar de fumar. Fornecer material educativo e apoio em termos comportamentais e farmacológico.
Acompanhar, ou seja providenciar o seguimento em consultas posteriores frequentes e regulares, para avaliar sintomas de privação e evitar a recaída.

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